segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A quadripolarização mais emocional de todas






"Ola Ursa,
Em anexo as fotos da Quadripolarização da terra da sua família materna (Poiares – Ponte de Lima), visto que ainda não estava devidamente quadripolarizada.
Ao dispor.
Carolina Rocha"

Esta quadripolarização esteve em suspenso alguns meses. Cada vez que botava os olhos na fachada da Quinta da Torre- onde a minha avó nasceu, onde eu passei em cima de uma vaca até ao posto, onde descasquei milho e lhe reirei as barbas para fazer chá, onde cheirava ao pão de milho quente da minha tia Carminda, onde soava a buzina da carripana do pão que nos trazia rosquilhas que comíamos com o mel das abelhas que ali viviam, onde me ria das tropelias do Toné, o caseiro da quinta- cada vez que botava os olhos nestas fotografias dava-me vontade de chorar. 
Sempre achei que não tinha uma terra. Sou um bocadinho de todos os sítios onde fui feliz. Mas toda a gente tem um chão, um ponto de partida, onde o GPS da vida se inicia, terra onde assentam as raízes mesmo que os troncos ramifiquem Mundo fora, onde o som da pronúncia soa a casa, a lar. Toda a gente tem uma terra. A minha é esta. Minho no seu mais verde melhor. 

 E esta é a quadripoilarização mais emocional de todas. Obrigada, Carolina!

3 comentários:

Filipe disse...

As raízes são tramadas... com um F bem grande!!! :)

Minhoto me confesso! Isto de ter raízes numa zona tão verde, fica mesmo mais difícil... está-nos na seiva! Precisamos desta terra, destas cores... o verde primavera que é diferente do verde outonal, dos castanhos que só o Outono nos reserva (pra além das dos castanheiros!), dos cheiros... da erva acabada de cortar para alimentar o gado, o cheiro a terra molhada, o cheiro a fumo que sai da chaminé vizinha, dos sons... dos sinos perdidos que o vento ajudava ver o tempo que se avizinha (ouvir o sino de determinada terra, era sinónimo de mudança de tempo!) o som dos galos que parecem competir com os de outras capoeiras... o som da agua a correr nos dias de diluvio... o som do vento faz os pinheiros dançar... o sobe e desde das vindimas nas escadas com 8, 9 e 10 degraus... os aromas... a cominhos..à erva cidreira que se apanha verde no quintal e se faz um chá para a dor de barriga... e por fim, a família... o significado da família minhota, com tudo o de bom e menos bom isso tem... mas é mesmo isso que nos resta, a família, as raízes e tudo o mais que nos faz sentir que somos daqui!!
(e tanto mais poderia ser dito...)

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Até me arrepiei.

Blue - Girl disse...

Não sabia que tinha costelas limianas, ursa! Eu, limiana, nascida e criada em Ponte de Lima, até aos 27, estou há 7 anos migrada... mas só quando volto, pelo menos 1 vez por mês, é que o meu coração descansa... não há terra como esta :)

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