quinta-feira, 30 de julho de 2015

Aos meus amigos...

... que me desculpam eu nunca atender o telemóvel/devolver chamadas, que não me cobram, que não me criticam as escolhas diferentes das deles, que me desculpam datas importantes esquecidas, que se riem das minhas trapalhadas, que acham graça ao facto de eu ser desastrada, que gostam de mim apesar de todos os meus defeitos, que não se importam que eu não os veja durante meses e que quando me reencontram me fazem sentir como se nos tivéssemos visto na véspera, que me perdoam os dias/atitudes/reacções/bocas/comentários/humores maus ou infelizes ou só insensíveis, que não me tentam moldar de outro jeito, que respeitam todas as minhas decisões mesmo que não concordem com elas, que insistem quando eu não respondo a mensagens porque sabem que é porque sou desorganizada/esquecida/trapalhona/despassarada e não levam a mal, não personalizam, não vêem coisas onde elas não estão, aos que me confrontam na cara, aos que me questionam, aos que me fazem pensar duas vezes, aos que me fazem pôr as minhas verdades em perspectiva e muitas vezes me levam a mudar de ideias, aos que me ensinam coisas novas e diferentes e importantes, aos que insistem em abraçar-me sabendo que os vou repelir porque não sou de demonstrações públicas de afecto, aos que estão longe mas sabem que estão sempre perto, aos que estão perto e sentem saudades quando me sentem longe, aos que me perdoam que me esqueça de ligar nas datas de aniversário dos filhos, aos que me perdoam que esteja indisponível muitas vezes, aos que souberam estar presentes sempre que lhes pedi que me deixassem só, aos que tomam partido de mámen quando eu preciso de ser contrariada, aos que tomam o meu partido quando preciso de os ter do meu lado da barricada nas lutas que travo, aos que se juntam às minhas causas, aos que me ouvem quando eu também preciso de me ouvir falar, aos que não formulam juízos de valor, aos que não criticam nem elogiam quando só preciso que estejam por perto, aos que me ajudam a tomar decisões, aos que falam quando eu só preciso de ouvir, aos que viajam comigo e me oferecem memórias partilhadas, aos que gostam da minha filha como se fosse da sua família, aos que a tratam como sobrinha de verdade, aos que se lembram de mim sem ser nas datas especiais, aos que me arranjaram petit noms que eu odeio como forma de me demonstraram carinho, aos que embirram comigo como forma de mostrar que gostam de mim, aos que mesmo que um dia deixem de ser meus amigos irão respeitar a amizade que nos uniu de forma íntegra e adulta, aos que me fazem rir, aos que me pedem que os faça rir, aos que não me mandam ser forte quando eu não preciso de ouvir balelas, aos que sabem estar comigo em silêncio sem haver incómodo nem mau estar, aos que se importam com o que me importa, que gostam de mim com tão poucas virtudes, aos que gostam dos meus outros amigos que não pertencem às suas histórias comigo, aos que desprezam as pessoas por quem eu tenho desprezo, aos que não me exigem coisas que eu não posso, quero ou consigo dar, aos que me conhecem as expressões faciais, aos que já me viram chorar a rir e chorar de tristeza, aos que me aceitam como sou e não como gostavam que eu fosse e ainda por cima fazem o favor de gostar de mim assim...

um feliz dia!

1 comentário:

K disse...

e é tão bom termos Amigos assim!
somos umas soturdas!

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