domingo, 13 de dezembro de 2015

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Marta (3)

A Marta não é uma mulher do Norte. Aliás, a Marta é uma mulher do Norte com tudo aquilo que amo e admito nas mulheres do Norte mas uma espécie endémica que só se encontra no Porto com uma pronúncia própria e um jeito mais delicó-doce de dizer palavrões.
A Marta sou eu se tivesse nascido no Porto, crescido com aquele bafo húmido no ar, Douro no horizonte, outros lugares, outras circuntâncias. A Marta sou eu numa versão melhorada, uma espécie de versão 1000.0, tão parecida comigo nas coisas boas, tão melhor que eu nas outras todas. 
A Marta abraçou o Bairro do Amor e agarrou-lhe o leme, chamou marinheiros de água doce e mostrou que os rios, por vezes, podem correr mais depressa que os mares. A Marta amadrinhou e aperfilhou o Bairro do Amor, agarrou numa ideia e moldou-a a seu jeito, aos jeito das gentes que são as suas, da vizinhança que conhece tão bem e tornou-a uma realidade palpável, factos realizados, acções concretizadas, objectivos cumpridos. A Marta é uma fazedora e é isso que mais admiro nela, eu que sou apenas uma idealizadora, uma sonhadora, por isso, um dia quero ser como a Marta. 
A Marta ligou dias seguidos para orgãos municipais, ouviu nãos, ouviu telefones desligados na cara, pessoas que nunca lhe atendiam e lhe davam de volta desculpas esfarrapadas via secretárias, ouviu argumentos trôpegos e tentativas de dissuasão, tropeçou em todos os obstáculos e teria mil razões para desistir mas nunca, sequer, pensou nisso. A Marta recrutou para a ajudar o marido, as vizinhas e as empregadas do café do bairro, as pessoas que gostam dela, convidou as filhas pequenas para meterem mãos à obra e não se desfocalizou nunca com as pessoas que prometeram aparecer e nunca o fizeram, à sombra de desculpas e de imprevistos, de intenções e de falta de sentido de compromisso. A Marta não se importou com quem não estava em sintonia com o ritmo do trabalho, com as necessidades imediatas, com a premência de tarefas. A Marta concentrou-se num fim, numa meta e seguiu em frente, como um pescador que segue a luz de um farol e nunca a perde de vista. Alguns voltaram para trás, tiveram medo do nevoeiro, perderam a  energia de galgar as ondas agitadas mas a Marta, timoneira, deu a voz de comando para que todos remassem ao mesmo tempo, os que fizeram (e que bem aventurados sejam!) questão de levar o barco a bom porto quase todos - estou certa!- inspirados pela formiguinha trabalhadora, de mangas arregaçadas,  olhar curioso, coração D'ouro, mãos calejadas de também ela- principalmente ela- tanto remar. 
A Marta concretizou a primeira Children Street Store do Bairro do Amor e também por causa dela- especialmente por causa dela!-  o Natal chegou mais cedo a 120 crianças desta cidade Invicta e convicta que tem um lugar de destaque neste Bairro cheio, carregadinho, a transbordar de amor. 
A luz mantém-se lá. Estou certa que a Marta nunca a perderá de vista, faroleira de rio, coração de (a)mar. 

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