quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência




No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência vem-me à memória uma das lições mais poderosas que aprendi com uma mãe de um menino com Spina Bífida. 

 Depois de uma conversa aberta, de temas em cima da mesa como "necessidades educativas especiais", "contingente especial" e outros termos "especiais" ela olhou-me nos olhos, daquele jeito perscrutador que só ela sabe olhar, e disse-me com aquele sotaque com açúcar:

 "Sabe, Liliana, eu só quero que meu filho não seja especial. Que não cresça com o peso da especialidade, o estigma do (engrossando a voz) "eu sou especial", tenho que me portar exemplarmente "porque sou especial", "não posso fazer besteira porque sou especial", "tenho que corresponder às expectativas de todos porque sou especial". Eu só quero que o meu filho seja tratado de forma não especial, de forma corriqueira e banal. Esperando dele a normalidade de comportamento, atitudes e reacções que são expectáveis em todos os meninos da idade dele. O que quero mais na vida é que o meu filho não seja especial, que diga disparates, que voe na sua cadeira de rodas e possa experimentar a solidez do chão, que tenha bons resultados em algumas disciplinas e que não goste de outras, que tenha desgostos de amor, que seja pleno de direitos e deveres, quero tudo isso, só não quero nem vou deixar que ele cresça à sombra do desígnio de que "é especial", tenha necessidades "especiais", direitos "especiais" ou deveres "especiais". Quero que ele tenha uma vida justa, não especial". E eu, que lido com a deficiência há 35 anos, aprendi a maior lição de sempre. Que a pessoa com deficiência deve reclamar pela justiça e não pela especialidade."

E nunca mais irei esquecer esta mãe, essa sim, uma mãe especial. 

 Um beijinho querida, grande e enorme Jaqueline Genz de Carvalho!

2 comentários:

Cão de Loiça disse...

Concordo plenamente! Todos nós temos algo que não gostamos em nós, qualquer pessoa dita normal de um momento para o outro pode passar a ser deficiente, todos nós ao longo da vida vamos passar por limitações físicas.
Devemos lutar pela igualdade, inserção e por todos os direitos que se tem para aproveitar a Vida da melhor forma que conseguirmos.
Um Xi ❤️

Filomena Silva disse...

Assino por baixo. O meu filho é especial para mim porque é meu filho. Junto com os outros meninos, quero que seja mais um menino feliz, não é preciso ser especial.

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