segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A Sandra do Clube VII

Dois anos depois e a Ana passou para a piscina dos crescidos. Bateu uma nostalgia da última vez que ela nadou na piscina dos pequeninos, onde aprendeu a esbracejar, a dispensar a chucha enquanto brincava na água, a chapinhar, a bater os pés, a mergulhar sem dedo no nariz. A Ana foi muito feliz na piscina dos pequeninos, ela e a sua professora Tânia, cúmplices semana após semana, uma das pessoas de quem a Ana sente saudades (e a educadora, com quem está todos os dias, ainda não alcançou tamanho feito).
Gostamos, todas as semanas mais, do Clube VII. Porque há um cuidado com os nosso filhos para além do mero ensino de uma modalidade desportiva: o porteiro esboça sempre um sorriso quando constata que todas as semanas deixamos o cartão de acesso em casa e já sabe o nome da Ana de cor, a Tânia recebe sempre a Ana na piscina como uma mãe que abre a porta de casa a um filho e quando acaba a aula e corremos para o balneário para dar banho à Ana lá está sempre a Sandra (e antes a D. Fernanda, de quem não nos chegámos a despedir e de quem guardamos a melhor das impressões e a mais profunda estima). 
A Sandra pertence à empresa de limpezas que dá apoio ao Clube VII mas isso não faz da Sandra a empregada de limpezas do Clube VII. A Sandra, todas as semanas, à mesma hora que nós saímos da aula, vai arrumar toalhas para o nosso balneário. E dá um beijo à Ana, e conta-lhe histórias e deita-lhe um olhinho se eu tenho que me afastar da banheira para ir buscar qualquer coisa e às vezes (não contem a ninguém!) seca o cabelo à Ana, não porque eu peça mas para me ajudar a despachar. 
A Sandra não é apenas uma das empregadas de limpeza do sítio onde a Ana pratica natação, tal como a Tânia não é apenas a professora. São as pessoas que fazem do lugar aquilo que ele é: um ponto de encontro de gente com boa onda, gente com alma e boa vontade, alegria e, especialmente, amor. 
Dá-se a situação que a Sandra vai deixar de trabalhar no Clube VII e eu vou deixar de ter, semana após semana, alguém à nossa espera com o pretexto de que o balneário precisa de uma "geral". A Ana vai deixar de ter quem lhe dê um beijinho repenicado e a ajude a tirar a touca, quem lhe ensine novas canções e a ajude a secar o cabelo. E eu vou deixar de ter em quem confiar para me deitar um olho à miúda se for preciso naqueles instantes, sempre em correria, sempre a despachar, entre a aula de natação e o tempo de chegar a casa e fazer o jantar a um dia de semana. 
Por isso, aqui vai um beijinho público de agradecimento à Sandra, por ela ter sido em dias de chuva e de preguiça o motivo que me fez não cancelar aulas, sabendo-a lá, às vezes a entrar um bocadinho mais cedo só para nos apanhar, mas sempre à nossa espera, semana após semana, com um sorriso sempre franco, sempre amigo, sempre verdadeiro.
Obrigada à Sandra por não se ter limitado, apenas, a cumprir a sua tarefa, a desempenhar a sua função, a fornecer-nos apenas um serviço: obrigada pela amizade discreta e pelo amor com que brindou, semana após semana, a minha filha. 
Sandrinha, já estamos com saudades.  Um beijinho meu e outro, lambuzado, da Ana.

(E, sim, o Clube VII tem a melhor equipa do Mundo para o ensino de natação aos mais pequenos. Conheçam-nos aqui.)

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