terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Nothing in all the world is more dangerous than sincere ignorance and conscientious stupidity (Martin Luther King)

Roubado na íntegra ao meu amigo Francisco Machado, que por sua vez citou Sofia Mendes, informação muito importante para sossegar os mais inquietos, que acham que as crianças, coitadinhas, vão sofrer e ser prejudicadas por serem filhas de casais lésbicos ou homossexuais.

Dados científicos comprovam que isso NÃO é verdade. Onde?

Aqui.

As principais conclusões do Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais (cujo documento na íntegra pode ser lido aqui) são:

"
Os principais argumentos contra a homoparentalidade (e a co-adopção por casais do mesmo sexo) centram-se no efeito adverso que se presume que esta configuração familiar tenha na criança. 

Contudo, ao longo das duas últimas décadas, a maior parte das investigações (de carácter qualitativo e quantitativo, de tipo transversal ou longitudinal, recorrendo a diferentes amostras) e das revisões de literatura sobre a saúde psicológica e o bem-estar das crianças com pais do mesmo sexo convergem nos seus resultados: as semelhanças entre as famílias homoparentais e heteroparentais são bastante superiores às diferenças que possam existir entre elas.

 É consensual que não existem diferenças entre as crianças provenientes de famílias homoparentais e as crianças provenientes de famílias heteroparentais no que diz respeito a aspectos desenvolvimentais, cognitivos, emocionais, sociais e educacionais. 

Também os estudos dedicados às competências parentais, à saúde mental, à capacidade para estabelecer laços de vinculação e ao ajustamento relacional entre casais homossexuais apontam, na generalidade, para a não existência de diferenças significativas em comparação com pais e mães heterossexuais. 

Embora os resultados consistentes que apontam na direcção da não existência de diferenças tenham sido postos em causa por alguns autores (e.g. Stacey & Biblarz, 2001), nomeadamente no que diz respeito à orientação sexual de crianças educadas por pais homossexuais, os estudos empíricos revistos indicam que as crianças de famílias homoparentais não têm maior probabilidade de serem homossexuais do que as crianças de famílias heteroparentais. No que diz respeito à discriminação das crianças de famílias homoparentais – que poderia conduzir a problemas com os pares – as evidências são mistas, mas a maior parte dos estudos não encontra problemas. 

Deste modo, parecer haver convergência na comunidade científica sobre o facto da configuração familiar (seja ela homoparental ou heteroparental) não ser um aspecto determinante para o desenvolvimento das crianças, mas sim a dinâmica relacional familiar. O fundamental é que o contexto familiar ofereça afecto e comunicação, seja sensível às necessidades da criança, viva de modo estável e impondo normas adequadas, no seio de relações harmoniosas. Se estas funções parentais forem cumpridas, a orientação sexual dos pais, em si mesma, não parece ser a variável mais relevante quando se tem de determinar o modo de construção do desenvolvimento psicológico das crianças. 

Em resumo, as evidências científicas apontam nas seguintes direcções: 


  •  Não existe base científica para afirmar que os homossexuais femininos e masculinos não são capazes de criar e educar crianças saudáveis e bem-ajustadas; 
  •  Não existe fundamentação científica para concluir que os pais homossexuais ou as mães homossexuais não serão bons pais/mães apenas com base na sua orientação sexual;  
  • Mulheres homossexuais e heterossexuais partilham abordagens semelhantes na educação de uma criança; os pais homossexuais não são diferentes dos pais heterossexuais no que diz respeito à sua capacidade parental e de promover um desenvolvimento saudável de uma criança. 
As evidências científicas sugerem então que decisões importantes sobre a vida de crianças e adolescentes (como a determinação da co-adopção) sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais, mas na qualidade das suas relações com os pais. 


Conclui-se que os resultados das investigações psicológicas apoiam a possibilidade de coadopção por parte de casais homossexuais, uma vez que não encontram diferenças relativamente ao impacto da orientação sexual no desenvolvimento da criança e nas competências parentais."

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