quinta-feira, 30 de julho de 2015

"Para educar uma criança é preciso toda uma aldeia"

Há uma coisa absolutamente deliciosa quando nasce um bebé a que assisti aquando da chegada da Ana: o renascimento de toda a família. De luto recente pela morte da minha avó não esperei que a minha gravidez fosse vivida de uma forma tão plural. Lá em casa, as lágrimas deram lugar a sorrisos tímidos e cautelosos, a telefonemas diários para se saber do meu estado de saúde, a concílios familiares após cada ecografia e a um movimento quase cigano na maternidade no dia em que a Ana nasceu. 
Quando a Ana nasceu eu achei que bebé era minha e do pai. Puro engano. Desde a primeira hora que a Ana é o bebé de todos e de cada um, o "bebé comunitário", como tão bem baptizou a minha prima, tia-mor da minha filha. 
Quando a Ana nasceu parece que sempre tinha cá estado nesta família, como se estivessemos deitados todos num mesmo leito e, de repente, só tivéssemos que nos apertar um bocadinho mais para deixar repousar a bebé. Neste ajeitar de corpos, neste arranjar espacinho para a Ana entrar, se posicionar aqui, bem perto de nós, ficámos mais apertados- é certo- mas, indiscutivelmente mais próximos. 
Um bebé renasce toda uma família, traz de volta os mortos de quem temos saudades em expressões que nos remetem para cada um deles (oh, as beiças da minha avó na Ana, o revirar de olhos, tão Anas as duas...), traz de volta mais sorrisos nos lábios de quem fica, de quem se aperta para acolher quem chegou, abrindo espaço e dando o lugar a este novo membro, como se o lugar dela sempre aqui estivesse, apenas à espera que o dia chegasse. 
 A vinda da Ana trouxe-me um bebé e um amor sem fim mas trouxe, também, o apaziguamento com a perda dos meus avós, novos sorrisos da minha mãe, tão adormecidos, tão ternos, tão comoventes, o baixar das armas do duro do meu tio que derrete a cada xi-coração da pequena, beijos inesgotáves da minha tia, gargalhadas dos meus tios face a cada gracinha e um sentimento inexplicável de amor, ternura e orgulho da minha prima, a mesma que, sabiamente, na primeira semana de vida da pequena a baptizou de "bebé comunitária." 
Porque um filho não é apenas nosso, é de toda, mas toda a família. A família que se completou apenas porque ele chegou. Estamos apertadinhos mas inexplicavelmente mais felizes e completos que nunca. 
Ainda bem que vieste, Ana. 

3 comentários:

Cristiana Afonso disse...

Ursa, faz já outro bebé! 😂

Pólo Norte disse...

Cristiano,

Oh, oh. É para já: dois ou três! :P

anovska disse...

E ter uma família que do lado do Pai tem 99 pessoas e estão à espera da 100ª? Que é nada menos que este bicho que trago cá dentro!
Não há king size que aguente isto (nem bateria de telemóvel, na realidade)... As minhas Tias andam loucas! As minhas primas, sendo que algumas delas foram Mães há bem pouco tempo (a cria mais nova tem 1 ano acabadinho de fazer), não me largam!!!
Eh pá... deixem-me lá curtir os enjoos à vontadex!
Familias grandes demais não são assim tão giras...

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