quarta-feira, 13 de maio de 2015

Eu não sei se um dia a minha filha não vai ser idiota como a outra miúda que bateu no outro rapaz

Espero que não.
Todos os dias a encho de amor, lhe manifesto todo o meu afecto e o melhor que guardo em mim: carinho, atenção, mimo, colo, beijos e ainda mais amor.
Não sei se isto será suficiente para que ela cresça consciente que o amor é que nos salva e que a violência é sinal de uma tristeza de alma profunda, de uma necessidade absurda de demonstração de poder, de uma frustração que gera agressão (a Psicologia explica), de uma insegurança que se manifesta em fazer mal aos outros para podermos ser melhores.
Não sei se um dia a minha filha não será a aborrescente parva e idiota que decida bater no outro para provar que é boa, para se sentir melhor. Espero que não.
Não coloco aqui o vídeo. Não me interessa que este post seja viral ou alvo de muitas partilhas no facebook. Não gostava de ser a mãe do rapaz que vê o seu filho ser exposto ao escrutíneo do facepovo nem que me fragilizassem (ainda mais) a minha cria.
Não coloco aqui o vídeo. Não me interessa que este post sejar viral ou gere muitas partilhas no facebook. Estou ainda mais solidária com a tristeza que deve sentir a mãe daquela miúda para quem, provavelmente,  o carinho, a atenção, o mimo, o colo, beijos e ainda mais amor não foram, claramente, suficientes, para crescer com valores de empatia.  Ser mãe de uma filha má de amor, má de empatia, má de gente deve ser uma tristeza que corrói por dentro. Mais do que a vergonha, a tristeza desta mãe, daquela miúda parva que já foi o seu bebé, deve ser imensa e corrosiva.
Não sei se um dia a Ana poderá tornar-se numa miúda como aquela. Apesar de ser o meu bebé, apesar de lhe dedicar todo o meu amor.
Espero que não. Nada me garante porque existe a genética, a educação mas existe o meio, o grupo de pares e a puta das hormonas e a adolescência. Nada me garante que a Ana não poderá ser uma das outras miúdas que assiste, indiferente, a tamanha barbaridade. Ou que esteja por detrás do smartphone a filmar.
Como mãe nada me interessa mais do que ensinar à Ana a capacidade de sentir empatia. Amá-la com a sorte de conseguir que ela cresça boa de amor. Para que um dia ela não seja aquela miúda. Ou os outros.
Para que um dia, ninguém como eu hoje, escreva um post como este a pensar em mim.
Espero que não.

10 comentários:

Nina disse...

Confesso, não tive coragem de abrir o video! Ele está em todo o lado e só de ler os comentários feitos, a propósito do mesmo, por quem o vê, senti o mesmo que a Ursa, medo, medo dum dia o meu amor, o amor do lar, não ter sido suficiente.
Espero, também eu, conseguir ensinar valores, educação e amor pelo próximo
Aqui deixo, se a Ursa, o permitir, um abraço para as mães deste miúdos, que devem estar muito sofridas.

marta disse...

É mesmo isso...muito bem escrito como sempre nos habituaste Ursa. Sou da Figueira não conheço nenhum dos intervenientes mas conheço a existência deste problema que sempre existiu e sempre existirá. O que me aflige é que no meu tempo sempre havia 1 ou 2 que se insurgiam e defendiam os + frágeis, e hoje em dia parece k só existem agressores... não há empatia, não há valores... é tão triste perceber o mundo envolvente na actualidade...

M.

Maria das Palavras disse...

Até que enfim alguém escreve sobre o assunto na perspetiva da mãe dos agressores, que não será mais fácil.

Todos atiram rapidamente e sem contexto "a culpa é dos pais". É muito fácil julgar os outros.

Escrevi sobre isso aqui: http://www.mariadaspalavras.com/a-culpa-e-dos-pais-207002

Petra disse...

Excelente texto Pólo, no entanto eu acho que bestas sempre houve, crianças mal resolvidas, frustradas, e que muitas vezes a falta ou excesso de atenção os levaram a ser assim. Agora é que existe facebook, youtube, correio da manhã e muitos telemóveis a mão para filmar e divulgar...

Vânia disse...

Eu ainda não sou mãe, mas sou educadora de profissão. Acho que quando os miúdos falham, erros desses, graves, é porque algo falhou também na educação. A culpa sim é dos pais que não os prepararam para ter a capacidade de se colocar no papel do outro e perceber o que é certo ou errado. Isso só os pais podem dar...

Lingua Afiada disse...

Não faço ideia de como se sentem os pais das agressoras, talvez desiludidos, envergonhados e com algum sentimento de culpa.
De muitas teorias se tem falado, da responsabilidade ou não dos pais, há quem diga que não, há quem diga que sim. Pessoalmente não consigo deixar de pensar que devem ter falhado em alguma coisa, poderá não ter sido falta de amor, ou demasiada condescendência mas algures devem ter falhado na transmissão de valores. É claro que os pares, os grupos têm uma influência muito grande, mas o que vi no vídeo é demasiado sádico, prepotente e cobarde para ser mais um caso de vingança, os agressores estavam calmos, conscientes do que faziam. Algo está a falhar nas suas vidas, caso contrário terão de ser encarados como psicopatas.
Tal como referi no texto que escrevi sobre o assunto estas situações sempre existiram mas há hoje um sentido de desculpabilização que faz com se ultrapassem todos os limites.
http://a-lingua-afiada.blogspot.pt/2015/05/espelho-dos-nossos-dias-2.html

Fuschia disse...

finalmente, um post que decide falar de amor para explicar aquilo. só encontro comentários de ódio por todo o lado. não foi o ódio e inveja itself que gerou aquilo?

Cate disse...

Quando tens meio Portugal a achincalhar a miúda em praça pública, percebes que o bullying está bem implementado na sociedade. E que as redes sociais o facilitam imenso.
Estes miúdos merecem ser castigados e punidos pelos tribunais, e de levar uma boa tareia de cinto em casa pelos pais, ficar sem telemóveis e sem férias durante uns bons tempos, para perceberem o que é arrependimento. Mas as ameaças de morte, ofensas e tudo o que tenho lido em comentários de meios de comunicação social e até nos perfis das pessoas envolvidas, deixa-me a pensar que muitos de nós não somos melhores que estes putos.

Purpurina disse...

Eu tenho uma filha e não sei como ela vai ser. Acredito que estou a fazer tudo para quevela não seja um dia, agressora, agredida ou indiferente ao sofrimento alheio. Mas não sei... Sei que há muitos Charlies por aí e, principalmente, muitos pseudo justiceiros indignados capazes de esfolar as raparigas vivas. Elas merecem, sem dúvida, um corretivo exemplar e eficiente mas, não me parece que desse corretivo deva fazer parte um bom par de estalos ou uma boa dose de pontapés nas canelas. As pessoas que têm comemtado esse vídeo de forma violenta são, em grande parte, a razão de existirem vídeos desses e muitos outros casos ainda piores que não são documentados. Vivemos ou a agredir, ou a ser agredidos ou a fingirmo-nos de mortos. A fibra, o caráter e a vontade de fazer alguma coisa aparece apenas na Internet, onde não somos mais que uma sombra atrás de um ecrã... Enfim, não seremos todos assim, mas a grande parte de nós é responsável por isto também.

Cláudia disse...

Por acaso , não concordo. Uma criança que nasce e é educada com os valores certos, não humilha. Obviamente que todos passamos uma ou outra fase de parvoíce na nossa vida, mas chegar aquele ponto de humilhar o outro, bater sucessivamente, sem resposta, e continuar? Creio que não. Acho mesmo que tem a ver com educação.

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