quarta-feira, 1 de julho de 2015

A alienação parental é uma forma de violência tão cruel como qualquer outra: não compactuemos!

"O meu nome é David Carlos Antunes Pereira, tenho 39 anos de idade, e sofro de uma doença neuro degenerativa, incapacitante, progressiva, incurável e fatal, chamada E.L.A (Esclerose Lateral Amiotrófica), que no passado Verão de 2014, ficou celebremente conhecida pelos famosos banhos gelados (Ice Bucket Challenge). 

Convivo diariamente com esta terrível doença, faz cerca de 2 anos e meio, sendo que a esperança média de vida desta doença, é de 2 a 5 anos, em condições de grande privação e sofrimento.

Neste momento estou confinado a uma cadeira de rodas, dependente de terceiros para realizar todas as tarefas, durante a noite, e parte do dia, uso ventilador para manter a minha função respiratória.

A minha grande motivação, para continuar a travar esta luta desigual, têm sido as minhas queridas filhas Daniela e Margarida, com 8 e 11 anos respetivamente.

Juntos brincamos, rimos, estudamos, conversamos, e é com elas que eu quero estar, e aproveitar ao máximo o pouco tempo de vida que me resta.

Infelizmente, no passado dia 17 Junho, a minha esposa abandonou-me, e levou consigo as minhas filhas para parte incerta.

Compreendo perfeitamente, minha esposa me ter abandonado, sou uma pessoa condenada à morte, sem futuro, um encargo permanente, ninguém é obrigado a tomar conta de mim, e uma mulher jovem tem todo o direito e legitimidade de prosseguir com a sua vida.

Acho totalmente desumano e cruel, levar as minhas filhas para longe, e dizer que vou passar muitos meses sem as poder voltar a ver, pois não sei quanto tempo de sobrevida me resta, talvez algumas semanas, meses, talvez um ano, não sei ao certo, mas a doença está a evoluir rapidamente.

Sem as minhas filhas, perdi toda a minha alegria de continuar a viver, não consigo mais dormir, não consigo mais alimentar-me, as minhas dificuldades respiratórias aumentaram, não suporto mais sobreviver nestas circunstâncias.

Contactei a polícia e vários advogados, mas até agora todos dizem que não me conseguem ajudar, se calhar por ser um doente terminal, talvez seja pedir demais, e talvez não tenha acesso aos direitos das “pessoas normais”.

Sinto-me humilhado, desrespeitado, tratado como lixo, gostaria de passar os meus últimos dias de vida com alguma dignidade, e poder ver minhas filhas com regularidade, é tudo o que peço. 

Quero apelar à vossa compaixão e solidariedade, no sentido de partilharem este texto com todos os vossos amigos, e peçam para estes também o partilharem, preciso da vossa ajuda, quero tornar pública esta injustiça, porque acredito num mundo melhor, onde todos possam ter os mesmos direitos.  

Muito Obrigado

David Pereira
dcappereira@hotmail.com"

3 comentários:

disse...

É triste esta história, como o são muitíssimas outras. Mas fui ao FB e parece que não é bem assim. O sr tem contacto diário com as filhas, apesar de poder não ser físico e o que motivou a sra em questão a levar as folhas para longe foi resguardá-las da degradação do pai, uma vez que são ainda bastante menores (8 e 11 anos).
De qualquer modo, uma tristeza... :(

Mãe Sabichona disse...

Se realmente ele estiver impedido de as ver fisicamente e a ser verdade que a mãe o possa ter feito para proteger as filhas, não muda muita coisa. Os custos de as poupar ao assistir da degradação do pai podem ser muito maiores, nomeadamente para elas. Há situações de vida que não se evitam. Podemos quanto muito tentar minimizar ao máximo. Pessoalmente não conseguiria viver com a mensagem que lhes estava a passar, que é algo do género: quando mais precisam de nós, afastamo-nos fisicamente por ser demasiado doloroso. A situação é tão triste que só espero que consigam encontrar forma de a resolver da melhor forma possível.

S.o.l. disse...

Nenhum filho deve ser privado de conviver com ambos os pais, a não ser claro que hajam razões sérias para tal.

Segui o post direito ao facebook e vi/li tantas criticas à mãe das crianças que me perguntava enquanto lia se as pessoas não se perguntam pelo outro lado da história antes de lhe chamarem todos os nomes possíveis...

Leste os comentários PN? Há lá quem assegure, por conhecimento de causa, que não é bem assim. A carta dele a mim não me chegou ao coração, não a senti totalmente verdadeira, talvez seja eu que estou a ficar descrente...

Beijinho.

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