terça-feira, 8 de dezembro de 2015

I went to a "Mercadito" and all I got was this lousy post

Já não ia a um Mercadito há muito tempo. Na verdade, quando a Ana era pequena dava-me imenso jeito encontrar no mesmo espaço collants Condor, amostras da Mytosil, camisolinhas e bodies de algodão e tudo e tudo. Em bom rigor, quando a Ana era pequena compravamos-lhe mais coisas porque crescia de mês para mês e num instante a roupa lhe deixava de servir. Para além de tudo isto, tenho que confessar que as minhas hormonas pós-parto eram bastante consumistas e desgraçavam-se com muita facilidade. 
Depois a Ana foi crescendo e os mercaditos deixaram de nos parecer tão apelativos. A minha mãe e a minha tia (mas especialmente a minha mãe) presenteiam a Ana dia sim, dia sim e vamos tendo outras prioridades onde investir o nosso dinheiro que não permitem grandes caprichos na hora de comprar roupa (um beijinho especial para o JI da Ana que me mete os pés assentes no chão a cada fim do mês privando-me a devaneios de consumismo). 
Mas hoje lá fui, na expectativa de encontrar uma farpela gira para a noite de Natal e até com alguma disponibilidade para deixar de lado a forretice dos últimos meses. 
O que encontrei?

  • Banca sim, banca sim roupa de criança absolutamente banal transformada com retalhos de tecidos trendy (a fazer de bolsos, de forros de carapuços, de folhos nas mangas) e com preços inflacionados a 200 por cento
  • Laços de cabelo iguais ao que se vendem no Chinês com aplicações de rendas nas pontas a 10€ cada um (está tudo doido?)
  • Meias, collants e botins normalíssimos com aplicações de laçarotes de fitas de cetim e pompons que assim supostamente podem justificar que se duplique o preço a que normalmente os encontramos nas prateleiras dos supermercados
  • Vendedoras/artesãs/empreendedoras com linguagem empreendedoró-marketing-angló-coisa tipo "este é um must have deste Inverno, não quer experimentar?" ou "Este casaco foi o number one de vendas de hoje, se fosse a si não hesitaria..." a acreditarem que é fácil que qualquer mãe comum se deslumbre com camisolas da Primark quitadas com fitas de gorgurão em folhos ou capas da H&M revisitadas com fitas de orlas de pompons, com etiquetas de origem retiradas cuidadosamente e substituídas por etiquetas das marcas das suas lojinhas online
Às tantas sou eu que tenho mesmo mau feitio mas eu juro que até gosto da ideia das feiras e mercados, dos artesãos locais e das mães empreendedoras mas- caramba!- reinventem-se com criatividade e bom senso, copiem do Pinterest mas em bom, aproveitem matéria prima de baixo custo mas de forma justa também para quem compra, valorizem as peças com ideias inovadoras, criem um diferencial para as vossas marcas, parem de clonar lojas online e, especialmente, deixem de passar atestados de idiotice aos potenciais clientes com preços que não acompanham os produtos que apresentam. 


Talvez seja a altura de se reinventar os mercados infantis. Digo eu que sou pelintra mas não burra. 

5 comentários:

Melancia disse...

Mau feitio até podes ter, mas neste caso tens é olhinhos na cara. Eu até fico nervosa quando ouço/leio palavras como jumpsuit, matchy matchy, must have. Umas wanna be, é o que te digo.

Gorduchita disse...

Quanto à parte de revisitarem peças da H&M ou Primark, não sei, não fui capaz de descortinar tal coisa.
Mas que concordo que é tudo um pouco caro demais, e muito igual, concordo.
Fico cansada de ver tapa fraldas em tons florais ou xadrez, mais os bodies e o "fofos" com golinhas também florais ou xadrez. Tenho dificuldade em imaginar a minha pequenina com aquelas roupas tão pouco práticas...
Mas se calhar sou eu, sei lá!

Sara disse...

Olá Ursa, bom dia. Adorei o seu texto. Tenho a mesma opinião, e resolvi por as mãos na massa, mas infelizmente desisti dos mercados e mercadinhos. Cheguei a conclusão o povo quer mesmo andar todo igual, e com camisolas Zara com fitas e outros complementos. Convido-a a conhecer o meu projecto, que faço com muito carinho, e com a vontade de ser algo diferente.
www.ohboy.pt

Purpurina disse...

Pois, nunca fui a um mercado desse género mas pelo que dizes isso parece-me um pouco "manhoso"...

Vidas da Nossa Vida disse...

A mim nunca me apanharam eu nenhum... Nem do primeiro nem no segundo filho nem na terceira... Além do que referiste, acho sempre que vão estar a rebentar de mães por todos os lados... E eu cada vez gosto mais de sossego!!

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