sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que em criança acreditavam que havia sopa* de tudo o que diziam as receitas e as outras. 


(uma colher de "sopa de farinha", duas colheres de "sopa de leite" e por aí fora...)

Quem tem as fichas de cozinha em falta?

"Despeço-me sempre do meu avô com um "até amanhã".

Despeço-me sempre do meu avô com um até amanhã.

Pelo seu avançar acelerado na idade (sim, eu sei, à mesma cadência com que eu avanço na minha), sinto os reflexos, as palavras, a articulação do seu ser a esgotarem-se. Ainda mantém a vivacidade, claro que sim: conduz, vai ali e acolá e mantém rotinas que não abdica - em especial, a compra do jornal, que folheia mais do que lê, mas que lhe é, essencialmente, uma companhia. Indispensável.

Despeço-me sempre do meu avô com um até amanhã.

No outro dia, a meio da preparação de um jantar – não referi ainda mas, uma das qualidades do meu avô, é saber cozinhar maravilhosamente bem – enquanto tentava equilibrar na sua mente onde é que o azeite estava guardado, para salpicar mais um pouco a carne que cozinhava no forno, atirou um:
- Ando a preparar uma coisa para ti… mas não está completo. – E continuou – Faltam algumas folhas, fala com os teus amigos que eles podem ter repetidos.

Pensei em cromos, pensei em livros, pensei em muita coisa. Coisas assim, no geral, que os meus amigos comprassem e tivessem adquirido em duplicado.

Ele tirou o avental, saiu da cozinha com o seu andar compassado e eu fiquei à espera.

Voltou com um monte de “fichas de cozinha”, onde em cada uma delas configurava uma receita. Vim a descobrir depois: foram compradas juntamente com o jornal que ele, religiosamente, segue.

Voltou a reforçar:
– Filha, faltam duas ou três receitas, das semanas que estive de férias. Fala com algum amigo. Pode ser que tenham repetido - para que consigas completar a tua colecção. – Amontou-as direitinhas, enquanto voltava a vestir o avental e entregou-mas.

Agradeci-lhe. E sorri para não chorar.

Despeço-me sempre do meu avô com um até amanha. E, dado que não falamos todos os dias (embora falemos com muita regularidade), o até amanhã afunda-se muitas vezes, invariavelmente, nas profundezas da não concretização.

Não sei se já disse, mas o meu avô adora cozinhar, adora um bom assado, uma boa carne e de passear o jornal, enquanto adormece sobre as suas páginas abertas. Não sei se já disse mas a minha colecção, cuidadosamente feita pelo meu avô para mim, não está completa.

Se alguém a tiver feito, por favor apite, que prometo trocar a volta ao hábito e aplicar um até logo ao invés do já habitual até amanhã."

Catarina Duarte no seu "(in)sensatez"


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Hoje foi um dia incrivelmente bom!

Durante três dias uma equipa de voluntários do Bairro do Amor dedicou-se a um projecto de pintura da sala de espera da Polícia Judiciaria destinada a crianças vítimas de pedofilia num projecto conjunto de humanização de espaços levado a cabo por voluntários do Bairro do Amor em parceria com a equipa técnica do sector lúdico do IAC (Instituto de Apoio à Criança). 

É nesta sala que as crianças conhecem o investigador que as irá acompanhar ao longo do processo e com quem se pretende que criem uma relação de confiança. É aqui que as crianças, começam a ser avaliadas, através da forma como se comportam, brincam, se expressam e interagem com o investigador, com os brinquedos que têm à sua disposição, ou com a parede de ardósia que também foi pintada numa das paredes.

Porque vítimas de crimes de sexuais existem em todas as idades, esta sala é também usada por adolescentes, pelo que, o desafio era que o Bairro do Amor criasse um ambiente heterogéneo e do agrado de todos. 

Depois de estudos sobre o efeito das cores na psicologia infantil, contactos com os psicológicos forenses, a nossa ilustradora voluntária Marta Tex desenhou uma ilustração que passa, agora, a decorar todas as paredes desta sala. A cor base da sala é o verde água, pois esta é uma cor calma, tranquilizadora. Deste espaço, outrora cor de laranja e verde fluorescentes, emergem agora árvores, folhas, animais da floresta, estrelas, flores e uma lua cheia de esperança em dias que se deseja que passem a ser carregadinhos de sol.

 O Bairro do Amor custeou todo o material necessário para esta intervenção bem como foi o responsável pela mobilização de voluntários. A articulação com o sector lúdico do IAC foi preciosíssima, reforçando a ideia que a troca de sinergias entre instituições é um modelo de sucesso!

Hoje foi o dia de darmos por finalizado o projecto com a finalização da decoração possibilitada por sócios do Bairro do Amor quer através do pagamento das suas quotas, quer através de donativos específicos para este efeito ou mesmo através da doação de mobiliário e peças de decoração que compuseram a sala. E como ficou composta!

Sentimo-nos no "Querido mudei a casa" mas sem marcas, sem decoradores e sem Gustavo Santos. Só com pessoas de coracão gigante a mostrarem que quando se juntam a desejar, a agir e a querer, quando se unem esforços, tudo se concretiza! 

O Bairro do Amor agradece aos vizinhos voluntários e talentosíssimos pintores de paredes Maria Esteves Pereira, Marta Rosa, Ana Lourenço, Vera Abecassis, Maria João Nogueira, Teresa Alves, Isabel Ésse, Teresa Martins, Diogo Santos, Rita Mendes, Filomena Evangelista, Leonor Noronha, Alexandra Mithá Ferreira, Catarina Mithá Benguela, Patrícia Albuquerque e Marta Guerra!

O beijinho estende-se à madrinha de Lisboa do Bairro Raquel Lourenço, à Leonela Santos, Márcia Machado, Sara Marchante Delgado, Neuza Martins, Teresa Mendes e à Mónica Carvalho (obrigada pelo pronto contributo, mil obrigadas, o grosso do que ali está existe graças a Vós!), à Joana Saraiva que doou o cadeirão maravilhoso, à Alice Vieira que ofereceu o urso Jotinha (que fez o maior sucesso!), à Bárbara Lourenço que ofereceu o pc, à Patrícia Nunes que doou o pouf e à Teresa Mendes que doou o varão e costurou os cortinados que serão colocados ainda esta semana. Um abraço ao Rui que embarca nisto tudo connosco, conduzindo carrinhas, montando móveis e sofás complicados e serenando ansiedades.

 O beijinho mais especial vai para à nossa artista residente Marta Tex! E um abraço cúmplice à Dra. Isabel Apolónia e restantes os colegas inspectores que tão bem nos souberam receber e incentivar ao longo de todo o projecto.

 Um bem-haja a todos!




Saiba mais acerca do Bairro do Amor em http://www.bairrodoamor.com/
Visite o facebook da Associação aqui.
Torne-se sócio ou voluntário aqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O etnocentrismo face às relações homossexuais numa só imagem


Marcelo, ó Marcelito: cada dia tu estás a fazer mais bonito

Marcelo. Professor. Comentador. Presidente da República. Desprezador de sinais sonoros que avisam para colocar cinto de segurança. Fittipaldi da A5.  Estacionador em lugares reservados a pessoas com deficiência. Artista da cassete pirata. 

Tudo num só vídeo (é um link, sim: enjoiem!)

Até tu, Brutus?

Todos na mesa a jantar
.
Mámen com ar de gozo mas a mastigar, em silêncio.

Ana a atacar o rolo de carne mas a não tocar no arroz, solta um:

"Mãe, podes antes dar-me um bocadinho de massa?"


...

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...


À beira do divórcio. Culpem o arroz.

Ana senta-se à mesa e (espertalhona!) percebe que há celeuma por casa do arroz: "Isto é arroz com quê, mãe?"

Bufo e respondo: "Arroz árabe à moda da mãe"

Viro as costas para ir buscar uma travessa à cozinha e ouço o pai: "É arroz taliban, filha!"

...

...

...

O meu marido intelectualiza mais que o teu

Levo para a mesa o arroz.
Ele pergunta (cauteloso): "Isto é o quê?"
Respondo com um tom muito seguro e confiante: "Arroz árabe à minha maneira"
Ele sorri com ar de gozo enquanto contempla o prato.
Continuo: "Arroz com todos. Arroz desconstruído. Arroz inovador. Arroz bué-bom-come-e-cala".
Ele sorri novamente e diz em tom trocista: "Ok, Tudo o que quiseres mas não lhe chames arroz árabe!"
"Porquê?"- respondo com ar muito ofendida.
"Porque os árabes não comem carne de porco e isto está cheinho de bacon. Que tal, parece-te uma boa razão?"

...

...

...



Estúpido.

Deveria haver um blog temático só sobre desastres culinários (numa de ninguém repetir fails que não resultam nem à lei da bala)

Conheço uma amiga que ontem para jantar decidiu fazer arroz árabe.  
Foi ao blog da Joana (onde vai sempre como se de uma bíblia culinária se tratasse) e leu a receita
Não tinha arroz basmati nem vaporizado. Mas tinha arroz carolino. 
Não gosta de caril. 
Não tinha amêndoas laminadas na despensa mas tinha cogumelos no frigorífico. 
Também já lhe tinham acabado as passas no reveillon mas substituiu-as por tâmaras.
Olhou para o frigorífico e viu que os pedacinhos de bacon estavam quase a passar da validade e não gosta de desperdiçar comida. 

Só para o caso de haver dúvidas: não resultou. 


Nothing in all the world is more dangerous than sincere ignorance and conscientious stupidity (Martin Luther King)

Roubado na íntegra ao meu amigo Francisco Machado, que por sua vez citou Sofia Mendes, informação muito importante para sossegar os mais inquietos, que acham que as crianças, coitadinhas, vão sofrer e ser prejudicadas por serem filhas de casais lésbicos ou homossexuais.

Dados científicos comprovam que isso NÃO é verdade. Onde?

Aqui.

As principais conclusões do Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais (cujo documento na íntegra pode ser lido aqui) são:

"
Os principais argumentos contra a homoparentalidade (e a co-adopção por casais do mesmo sexo) centram-se no efeito adverso que se presume que esta configuração familiar tenha na criança. 

Contudo, ao longo das duas últimas décadas, a maior parte das investigações (de carácter qualitativo e quantitativo, de tipo transversal ou longitudinal, recorrendo a diferentes amostras) e das revisões de literatura sobre a saúde psicológica e o bem-estar das crianças com pais do mesmo sexo convergem nos seus resultados: as semelhanças entre as famílias homoparentais e heteroparentais são bastante superiores às diferenças que possam existir entre elas.

 É consensual que não existem diferenças entre as crianças provenientes de famílias homoparentais e as crianças provenientes de famílias heteroparentais no que diz respeito a aspectos desenvolvimentais, cognitivos, emocionais, sociais e educacionais. 

Também os estudos dedicados às competências parentais, à saúde mental, à capacidade para estabelecer laços de vinculação e ao ajustamento relacional entre casais homossexuais apontam, na generalidade, para a não existência de diferenças significativas em comparação com pais e mães heterossexuais. 

Embora os resultados consistentes que apontam na direcção da não existência de diferenças tenham sido postos em causa por alguns autores (e.g. Stacey & Biblarz, 2001), nomeadamente no que diz respeito à orientação sexual de crianças educadas por pais homossexuais, os estudos empíricos revistos indicam que as crianças de famílias homoparentais não têm maior probabilidade de serem homossexuais do que as crianças de famílias heteroparentais. No que diz respeito à discriminação das crianças de famílias homoparentais – que poderia conduzir a problemas com os pares – as evidências são mistas, mas a maior parte dos estudos não encontra problemas. 

Deste modo, parecer haver convergência na comunidade científica sobre o facto da configuração familiar (seja ela homoparental ou heteroparental) não ser um aspecto determinante para o desenvolvimento das crianças, mas sim a dinâmica relacional familiar. O fundamental é que o contexto familiar ofereça afecto e comunicação, seja sensível às necessidades da criança, viva de modo estável e impondo normas adequadas, no seio de relações harmoniosas. Se estas funções parentais forem cumpridas, a orientação sexual dos pais, em si mesma, não parece ser a variável mais relevante quando se tem de determinar o modo de construção do desenvolvimento psicológico das crianças. 

Em resumo, as evidências científicas apontam nas seguintes direcções: 


  •  Não existe base científica para afirmar que os homossexuais femininos e masculinos não são capazes de criar e educar crianças saudáveis e bem-ajustadas; 
  •  Não existe fundamentação científica para concluir que os pais homossexuais ou as mães homossexuais não serão bons pais/mães apenas com base na sua orientação sexual;  
  • Mulheres homossexuais e heterossexuais partilham abordagens semelhantes na educação de uma criança; os pais homossexuais não são diferentes dos pais heterossexuais no que diz respeito à sua capacidade parental e de promover um desenvolvimento saudável de uma criança. 
As evidências científicas sugerem então que decisões importantes sobre a vida de crianças e adolescentes (como a determinação da co-adopção) sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais, mas na qualidade das suas relações com os pais. 


Conclui-se que os resultados das investigações psicológicas apoiam a possibilidade de coadopção por parte de casais homossexuais, uma vez que não encontram diferenças relativamente ao impacto da orientação sexual no desenvolvimento da criança e nas competências parentais."

Ana a dar os primeiros passos na religião

O pai vai deitar a Ana e continua na sua tarefa de lhe ensinar uma oração antes de dormir.  
Vai dando o mote e a Ana vai completando a oração.
Terminam o avé maria e começam a benzer-se:

Pai: "Em nome..."
Ana: "Da lei!"

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Manifesto Anti-Cavaco

         

"O Professor Aníbal Cavaco Silva nasceu para provar que nem todos os que governam, sabem governar!" 
"Uma geração que consente deixar-se representar por um Professor Aníbal Cavaco Silva é uma geração que nunca o foi. É um coio d´indigentes, d´indignos e de cegos! É uma resma de charlatães alaranjados e de vendidos, e só pode votar e parir abaixo de zero!"

"Abaixo a geração laranja! 
Pôrra pró Cavaco, pôrra! Pim! "

"Uma geração com um Cavaco Silva a cavalo, é um burro algarvio incompetente!" 

" O Anibal Silva saberá gramática, saberá sintaxe, saberá vender gasolina, saberá inglês, saberá tudo, menos dirigir económica e politicamente o País, que é a única coisa que ele quer fazer e nunca o fez bem, nem soube fazer! "

"O Cavaco pesca tanto de Economia, que até faz quadras à António Aleixo, com as ligas da sua Maria Cavaca! "

"Não é preciso ir para a Fonte Luminosa vestido de laranja, para se ser uma laranjada! Não é preciso saber contar pelos dedos, para se ser Professor de Economia, basta fazer contas pelos dedos como o Silva! Basta não ter escrúpulos, nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas europeias, com as políticas comunitárias e com as opiniões de Bruxelas! Basta usar o tal sorrizinho com escuma ao canto dos lábios, basta ser muito penteadinho por um barbeiro de bairro, usar figos algarvios e cócos marroquinos e olhos de Sá-Carneiro mal morto em Camarate!"

" Basta ser Judas!  Pôrra pró Cavaco! Pôrra! Pim!"

" O Professor Aníbal Cavaco Silva nasceu para provar, que nem todos os que governam sabem governar." 

" O Cavaco nu é horroroso! O Cavaco escuma dos cantos da boca! Pôrra pró Cavaco, Pôrra! Pim! O Nogueira é o escárnio da consciência! Se o Cavaco Silva é Europeu eu quero ser Australiano! "

" E ainda há quem não core quando diz que apoia o Cavaco! E ainda há quem lhe estenda a mão! E quem lhe lave a roupa, manchada de sumo de laranja, que custa imenso a sair! E quem tenha dó da gasolineira dos Cavacos!"

"Pôrra pró Cavaco, pôrra! Pim! Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação de País mais atrasado da Europa e de todo o Mundo! O País que tão pouco tem ajudado os irmãos Africanos e Timorenses! O exílio dos desiludidos, dos abstencionistas e dos desacreditados e indiferentes dos políticos! A África reclusa dos europeus! O entulho de lixos tóxicos europeus, da poluição e da entrada de droga internacional! O Paraíso dos ricos que não pagam impostos, nem pagam a Crise e a Fome!"

"Pôrra pró Cavaco, (e seus camaradas de várias cumplicidades, cores, silêncios e futuros compromissos), Pôrra! Pim!"

Mini-saia, Bairro do Amor e ASBIHP

"Ah e tal a Mónica não pode ter pintado de casaco de cabedal vestido!" Pois não, pintou só um bocadinho. Mas é porque está a amamentar. Porque, avaliando pelo frio que está dentro da Associação, até podia pintar vestida de édredon... 

Leio o blog da Mónica desde o tempo em que ela assinava como "A Lice" e o Mini-Saia era um estreante nisto dos blogs.

Entretanto fomos acompanhando as lides blogosféricas uma da outra. Vi o Mini-saia crescer e tornar-se no sucesso inquestionável que é hoje e o sucesso da Mónica é, provavelmente, o mais merecido da blogosfera: porque a Mónica trabalha de forma séria, responsável, dedicada, preparada e muito profissional.

Não me lembro quando conheci pessoalmente a Mónica. Talvez na festa de primeiro aniversário da Ana, um calor impossível naquele dia 9 de Agosto e ali estava ela, discreta e low profile como sempre, a vir dar-me um beijinho, sem necessidade nenhuma dali acorrer, nem filhos tinha e toda a gente sabe que festas infantis são uma seca para quem não tem filhos. Mas não, a Mónica veio e a presença dela aconchegou-me como sempre me aconchega de cada vez que a chamo e ela, sem piscar os olhos, acorre para fazer acontecer.

No "Lenços de Solidariedade" a Mónica esteve todo o dia no batente connosco, sempre discreta, sempre contida, como é apanágio da Mónica mas o sucesso do evento deveu-se em grande parte à sua credibilidade junto das marcas, à sua rede de contactos que confia tanto nela que nunca lhe falha e à sua atitude sempre cool.

Gosto mesmo da Mónica, já disse?

Quando ouviu a história da Mariana, a Mónica fez questão de enviar por mim uma encomenda porque a Mariana era mais que a sua cadeira, era uma miúda de 20 anos. E fê-lo sem que a tivesse cravado, sem que, na altura, me tivesse preocupado mais do que entregar a cadeira. Fê-lo porque é atenta e sensível, genuinamente boa pessoa.

Tenho na Mónica alguém com quem posso sempre contar: no backstage, na sombra, na maior das descrições. E, ainda assim, a Mónica é uma das blogger mais bem sucedidas em Portugal mas não tem manias, peneirices nem pruridos.

E a propósito da comemoração dos 10 anos do Mini-Saia, a Mónica podia ter feito 10 giveaways, oferecido 10 cabazes de produtos de beleza, organizado 10 mega eventos de moda, oferecido 10 consultas de personal style, corrido 10 mil quilómetros, bebido 10 mil sumos detox até ficar verde. Podia ter feito o que lhe desse na telha, que a vida e o blog são delas e o número de seguidores da Mónica nem precisa que a Mónica assinale estes dez anos de blog para continuar a lê-la diariamente, como faz há dez anos.

Ontem a Mónica juntou-se aos voluntários do Bairro do Amor e às Tintas Barbot para fazer acontecer. Todos juntos começaram a pintar a sede da ASBIHP- Associação de Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal, ali na zona J em Chelas.

À ASBIHP (com a qual eu colaboro) falta tudo: roubaram a placa com o nome da sede para usarem numa grelha de churrasco ali ao lado, as janelas não estão calafetadas e faz tanto frio lá dentro que nem vos passa pela cabeça, a GEBALIS está há 3 meses para intervir no wc e escorre água numa das paredes, a carrinha da instituição é tão velha que o tablier está preso por fita isoladora e há cogumelos que nascem no chão da carrinha (é real!).

A ASBIHP é um lugar meio triste para se trabalhar e para se estar, restando-nos o bom humor de quem ali recorre, a energia que se assiste quando ali são dinamizados workshops, o espírito cool quando trabalhamos na SEITA e o sorriso do Filipe, administrativo mais fixe do Mundo, quando nos recebe.

Não conseguimos (ainda) transformar a ASBIHP no que desejamos. Mas podemos ir fazendo, devagarinha, pequenas acções que tornem a vida de quem trabalha e usufrui da ASBIHP menos "deprimente". Foi este o mote para que a Mónica desafiasse as tintas Barbot  para dar cor à sede da ASBIHP.

Quando bloggers usam a sua visibilidade para causas sociais, trazendo marcas (a que dificilmente as instituições teriam acesso por outras vias)  como as Tintas Barbot a apoiarem instituições de solidariedade social, quando usam a sua visibilidade para combaterem a invisibilidade de algumas instituições, quando a sociedade civil se junta voluntariamente, quando todos sonham, desejam e concretizam... a magia acontece!

Obrigada Mónica pelo impulso e por decidires sair da sombra. Se nada fizesses, serias insensível. Se fizeres, também serás criticada, estamos ambas cientes. Para as instituições que todos os dias se debatem com inúmeros problemas e que precisam de ajuda, é importante que corras esse risco. Não por ti, cujo blog não precisa de promoção por via da solidariedade, mas para que as coisas, de facto, aconteçam. Sei que, assim, inspirarás outros a agirem, a meterem mãos à obra, a concretizarem. És a maior!

Obrigada aos voluntários Ana, Nuno, Rui, Marta, Nonô, Patrícia Nunes e Patrícia Albuquerque pelas mãos.

(Em breve fotografias do resultado final)

Inconsciente com i-software

Sabes que tens um inconsciente do catano quando sonhas que estás a fazer um exame de Direito, o Marcelo Rebelo de Sousa é teu professor e já o tratas por "Senhor Presidente".

Sonhos actualizados é outra loiça, pá!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Acabei de chegar ao Porto e tirei uma selfie

Eu. 

Dramas capilares: terceiro acto

Fui ao cabeleireiro anteontem à noite e saí de lá como se pertencesse aos Duran Duran.
Ontem acordei tipo Cassandra do "Sai de Baixo".
Graças a Deus que hoje está melhor.:


Assinado: Hermione de Alcabideche



So far, so good

Report biagem ao Porto: um avião perdido, uma unha lascada, meia com malha, ida ao wc da gare para vestir as calcas que levava para a conferência de amanha, óculos esquecidos e não recuperados no wc da gare, um ex namorado avistado mas já dentro do comboio. 

Nada mal, tratando-se de quem sou. 

Para aí uns 89. Sou uma alma velha

"Quantos anos teríeis se não soubésseis a vossa idade?"

As minhas10 coisas preferidas no Porto

Éclairs da Leitaria da Quinta do Paço.
Vitor Baía.
Capela do Senhor da Pedra.
Vitor Baía.
Broa de Avintes.
Vitor Baía.
A pinta e os sapatos dos homens mais bonitos do país.
Vitor Baía.
Mercado da Lionesa.
Vitor Baía.


Já disse Vitor Baía?

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Debate presidenciais 2016: breve resumo e considerações finais

Aquilo não foi  um debate: foi um focus group eleitoral!

 Tino de Rãs bate no peito. Apresentador avisa-o que assim dá cabo do microfone. Adoro a política do meu país!

"Quem é aquele candidato?"- pergunta ele. "É o Pedro Paixão"- responde ela, convicta.

"A Máriça é parecida com a Cárminho" - diz a senhora do café.

"A Máriça tem uma voz parecida com alguém que eu conheço- Ah, já sei: é com a da senhora que anuncia as próximas estações no metro"- continua a senhora do café.

Quadripolaridades a facilitar terapia de casal desde 2016

Eu perguntei se havia mais pais a quem os filhos embaraçavam no hospital mostrando-se sãos como um pero após queixas e choros em casa. 
E apareceu o melhor casal quadripolar de sempre a fazer catarse:



Digam-me, POR FAVOR, que isto não é só a mim que me acontece

Miúda queixosa e muito chorosa, num pranto lá em casa.
Viemos ao médico e, ainda na sala de espera, toda fofa e fresca como se não fosse nada com ela.

...

...

...

Isto pode ser considerado piropo?

Saio de casa e estou a usar um vestido. A Ana ainda está a dormir , vou dar-lhe um beijo, abre um olho, mira-me e exclama:

"Mãe, esse vestido é muito... hum... animado!"


(Aguenta-se?)

Acordei e o meu cabelo está muito melhor

Dos Duran Duran passei à Cassandra do "Sai de baixo".

                         

...

...

...

Tal e qual

"O estado a que chegámos

Falta uma semana, e não faço ideia em quem votar.

Izzie no seu "Carências Efectivas"

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Todos juntos: "But I won't cry for yesterdayyyyyy!"

Fui ao cabeleireiro. Pedi um brushing mas com volume.


Gente que nasceu pós anos 90: googlem Duran Duran.












Fuck!

Afinal mudei de ideias

... a minha personal assistant Bé sabe sempre o que é melhor para mim.

(foto do fato)

Adivinhem! Adivinhem!

Ele: Tu leste o que eu li? Nós também temos que ir mascarados para a festa de Carnaval dela?

Eu (em êxtase): JURA?

(sorriso gigante no meu rosto)

Ele: É que NEM penses!



A caminho do Porto

"Olá! Vê se trazes roupa quente. Está um frio do caneco aqui em cima. Depois avisa-me a hora de chegada para te ir apanhar..". Sms enviada pela minha amiga do Porto.




Morcões: vou a caminho!


"Oi? Peço desculpa? É comigo? Mas, mas... ainda agora foi Natal!"

Acabei de receber email acerca das comemorações de Carnaval. 







(Ainda não recuperei disto. Passem-me um x-acto.)

Síndrome de Estocolmo

Quando estou distraída cantarolo, alegremente, a "Let it go".

Dúvida inter-geracional

Os D.A.M.A. estão para os anos 10 como os Excesso estavam para os anos 90, é isso?


(Dúvida não inter-gerancional: diz-se "anos 10?")




Eu não sei o que me aconteceu...



- pensei no supermercado, quando aquele rapaz loiro de olhos azuis me perguntou "arroz carolino ou agulha?". 
Ali estava eu, 35 anos, adulta. Não sei como passou tudo tão rápido, como carga de água o tempo me engoliu e me tornei nesta pessoa de 35 anos, casada, com uma aliança no dedo em vez do anel do humor cuja pedra mudava de cor conforme o meu temperamento e fio de prata com medalhinha à mummy em vez do colar de couro com a medalha que comprei em Sevilha com o João, aquela medalhinha creepy com o olho de holograma a aparecer conforme o ângulo através do qual o olhávamos. Eu a escolher se o arroz que levava nas compras era agulha ou carolino (who cares?) ao invés de escolher se agora ouvia agora a cassete dos Pearl Jam ou dos Nirvana. 
Às vezes dou por mim, estupefacta, a constatar no que me tornei. Acontece-me normalmente, de manhã, enquanto me olho ao espelho na casa de banho e me resigno com mais um cabelo branco no cocuruto (porque raios os cabelos brancos aparecem à frente e são mais espetados e fortes?) ou quando recebo emails do Jardim de Infância dela dirigidos "aos encarregados de educação". O que vale é que, na maioria das vezes, em que começo a constatar isto (e a deprimir), a miúda loira interrompe-me os pensamentos, com ranho para eu assoar ou um gancho no cabelo para arranjar e acabam-se as questões metafísicas. Toda a gente sabe que nada na vida é mais prioritário que limpar a ranhoca aos filhos, sob pena das camisolas acabarem todas com nódoas nas mangas que não há detergente que as salve.
Diz que sou eu: adulta, 35 anos, a ficar grisalha (doem-me os dedos só de escrever isto), encarregada de educação de uma criatura de 3 anos, cujo ranho lhe limpo de bom grado, ganchos lhe ajeito como quem nunca fez outra coisa na vida senão cuidar de penteados infantis e com capacidade de decisão para escolher se o arroz que se leva para a despensa é agulha ou carolino. 
Talvez seja só eu, que ando numa crise existencial, em negação de como o tempo me engoliu e de repente me confronto com o facto de já não ser mesmo uma miúda, ser adulta (oh céus!), mulher, mãe sem me lembrar da coisa ter sido gradual e reflectida. Talvez, no fundo, quisesse mesmo acreditar naquilo que dizem as revistas e as frases inspiradoras, de que os 30 são os novos 20 (não são!) e de como as mulheres ficam mais sábias e apuradas com o passar dos anos (ahahahah!). Só que não. 
Ali estava eu, a decidir entre o agulha e o carolino ("leva os dois!"), a sacar da carteira de "senhora" com fotografia de passe da miúda lá dentro (sim, sou mesmo uma mãe!), a pagar com cartão multibanco com o meu nome lá escrito, a dar de caras com a requisição da mamografia ("Ah, a Liliana tem mesmo que a fazer! Aos 35 anos tem que se começar a fazer este tipo de controlo..."- dissera-me a médica na véspera).  
Às vezes (muitas) queria voltar a poder usar o anel com a pedra do humor, o colar creepy do olho, a carteira com abertura de velcro e a achar que as mulheres de 35 anos eram velhas, "senhoras", vá. 
Entretanto, continuo em negação a pensar que para o jantar de hoje uso o agulha para fazer arroz de marisco e o carolino para a sobremesa de arroz-doce. Ainda bem que trouxe os dois.
Oh diabo, no que me tornei.


domingo, 17 de janeiro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas para quem o jantar de domingo é reston* e as outras.


(reston = restos de ontem)

Incentivo para vir escrever ao blog

A Ana já dorme.
A Ana escondeu algures o comando e não o encontramos.


Deixámos a televisão sintonizada na RTP 1. 

Estivemos a ouvir meia hora do concerto do Micael Carreira enquanto fazíamos telecomando geocaching. 

...

...

...


(sorriso grande): OLÁ INTERNET!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Furacão Alex

Eu: "Se calhar é melhor ligares aos teus pais só por causa das coisas, pá"

Mámen: "Estás preocupada com os meus pais?"

Eu: "Epá, é um furacão. Por acaso até estou."

Mámen (em tom trocista): "Mas preocupada com medo que a casa vá pelos ares ou preocupada com medo que o vento os traga até ao continente e amanhã toquem à campaínha tipo Mary Poppins?

...

...

...


13-01-1999



Nem sonhas, Liliana, mas essa não vai ser uma curte. Não fiques despeitada com os colegas e amigos que dizem que não vai durar porque vocês são tão diferentes, com a cigana que vai ler na tua palma da mão que nunca se chegarão a casar, com a família que vai ter receio que acabe depois de revelados problemas de saúde, do fim da universidade, de quando chegarem as contrariedades ou quando o dinheiro da bolsa de estudo acabar e o regresso dele seja a única solução. Não tenhas medo de te entregar que vai valer a pena. Olha-o no mais profundo azul dos olhos e mergulha aí para sempre: a pele vai ganhando rugas, o cabelo loiro enchendo-se da cinza do tempo, o corpo engordando e emagrecendo, a expressão ficando menos pueril e cansada mas esse azul permanecerá. 
Os braços que hoje te abraçam pela primeira vez abraçar-te-ão vezes sem conta, segurarão no teu avô ao colo para o ajudar a passar da cadeira de rodas para a cama vezes sem fim, apoiar-te-ão das duas vezes que os enterrares, primeiro a ele, depois a ela, farão um colo que servirá de caverna escura para enterrares a tua cabeça e a tua dor e chorares lágrimas ininterruptas, ampar-te-ão de todas as vezes em que o teu corpo fraquejar com dores e medos e nunca, mas nunca te deixarão cair. Esses braços são os mesmos que te acolherão num aeroporto dos Açores quando quiseres recuperar o que é teu e entrelaçar-se-ão nos teus no esperado e definitivo regresso a casa. 
As mãos que hoje te desenham em jeito de caricatura, Liliana, serão as mesmas que te limparão lágrimas, te passarão água fresca nos olhos e na face e te ajudarão a reerguer, são as mesmas que embalarão pela primeira vez a tua filha, daqui a 13 anos e  saberão consolar birras, prender rabos de cavalo em elásticos, desenhar rabiscos nas toalhas de papel dos restaurantes para a entreter e fazer festinhas e cafuné para sempre. 
Os lábios que hoje tocam nos teus pela primeira vez beijar-te-ão o cabelo perante cada momento de dor, o pescoço em cada guerra de cócegas e brincadeiras sem fim, a fronte tua e depois da tua filha para medir a temperatura, beijar-te-ão as mãos no dia em que se ajoelhar numa praia para te pedir em casamento e o dedo anelar hospedeiro da aliança no dia em que prometer que será para sempre e beijar-te-ão, enfim, os lábios em cada despedida e reencontro, antes da separação selando um adeus que nunca o chegará a ser e na reconciliação que vos tornará mais fortes e invencíveis: o "para sempre" um do outro. Este beijo que hoje provas será teu para sempre, por todos os motivos e sem motivo nenhum. 
E quando tudo falhar, Liliana com 18 anos, quando houver incertezas e dúvidas, crises e desgostos, raiva e lágrimas, dor e revolta, vozes a gritar e zangas, luto e desesperança, quando os braços e os abraços, as mãos e o toque, os lábios e os beijos não forem suficientes mergulha no azul dos seus olhos, o mesmo azul que a tua filha herdará, e lava a alma e as certezas, refresca o coração e o amor e reabastece-te da certeza, da segurança, do conforto de que "é para sempre". 
Porque o será. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

E a cabra da Electra que nunca mais vai embora

Ana agarra na sua boneca e dirige-se ao pai:  "Vamos brincar: queres ser o pai da minha Carolina?"

O pai concorda e eu sugiro-lhe de imediato: "Boa, e eu sou a mãe!"

Responde-me muito ofendida:"Hey, a mãe sou eu! Tu és a avó, percebes?!"

Coisas bonitas

              

Mámen lê aquele artigo dos nomes de bebés mais usados em 2015 e exclama: "fraquinhos!"

Maria da Apresentação. Noélia. Eleutério. Dénia. Maria do Natal. Mozart. Maria do Livramento. Dânia. Elisela. Nazária. Beliza. Nazária. Lubélia. 


Tudo nomes de primos açorianos. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

"Quando a gente ama é claro que a gente cuida"

Já aqui falei muitas vezes sobre a Rita e o Luis. A Ana adora-os a ambos tendo uma especial predilecção pelo Luis, com quem comunica de uma forma muito engraçada pois fala com ele mas não consegue decifrar o que o Luis diz, com visível dificuldade (eu própria precisei de muitos anos de treino para o conseguir fazer e, em muitas ocasiões, tenho que socorrer da Rita para me ajudar).
No outro dia estávamos a jantar em casa deles e a Ana adormeceu. A Rita logo me sugeriu que deitasse a Ana ali no sofá e a tapasse com um cobertor, o que acedi de imediato. 
Entretanto, a Rita foi para a cozinha, deixando-nos os três na sala mas, às páginas tantas chamou-me para lhe dar uma ajuda. 
Naquele instante, perguntei ao Luis, esquecendo-me das suas limitações motoras (o Luis tem muitos espasticidade e tem que estar sentado na cadeira de rodas com os braços presos e com uma espécie de colete que o segura à cadeira e o mantém direito) se não se importava de deitar um olhinho à Ana. O Luis assentiu, pedindo-me apenas que encostasse a cadeira de rodas ao sofá onde a Ana estava deitada, de forma a formar uma barreira e impedir que a Ana caisse. Assim fiz. 
Deixei-os a ambos na sala e fui ter com a Rita à cozinha. 
Passados uns instantes voltei à sala para verificar se estava tudo bem: a Ana estava com um sono agitado e a mexer-se muito, o Luis fazia estalinhos com a língua para a confortar e a Ana, de repente, sentindo-se acompanhada sossegou de imediato.
Voltei à cozinha para apanhar o meu telemóvel e tirar esta fotografia, visivelmente comovida. 



Quando me viu a registar o momento, de lágrimas de olhos, o Luis sorriu. Assim. Entre o gozo de me ter flagrado comovida e o embaraço de quem cuida com os recursos que tem. 

Obrigada Luis!

"Sai um triplo homicídio para a mesa do canto"

Portugal. Ano da graça de 2016. 

SIP David Bowie

           

A professora Sónia era a minha preferida. Era a minha professora de Português do 7º ano e depressa nos tornámos muito próximas, sendo, claramente, uma poderosa influência na minha vida durante o ciclo preparatório. Eu admirava a cor de cabelo da professora Sónia, eu sonhava um dia conseguir pintar como ela o fazia em part-time e escrever da forma como o fazia, queria ler os seus livros preferidos e cada sugestão que ela me dava era seguida de forma religiosa. Foi ela que me apresentou Eugénio de Andrade, Marguerite Yourcenar, José Gomes Ferreira e David Bowie. 
Um dia olhou com curiosidade para a minha capa de EV, toda ela forrada com recortes de revistas do Bryan Adams, meu ídolo de sempre. E confidenciou-me que o Bryan Adams estava para mim como o David Bowie para ela, despertando em mim uma curiosidade inabalável de conhecer o ídolo da pessoa que mais admirava naquela altura.
Em 1994 não havia internet (aliás, havia mas eu não tinha acesso) nem youtube, nem sequer wikipedia. Os meus pais tinham-se separado há uns 6 anos e das poucas coisas que o meu pai me tinha deixado foi o seu espólio de discos de vinil, dos tempos que trabalhara na rádio. Foi assim que ouvi pela primeira vez David Bowie. E fiquei rendida para sempre.
Mais tarde, um dos homens que mais amei escrevia-me cartas e numa delas escreveu-me a letra do "Ground Control do Major Tom" e arrebatou-me para sempre. 
Na verdade há qualquer coisa em David Bowie que não há nos outros artistas da sua época: um inconformismo britanicamente elegante, uma desobediência de gentleman, uma raiva expressa com inteligência emocional, um desequilíbrio equilibrado. 
Perder David Bowie é verem-se esgotadas todas as possibilidades numa só pessoa, mil faces do mesmo homem, mil personas numa só pessoa, camaleão, homem, natureza, astro. 
Hoje morreu um bocadinho da minha adolescência. Conforma-me saber que este será dos duros, daqueles que não "rest in peace" mas sin "sing in peace". Naquela paz desinquieta que só as suas músicas me conseguiram ensinar. 

Let's dance. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

E um mano para a Ana?

Fechei a loja. 
Em bom rigor o meu útero foi uma loja pop-up.

E agora antes do jantar, caros cretinos, bom apetite (se conseguirem comer)...

Bem sei que já não está na ordem de trabalhos dos assuntos do dia, já passou a vaga facebookiana do tema e já ninguém lhe apetece falar disto.
Mas enquanto virmos vídeos destes relembramo-nos porque é importante acolhermos refugiados, porque fogem estas pessoas a todo o custo da Síria e porque devemos usar a humanidade que nos coube.
Não esqueçamos. Ajamos!

(não partilho o vídeo mas segue o link)

A CONHECER: "Quase-livro" da autoria de Ana nas Tintas

"E se houver algo que seja QUASE LIVRO? 
 Onde as ilustrações e textos possam ser quase histórias. 
As personagens serão quase tão importantes como as dos contos de fadas. 
 E as raposas serão quase tão macias como as raposas a sério. 
E as cidades imaginadas serão quase verdadeiras, onde quase todas as janelas se podem abrir! 
E os animais serão quase tão ferozes que poderão mesmo rasgar as próprias folhas! 
Mas estas folhas serão quase tão boas e as capas quase tão brilhantes quanto as dos livros, afinal de contas, é quase livro."



Esta é a proposta da Ana nas Tintas, cujas pinceladas são a minha mais recente paixão. O "Quase-Livro" é um Livro de autor, feito à mão, caseiro, mágico e colorido com tinta, água e imaginação. 
Tem o preço de 3,5€ e é a coisa mais querida do Mundo!

Conheçam-no aqui

Quem te viu e quem te vê, Pólo Norte!

Uma amiga acaba de me pedir a receita da minha quiche.

Acrescento: uma amiga que cozinha bem.




Incha, Pacheco!

Opá! Isto dá-me mais incentivo que o desafio das 52 semanas!

Não sei se a minha filha é masoquista ou só sarcástica

O pai canta bem. Eu sou pró a contar histórias.

O que pede ela todas as noites?

Uma história contada pelo pai. Um medley cantado pela mãe.


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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Dúvidas que me assolam

"Terapia" é a adaptação portuguesa de "In Treatment" mas sem que nunca na promoção da série tenham referido esse detalhe ou sou eu que estou com a mania da perseguição?

AGENDA QUADRIPOLAR: Workshop de fotografia em Setúbal


A minha querida amiga Olga Moura Alves irá lançar o seu primeiro workshop de fotografia em colaboração com o fotógrafo José Gonçalves, professor credenciado pela Adobe.

José Gonçalves é fotógrafo profissional com vários anos de experiência no ramo, detentor do CAP de formador, passado pelo IEFP, formador certificado pela a ADOBE em Photoshop sendo ainda Adobe Certified Expert Fotografia – Imagem – Formação Estudio Foi aluno do AR.CO, possuindo o curso completo. Possui alguns prémios nacionais, o seu trabalho foi publicado em vários órgãos de comunicação social e no estrangeiro Olga Moura Alves, é fotógrafa profissional com especialidade em fotografia de família e recém-nascidos desde 2012. 

As aulas são ministradas no estúdio, excepção feita durante os exercícios técnicos que poderão ocorrer exterior.  Este curso destina-se a todos as pessoas que queiram desenvolver as suas capacidades a um nível básico na área da fotografia e na pós-produção, e que queiram conhecer melhor a sua máquina. 

O curso tem a duração de 24 Horas nos sábados dia 6 e 13 de Fevereiro de 2016 e no custo do mesmo estão incluídas refeições ( brunch da manhã/tarde e almoço). O valor do curso é de 90 Euros. 

Imperdível! Encontramo-nos lá?



Informações e inscrições para olgamouraalves@gmail.com ou através do facebook do Little People, Big Smile

Érica Fontes eu explico- te ...


... só tens que responder assim:

Podia perfeitamente ser um pedaço do cérebro de tipos que escrevem piadas misóginas. Mas é de outro animal.

Há quem tenha facebooks com perfil de casal

Nós temos uma espécie de rubrica partilhada.

No blog dele, claro. Que neste não há cá confias...

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 32


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Obrigada mães que eu conheço!

Tantos alertas com a adaptação ao Jardim de Infância. Tantos artigos que falam sobre a adaptação à escola. Tanto foco no início do ano lectivo. Tantos alertas e dicas e tudo e tudo em Setembro.

E nada, nem um lamiré que me preparasse para o regresso às aulas depois das férias do Natal? Uma pista? Um aviso? Um "sabes que..." de mansinho?

Desde segunda que ando a ponderar chamar um exorcista.

"Tenho uma única ruga e estou sentada em cima dela"


"Jeanne Louise Calment bateu o recorde de longevidade: 122 anos e 164 dias. Ao que parece, o destino gostava de como a madame Calment vivia. Ela era francesa, nascida em Orly, região próxima a Paris. Quando estavam construindo a Torre Eiffel, tinha 14 anos e nessa época era namorada de Van Gogh. “Ele era sujo, andava sempre mal vestido e era sombrio“, disse a senhora sobre o pintor durante uma entrevista em 1988, quando celebrou seus 100 anos de vida. Aos 85 anos, praticava esgrima, e aos 100 ainda andava de bicicleta. Jeanne Louise apareceu num filme quando tinha 114 anos, aos 115 foi submetida a uma cirurgia no quadril e aos 117 parou de fumar. E não foi por se sentir mal pelo vício, mas sim porque, como estava quase cega, se incomodava em ter de pedir isqueiro aos outros. Quando tinha 90 anos Jeanne Louise, que já não tinha herdeiros, firmou com André-François Raffray (um advogado de 47 anos) um contrato estipulando que ele herdaria sua casa desde que lhe pagasse uma renda mensal de 2500 francos. O valor original da casa estava pago após 10 anos, mas o destino tinha outra carta dentro da manga: Raffray não apenas pagou a Madame Calment durante 30 anos, como também morreu antes dela, aos 77 anos, e sua viúva continuou pagando a ’renda’ até a morte da proprietária. Até seus últimos dias, Madame Calment esteve lucida e teve sagacidade para pensar. Quando, em seu aniversário de número 120, perguntaram sua opinião sobre o futuro, ela deu uma resposta incrível: ”Vai ser muito curto“.
Frases e regras de vida da Madame Calment: A juventude é um estado da alma, não do corpo; por isso eu continuo sendo uma garota. Nunca pareci tão bem como nos últimos 70 anos. Tenho uma única ruga, e estou sentada em cima dela. Todos os jovens são maravilhosos. Deus se esqueceu de mim. Sou apaixonada pelo cinema. Sorrir sempre. Creio que essa seja a causa da minha longevidade. Se não há nada que você possa fazer sobre algo, não se preocupe por isso. Tenho uma grande vontade de viver e um bom apetite, especialmente para as guloseimas. Nunca uso rímel porque dou risada até chorar com muita frequência. Enxergo mal e escuto mal e me sinto mal, mas isso tudo é uma bobagem. Acho que vou morrer de tanto rir. Tenho pernas de ferro, mas, para ser sincera, elas começaram a enferrujar um pouco. Sempre aproveitei de quase toda situação. Respeitei os princípios morais e não tenho nada do que me arrepender. Sou sortuda. Em uma entrevista, um jornalista lhe disse: “Nos vemos! Quem sabe no ano que vem...”. E Madame Calment respondeu: ”E por que não? Você não parece estar tão mal, apesar de tudo!" 
Obrigada, Bárbara!

E agora- sim!- 16 desejos para 2016



Renovar votos de casamento noutro continente
Voltar a andar de balão de ar quente
Ser vegetariana por uma quinzena, voltar às termas e experimentar reiki e ioga
Ser mais organizada (inclui ter telemóvel operacional e agenda em dia. E saber onde páram ambos.)
Levar a Ana a um sítio que a faça mesmo, mesmo feliz
Voltar a ser loira
Aprender qualquer coisa absolutamente nova (mandarim?)
Acabar todos os projectos e intenções que deixei inacabados (inclui responder a todos os emails que me chegam)
Ter tempo e paciência para organizar os álbuns da Ana (imprimir fotografias!)
Ir a Ponte de Lima, à terra da minha avó
Lançar aquela ideia maravilhosa para o Bairro do Amor
Comprar uma bicicleta daquelas fofis com cestinho
Aprender a tirar fotografias melhores
Contribuir para que o crowdfunding da ASBIHP alcance o seu objectivo e ajudar a que o J, aprenda a ler
Conseguir gerir melhor o meu tempo (isso é a chave para fazer acontecer tantas outras mil coisas)

(O mais importante - ainda- é segredo para ninguém agoirar)




E sabes que o Mundo continuará a girar e que o teu legado será continuado pela tua filha quando...

... ela te começa a cantar a música que aprendeu na véspera na escola: 

"Vamos cantar as asneiras, vamos cantar as asneiras, por esses quintais adentro vamos, às raparigas solteiras..."

Estou? Alô? CPCJ de Mirandela?



Quando li esta notícia primeiro fiquei incrédula, depois fiquei indignada e por fim soltei um palavrão.
Quis saber mais e eis que fui parar ao site da própria Câmara Municipal de Mirandela que me esclareceu:


E é isto: em Mirandela, pais compram cigarrinhos durante dois dias para os filhos crianças, dão-lhes, provavelmente, fósforos e isqueiros, Providenciam cinzeiros- por quem sois?!- estamos no século XXI, não se deitam beatas para o chão! Cravam-lhes uma passa, em calhando. 
Com sorte entre um cigarrinho e outro mastiga-se um tremocinho e um caneco de tinto. Ah, meus ricos filhos, não queremos que vos falte nada! 
"Ah é crime?" É tradição. "Ah, é absurdamente estúpido?" É tradição. "Ah, nem se sabe como começou a tradição da festa nem o que esteve na base de terem inventado esta ideia peregrina?" Não faz mal, é tradição. 

Portugal, ano da graça de 2016. 

Puta que os pariu aos pais, aos cigarros, aos tremoços, ao vinho e especialmente à tradição!
Vou ligar para a CPCJ. E estou mesmo a falar a sério. 


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Esta coisa do ano novo...

.. sempre revirei os olhos aquela coisa do "new year, new me".

Uma abordagem à cena de ciúmes da Ivete Sangalo

"Veveta perdeu a paciência e esse foi o assunto do final de semana. Fizemos algumas reflexões sobre o caso:
1. Por qual motivo Veveta não ameaçou apenas o seu marido ao invés de ameaçar a mulher que estava conversando com ele?
2. Veveta também está inserida em uma sociedade que incentiva a nossa competição e reproduziu esse padrão dizendo que iria "Passar a por**" na mulher que estava conversando com seu marido.
3. Faltou sororidade da parte de Veveta para com a mulher.
4. Faltou sororidade da parte de suas suas fãs para com a mulher que está sendo atacada em seu perfil no Facebook.
5. Faltou sororidade da parte da mulher que rebateu Veveta e fez declarações contra ela como "Confie mais no seu taco".
6. Faltou sororidade da parte das mulheres que reproduziram o vídeo de Veveta em um momento de desequilíbrio.
7. A mídia tornou o caso gigantesco e reproduziu e incitou a competição feminina fortemente.
8. A história se tornou uma briga entre Veveta e a mulher.
9. E o marido? Ah, ninguém nem lembra mais dele. Mas ele é só homem, né?
10. Veveta, você é maravilhosa e não precisa de nada disso. "

in plataforma "Vamos Juntas?"
heart emoticon

A CONHECER | Instagram de Celeste Barber

Confesso que ando uma groupie do instagram: adoro-o por ser fácil, intuitivo e giro. Gosto de descobrir novas contas, seguir novas pessoas, descobrir lugares aos olhos de cada uma delas, ver ideias que me inspiram e descobrir imagens únicas.

Sigo a Celeste Barber há imenso tempo e dei-me conta que nunca aqui falei dela. Celeste Barber é uma actriz australiana que não foi de modas e começou a partilhar fotografias suas a imitar celebridades, ícones de moda ou pessoas trendy.

O resultado, do ponto de vista de uma mulher comum,
é no mínimo... hilariante!




Descubram-na aqui.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O presente de Natal da Ana para o pai

Todos os Natais a Ana oferece ao pai uma ilustração que representa um momento de cumplicidade entre eles no ano que passou. 
2012- Autoria: Prezado

2013 em técnica mista- Autoria: Rita Balixa
2014- Autoria: Tinimini

Este ano já tive a ajuda da Ana que em vez de escolher a minha fotografia preferida do ano , decidiu escolher uma que ela achou especial, tirada às cavalitas do pai no lançamento da agenda da Martisses. E colocámos o desafio à talentosa Ana nas Tintas, que além de super profissional, foi rápida e cobrou-nos um valor que não faz, de longe nem de perto, jus à qualidade do seu trabalho. 
 Gostava muito de a colocar aqui mas, para tristeza deste blog e  gáudio do pai cá de casa, está tão realista que postá-la ou postar uma fotografia da Ana e do pai seria a mesma coisa. 
 Como não postamos fotografias da Ana na internet fica aqui um cheirinho da aguarela.

2015 em aguarelas- Autoria: Ana nas Tintas

Aos amigos que quiserem ver esta obra-filha ao vivo: é vir cá a casa.
Aos outros uma garantia: o mural da Ana e do pai está a ficar qualquer coisa de maravilhoso. 

Dúvidas que me consomem

Até que dia é razoável que se continue a desejar "Feliz Ano Novo" a uma 'ssoa?

Sim, pelo andar da carruagem é capaz de um dia vir mesmo a ser contabilista

Ana agarra no seu computador de brincar, começa a teclar com muita força, bufa muito, esfrega os olhos, volta a soprar, tecla ainda com mais força, finge que o telefone toca e diz "ooooutra vez?", desliga o telefone com força e bufa mais uma vez. 

"Estás a brincar ao quê, filha?"- pergunto-lhe.

"Aos psicólogos"

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Entretanto, já em 2016...




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