terça-feira, 28 de julho de 2015

"Ai Lello!" (Só que não)

(Fotografia da Andreia)


Imagine-se que um empresário tem uma discoteca. Na discoteca ouve-se música, dança-se, bebem-se copos, quiçá, comem-se umas tostas mistas enquanto se descansa entre músicas
Imagine-se que o empresário é dono de uma discoteca com uma decoração especialmente fantástica: boa arquitectura, boa decoração. Uma arquitectura soberba!
Imagine-se que o empresário decide reservar o direito de admissão a quem quiser frequentar a discoteca do qual é proprietário, impondo um consumo mínimo para quem quiser entrar. 
Imagine-se que as pessoas se insurgem, especialmente, as que gostam muito de entrar na discoteca, xeretarem todos os pormenores arquitectónicos, posarem para selfies ao pé de cada pedacinho de decoração sublime mas que nem gostam de música, muito menos de dançar e que não contribuem nem com um cêntimo para a sobrevivência daquele espaço que- voilá- não é um museu, não é um monumento mas sim em espaço comercial, que sobrevive através da venda de entradas de acesso às pistas de dança, de bebidas e até de tostas mistas. Porque se trata de uma discoteca, uma discoteca ímpar e única mas, ainda assim, uma discoteca. 
Imagine-se que o empresário decide reservar o direito de admissão a quem quiser frequentar a discoteca do qual é proprietário, impondo um consumo mínimo para quem quiser entrar e que, para mostrar a sua boa vontade, o valor desse consumo mínimo dá direito a uma bebida, não apenas à entrada na discoteca. 
Imagine-se que as pessoas se continuam a insurgir: porque não têm sede, porque não gostam de bebidas, porque não gostam nada de música e muito menos de dançar. E que querem continuar a entrar de borla, estorvando quem entra para, efectivamente, dançar, beber, conviver ao som da música. Querem porque querem, entrar para ver a decoração e tirar fotografias. 

É mais ou menos isto. Mas com livros. Difícil de perceber? Talvez porque não gostem de ler, não percebam metáforas ou, simplesmente, não entendam uma coisa tão simples como o facto dos espaços comerciais sobreviverem de- a loucura!- vendas efectivas e não de selfies postadas em redes sociais com a Lello de fundo. 

Deixem-se de merdas, sim?

2 comentários:

Cristina disse...

clap clap clap

Morena disse...

Nem mais!!! É isso mesmo!

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