terça-feira, 13 de outubro de 2015

"Ser mãe é bom?"- perguntaram-me num comentário a um post meu na página de facebook do blog



E eu não respondi de imediato que sim, sem pensar antes, só com o coração. Ser mãe é a experiência melhor e pior da minha vida, a mais compensadora e a mais aterradora, a que mais me fortalece e mais me expõe, a que mais me preenche e me esvazia. Ser mãe é incrivelmente bom e terrível, ao mesmo tempo e com tempos intercalados, às vezes tudo muda num segundo, uma espécie de papel esquizofrénico e louco, feliz e em sobressalto.
Antes de ser mãe sentia-me invencível e é curioso como o nascimento da Ana foi a maior vitória da minha vida, a conquista suprema. Mas era antes dela que me sentia a maior e a mais poderosa, a mais invencível e destemida. Depois a Ana nasceu e a sua existência faz-me sentir mais completa mas não necessariamente maior, com o poder de ter gerado uma vida, de ser a pessoa mais importante na vida de alguém, de ter em mim os super poderes que todas as mães possuem mas, ainda assim, com menos poder sobre mim, sobre o Mundo, o acaso, o destino e as circunstâncias, mais pequena, enfim. Quando a Ana nasceu eu fiquei mais fraca e vulnerável, mais frágil e insignificante, com todos os temores concentrados na vida daquele ser, pequenino e meu.
Ser mãe é desmembrarmo-nos e termos que tomar conta de nós amputados e os órgãos amputados terem vida própria. Ser mãe é bom como quando se faz uma tatuagem numa zona sensível, daquelas que doem muito, horrores, mas depois quando nos sentamos, num dia de Primavera, e o sol bate na zona colorida da nossa pele sentimo-nos felizes a contemplar aquela imagem que passou, apenas, a ser uma imagem bonita e feliz.
Ser mãe é terrível, é deixamos de viver em sossego, sem medos, é passarmos a ter noção da nossa pequenez, da nossa incapacidade, das nossas limitações e do quão o Mundo é maior do que os egos, as vontades, o querer que aconteça. Ser mãe é uma desproteção permanente, é crescermos e termos que dar colo e já não haver espaço ou tempo, ou talvez ambos,  para cabermos, nós, no colo de alguém. Ser mãe é deixarmos, muitas vezes, para trás as filhas que somos, como se uma coisa substituísse a outra, como se ser mãe nos fizesse ser mulheres à força, cada vez menos meninas.
Ser mãe é bom. Mas quando é mau é mesmo mau, do piorio.
É uma esquizofrenia tramada.
E ainda assim não a trocava por nada.

7 comentários:

Paula Vicente disse...

Já fiz esta reflexão tanta vez, e sinto essa mesma contradição! Desde que sou mãe conheci em mim o amor sem limites, sem barreiras, que não cabe em nenhuma palavra que exista! Mas por outro lado o medo, a insegurança, a certeza que o meu coração nunca mais vai bater só dentro do meu peito. Lembro-me tão nitidamente do terror que senti quando ele nasceu, não dormia só a olhar para ele e a pensar como o iria proteger deste mundo e de tudo! Não trocava por nada deste mundo a riqueza que trouxe à minha vida mas sei que perdi para sempre a tranquilidade em que vivia.

maria mestre disse...

Não sou mãe, mas um dia quero ser, um dia gostava muito de ser. Acredito em ti quando dizes que é aterrador, imagino como deve ser... Mas parece ser uma experiência tão boa!
Maria Crescida
Maria Sem Limites

Unknown disse...

É, de facto, tudo isto... <3

Escrever Fotografar Sonhar disse...

É tudo e tudo.

SJ disse...

É uma viagem num iate de luxo que tem um buraquinho casco. É tudo maravilhoso, mas a preocupação nunca nos larga, de vez em quando é preciso ir para o porão baldear a água.

Mãe Maria disse...

ser mãe é um misto de emoções que não se compara a mais nada na vida.

Mãe Maria disse...

ser mãe é um misto de emoções que não se compara a mais nada na vida.

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