terça-feira, 28 de julho de 2015

A VISITAR | Casa da Meia Lua (Vilamoura)

Sim, eu já passei (muitos anos da minha adolescência) férias no parque de campismo de Monte Gordo. Sim, que eu era feliz a dormir num colchão com 5 cm de espessura a dar-me conta das cruzes. Sim, que eu era feliz a tomar banho nos duches da rua a tentar lavar-me condignamente de bikini vestido para não ter que ir para as filas dos duches de água quente nas casas-de-banho. Sim, que eu era feliz a comer saladas de massa com atum. Sim, que eu era feliz a ter o Valentim como vizinho de tenda e o Leonardo, o rapaz que vendia revistas na praia, como curte de Verão (era tão giro, agora que me lembro!). Sim, que eu era feliz na praia apinhada de gente com alforrecas mas com temperaturas que ainda hoje me tentam. Sim, que era feliz à noite a ir beber um copo no Bar 42. E tudo e tudo e tudo que uma 'ssoa não pode cuspir no prato (de plástico) onde comeu. 

Mas o Algarve também tem um certo encanto em Vilamoura. Numa casa particular. Com um nome mágico: Casa da Meia Lua. Com mergulhos a seguir ao pequeno-almoço, depois de almoço, ao lanche, antes de jantar e antes de dormir, quando as noites são abafadas e quentes. Com espreguiçadeira em uso desde de manhã até a lua aparecer, com a minha filha sempre de tronco nu a saltar e a brincar com conchas que apanhámos na praia, com o homem que amo a brindar com o seu rosé fresquinho preferido e acordar feliz e adormecer a cria ao colo, embrulhada num pareo colorido, enquanto contamos as estrelas. 

O céu é o mesmo, o Algarve é o mesmo. Seríamos felizes na mesma num parque de campismo, colchão fininho e tenda a abrigar-nos, duches ao relento e praia apinhada de gente. O que importa são eles, somos nós, enquanto um todo. 

Mas ser feliz sem culpas, sem medo que um dia não possamos ter acesso a estes prazeres que custam dinheiro, sem medo do que o futuro nos reserva é bom. É libertador. A Casa da Meia Lua tem uma energia de lua cheia. 

Porque mesmo que não consigamos voltar a ter férias com piscina à porta, numa casa onde só conseguiríamos morar nos nossos sonhos mais longínquos, com condições a que não temos acesso durante o resto do ano, porque mesmo que nunca mais voltemos aqui, estas memórias já ninguém nos roubará. São nossas para sempre. 

Somos felizes sem culpa. E é bom.  



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