sexta-feira, 14 de agosto de 2015

É isto, sem tirar nem pôr

"Quero ser avó

Deve ser bom ser avó. Só diversão e nenhuma birra. Não há fitas porque também não há contrariedades - os avós não dizem não. Brincadeira todo o dia, gargalhadas, jogos e no fim do dia um relatório detalhado de tudo o que fizeram com os netos, intercalado com muitos elogios à criança, que, naturalmente, é a mais e a melhor em tudo. Os avós são seres estranhos que os filhos não reconhecem e com os quais até gozam um bocadinho quando eles não estão a ver. A verdade é que estão mesmo a pedi-las, com as suas vozes em falsete, os seus saltos e mergulhos para o chão (os avós passam imenso tempo no chão), a sua incapacidade de se concentrar em algo mais que não o neto. Os avós são o melhor do mundo e o pior também. Há poucas coisas mais cansativas do que estar na mesma sala que um avô e um neto a pedir um minuto de atenção. Um neto que passe uns dias seguidos com os avós transforma-se num imperador que quando volta para casa transforma a vida dos pais num inferno de birras e recusas em fazer coisas tão básicas como "por favor anda lavar os dentes". Os avós são como os netos que só querem brincadeira e não ligam a regras nem obrigações, principalmente quando os pais (filhos) estão presentes. Além disso os avós são seres com energia inesgotável. Eles vão à praia, eles vão ao parque, eles dão almoço, carregam mochilas, fazem de aviões e cavalos sem nunca desmaiar de cansaço, como uma espécie de super poder. E mesmo que nunca tenham brincado muito com os filhos, sabem brincar com os netos sem que ninguém lhes tenha ensinado. Os avós são do caralho quando somos netos e um bocadinho chatos quando somos pais. mas suponho que seja a ordem natural das coisas."

Leididi no seu "Blog do Desassossego"

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