sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Anita vai para o Jardim de Infância: mãe lê a sebenta

A partir do momento em que os pais decidirem colocar os filhos na creche, devem visitar várias. Devem colocar todas as questões sobre o espaço, os materiais, as rotinas e as metodologias implementadas com as diversas faixas etárias e, se possível, questionar sobre como é feita a adaptação das crianças.
Por mais criteriosa que tenha sido a escolha, existe sempre o sentimento (legítimo) de que o melhor lugar para o bebé, seria em casa ao lado da mãe.
Principalmente nos primeiros dias de creche, existem demasiadas dúvidas que perturbam os pais. Todas as questões e inquietações são compreensivas e legítimas; no entanto, sem se aperceberem, os pais são os principais transmissores de ansiedade e angústia para as crianças.
É conhecido que os bebés se adaptam com mais facilidade a tudo o que é novo, como novas situações e ambientes, e quanto mais cedo a criança entrar para a creche, mais fácil será a sua adaptação.
Por norma, numa fase inicial, aconselha-se aos pais que nos primeiros dias a criança fique poucas horas na creche. A ansiedade dos pais é grande e reflete-se nas crianças. Uma adaptação feita nestes moldes ajuda a criança e os pais a adaptarem-se de uma forma lenta e gradual, diminuindo a ansiedade de ambos. Se a criança tiver algum objeto que a acompanhe sempre (boneco, fralda de pano, etc) é importante que acompanhe a criança na creche. Será o objeto de transição.
A comunicação aberta e positiva entre pais e profissionais de educação, será um elemento fundamental para o sucesso da adaptação. Não só as crianças sentem que existe um clima de confiança, como os pais sentem que a separação do filho não se torna tão difícil. Conversar diariamente com a equipa que presta cuidados à criança, assim como participar ativamente nas propostas que vão sendo feitas às famílias, de forma a envolvê-las nas propostas pedagógicas, conversar acerca dos hábitos e rotinas que existem em casa, são tudo estratégias de aproximação que criam um clima familiar, evitando que haja uma rutura entre a família e a própria instituição.
Não existe uma forma simplificada para que as crianças e os pais se adaptem à realidade da creche. Cada um tem características específicas que os fazem ter reações muito diferentes a um mesmo problema. Espera-se que creche e pais funcionem como uma equipa. Esta será sempre algo marcante para a criança, pois será aí que ela terá um primeiro contacto com o mundo exterior, ao qual terá que se adaptar.
É aconselhável aos pais:
  • confiem na creche escolhida. Esta será a segunda casa do vosso bebé e para que ele se sinta bem, é fundamental que os pais se sintam seguros. 
  •  diversifiquem as pessoas que estão com o bebé algum tempo antes da entrada na creche, permitindo que este se sinta confiante com outras pessoas para além dos pais.
  • se o bebé tiver menos de um ano de idade, brinquem frequentemente com ele às “escondidas”, cobrindo, à vez, a cabeça com uma fralda ou um pano e, numa segunda fase, escondam-se mesmo demorando progressivamente mais tempo a aparecer. Estes jogos permitirão ao bebé compreender que, apesar de os pais desaparecerem do seu campo de visão, não deixam de existir.
  • se o bebé tiver entre um e três anos de idade, conversem com ele sobre a creche.
  • procurem ter algum tempo livre para a adaptação à creche. Aumentem progressivamente o tempo que o bebé aí fica.
  • é importante criar uma rotina de separação: enquanto ainda o tiverem ao vosso colo, digam-lhe que vão trabalhar e que depois o vêm buscar. Mesmo que achem que ele não percebe, não deixem de verbalizar que confiam nas pessoas e na creche onde o deixam. Dêem-lhe beijinhos e entreguem-no ao educador, procurando não demonstrar ansiedade. Assim que o vosso bebé estiver no colo do educador, não prolonguem o momento da separação e saiam do seu campo visual.
  • procurem levar sempre o objeto de transição que tranquilizará o bebé por ser uma recordação de casa. É natural que o bebé fique a chorar após a separação, uma vez esta é a sua maneira de manifestar desagrado. Na maior parte das situações, parará de chorar com relativa rapidez e, frequentemente, deixará de o fazer aos fim de uns dias."

Raquel Lourenço- educadora de infância

1 comentário:

Elora disse...

Quando o meu filho foi para a cresce tinha 3 anos. Sempre lhe dissemos que um dia havia de ir para a escola e conversámos bastante sobre esse facto. Tirei o dia para ajudá-lo a adaptar-se. Ao fim de vinte minutos já nem se lembrava de mim. Nunca houve choros, nem dramas. Quando foi a minha filha, anos depois, também aos 3 anos, já só tirei uma hora. Entrámos e pendurou o casaco num cabide do vestíbulo. Depois olhou para mim e disse "Adeus Mãe" e ficou à espera que me fosse embora. Aproveitei essa hora para tomar um pequeno-almoço reforçado e digerir o orgulho nos meus filhos autónomos misturado com o desgosto de mãe desamparada, por não quererem saber de mim pra nada.

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