sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Há uma fotografia da minha filha...


... de um dia particularmente feliz em que ela e o pai, numa tarde com um sol ameno, uma luz perfeita, uma paisagem envolvente irrepreensível, se enfiaram dentro de uma gigante bola e percorreram o imenso relvado numa brincadeira cúmplice e uterina. 
O Mundo está confuso e sinto medo, sinto medo muitas vezes, do futuro, dos dias que poderão vir, com menos sol, menos luz, menos campos verdes. Sinto medo por todos os que amo mas, especialmente, um medo responsável e culpado pela filha que trouxe a este Mundo. 
Faço tudo o que está ao meu alcance para a ver feliz. Mas o Mundo está para além do meu poder, do meu alcance, da minha vontade e sinto mais medo. 
Hoje olho para esta fotografia e apetece-me saltar para dentro dela, enfiar-me dentro da bola onde ela e o pai partilham cumplicidade e ficarmos lá dentro, fechados e protegidos, para sempre, os três.

O amor deveria trazer airbag incorporado. 

2 comentários:

Gorduchita disse...

Como seria bom ter a certeza que tudo vai correr pelo melhor. Mas de facto este nosso mundo não está a seguir os melhores caminhos.
Temo o futuro, por todos os que amo mas muito em especial, também eu, pela minha filha.

Tehur disse...

Antes de ser mãe a maldade do mundo não era tão real para mim. Porque eu podia defender-me,ou se algo de mau acontecesse seria comigo e eu era forte, e eu era capaz de ultrapassar qualquer coisa.
Depois fui mãe. Recuso-me a viver no medo, mas a maldade do mundo tornou-se real, palpável, uma sombra sempre presente e eu não passo de ser humano, e a minha protecção é limitada e esta falta de controle sobre tantos aspectos deixa-me frustrada e furiosa. Mas não quero viver no medo, porque quando alguém tem medo a sombra do mal fica maior. Tenho que me agarrar à esperança, ao amor, e esperar que isso chegue.

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