segunda-feira, 16 de novembro de 2015

We'll always have Paris



"Sabes Ana, Paris foi a primeira cidade fora de Portugal que conheceste.
Tinhas celebrado o teu primeiro aniversário dois dias antes quando chegámos à cidade luz. A tua pouca idade naquele Agosto de 2013 não te permitirá recordar que foi precisamente isso o que mais gostaste naquelas férias felizes de Verão: a luz.
Revisito, agora, as mais de 500 fotografias que tirámos em França para tentar sobrepôr essas imagens às de terror que as televisões passam. Não percebes (ainda) o cenário de carnificina, as pessoas que morreram por uma guerra que não é a delas, os pais que choram a morte dos filhos, o medo esquizofrénico que deverá ser não poder circular em paz nas ruas de uma cidade cujos valores proclamar igualdade, liberdade e fraternidade, os mesmos que estes homens maus desprezaram, arrastaram em poças de sangue e quiseram destruir.
Um dia, talvez aprendas numa aula de História, o que significou este dia, talvez à luz da distância do tempo te consigam explicar o seu verdadeiro significado. Espero nesse dia estar cá para te mostras estas fotografias, dois anos antes de 13 de Novembro de 2015, nós contigo ao colo, nós de baguete debaixo do braço a caminho da casa parque de Hollande onde fizemos um picnic a três, nós a passearmos nas margens do Sena, tu a olhares admirada para o brilho dourado dos cadeados naquela ponte, nós a passearmos de barco no Sena com a tia Xana, o tio Vitor, a Catarina, a Mariana e o Pedro, nós a comermos queijo e saucisson num telhado de Montmartre, tu a segurares a caixinha de música que o "Le vie en rose" que comprámos naquela lojinha ao lado do café da Amélie, nós a passearmos em Notre Dame com o tio Rúben, tu a aprenderes a andar à sombra da Torre Eiffel, a dançarmos à frente do Moulin Rouge, as tuas pequenas gargalhadas a ecoar pelas ruas bonitas, nós felizes, tão felizes, nas nossas primeiras férias a três e te dizer que não podia ser outro cenário senão aquele, que Paris é amor e risos, é liberdade e frescura. 
E que nunca, filha, te deves render ao medo, nunca deves travar os valores da liberdade e da igualdade, da diversidade e da fraternidade, nunca deves, mesmo num Mundo louco e pervertido, esquecer as memórias boas e os sentimentos do bem, nunca deves deixar de resistir. 
É o amor que nos salva, Ana. Imprimi uma fotografia dessas férias e coloquei-a numa moldura do teu quarto, nós os três livres e felizes. Nunca te esqueças que é o amor que nos salva. 
Gravada na moldura a frase "We'll always have Paris". E teremos: especialmente num futuro que será o teu. 
Acredito nisso com muita força. A força da liberdade e da resistência. A força do amor. 
Repete comigo: "We'll always have Paris".

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