quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A estreia nas viagens de balão ou Pólo Norte tu vas tomber






Calhou ter ficado no balão de uma equipa francesa. Eu não falo nada de nada, rien de rien de francês e pensei para os meus botões: "Oh que se lixe, vai ser uma viagem em paz e silêncio que vai ser uma maravilha!". Só que não.
Assim que começámos a descarregar a carrinha começou o loucura: foi desenrolar o balão, foi insuflar o balão com ar, foi alçar das minhas pernas de 2 metros (not!)  e saltar para dentro do cesto, tudo sobre o comando de voz gestual do piloto, que também não falava inglês e muito menos português.
E passada uma meia-hora, walkie talkies testados, começamos a subir devagarinho, devagarinho, como se fosse um sonho. E a paisagem em pleno voo era deslumbrante e comecei a relaxar.
 O cesto era pequeno e estávamos com a lotação esgotada, ora, eu que sou uma pessoa que precisa de um largo personal space comecei a encostar-me a uma esquina do cesto até que oiço "attention, attention!" e comecei a olhar para baixo para ver que raio me estavam eles a chamar a atenção. Até que levo uma safanada do senhor e um "arrete" que é para ver se abres as bistinhas que estava encostada aos tubos por onde circula o gás e não tardava nada íamos fazer bungee jumping em vez de balonismo. Nessa altura já tínhamos perdido altitude à custa de eu ser uma 'ssoa meigiinha e atenta e tudo e tudo e tudo e comecei a ver o filme de quase fazermos uma razia a um post de electricidade e comecei a pensar na minha rica filhinha que havia ficado em terra com o seu querido pai e a ver a minha vida toda a andar para trás.
Nessa altura devo ter ficado branca como farinha maizena pois o piloto começou a cantar em francês muito descontraído para me entreter e lá fez subir o balão. E a partir daí entreguei-me nas mãos de Dieu e deixei de intelectualizar. E foi bom, incrivelmente bom e libertador.
Durante duas horas sobrevoámos os céus do Alentejo e a paisagem é de cortar a respiração. De repente, acabaram-se os uh la lás, os arrete, os attention e curtimos um silêncio fabuloso enquanto voávamos.
A descida foi agitada. Tínhamos (tinha o piloto que eu cá não risco nada) que perceber bem onde deveríamos aterrar e a escolha estava difícil, ora porque havia vacas no pasto e ir-se-iam assustar com o barulho dos queimadores, ora porque porque estávamos longe das estradas e o resgate do balão seria difícil por parte do outro membro da equipa que tinha ficado no carro de apoio ora...
Aterrámos ao pôr do sol! E foi inesquecível!
Demoraram uma hora a resgatar-nos (acabámos por aterrar mesmo no meio de um descampado, longe do asfalto e de caminhos bons para a carrinha circular) mas nós esperámos com a classe com que só os franceses conseguem ter: num piquenique já em terra, à sombra do balão, entre queijo e copos de vinho, felizes e sem nos entendermos num código de língua comum mas partilhando sem espinhas a linguagem da felicidade!

Merci, mes copains! Merci!

3 comentários:

Joana Sousa disse...

Que delícia <3 o ser humano não precisa de falar a mesma língua para se entender. E isso é muito bonito! E aposto que a vista também :)

Jiji

A Limonada da Vida disse...

Um dia hei-de experimentar. Pode ser na Capadócia ou até mesmo nos céus alentejanos, mas hei-de experimentar!

louise disse...

Deve ser uma experiência de cortar a respiração (em duplo sentido)! As fotografias estão deslumbrante. =)

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