segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

"Quando a gente ama é claro que a gente cuida"

Já aqui falei muitas vezes sobre a Rita e o Luis. A Ana adora-os a ambos tendo uma especial predilecção pelo Luis, com quem comunica de uma forma muito engraçada pois fala com ele mas não consegue decifrar o que o Luis diz, com visível dificuldade (eu própria precisei de muitos anos de treino para o conseguir fazer e, em muitas ocasiões, tenho que socorrer da Rita para me ajudar).
No outro dia estávamos a jantar em casa deles e a Ana adormeceu. A Rita logo me sugeriu que deitasse a Ana ali no sofá e a tapasse com um cobertor, o que acedi de imediato. 
Entretanto, a Rita foi para a cozinha, deixando-nos os três na sala mas, às páginas tantas chamou-me para lhe dar uma ajuda. 
Naquele instante, perguntei ao Luis, esquecendo-me das suas limitações motoras (o Luis tem muitos espasticidade e tem que estar sentado na cadeira de rodas com os braços presos e com uma espécie de colete que o segura à cadeira e o mantém direito) se não se importava de deitar um olhinho à Ana. O Luis assentiu, pedindo-me apenas que encostasse a cadeira de rodas ao sofá onde a Ana estava deitada, de forma a formar uma barreira e impedir que a Ana caisse. Assim fiz. 
Deixei-os a ambos na sala e fui ter com a Rita à cozinha. 
Passados uns instantes voltei à sala para verificar se estava tudo bem: a Ana estava com um sono agitado e a mexer-se muito, o Luis fazia estalinhos com a língua para a confortar e a Ana, de repente, sentindo-se acompanhada sossegou de imediato.
Voltei à cozinha para apanhar o meu telemóvel e tirar esta fotografia, visivelmente comovida. 



Quando me viu a registar o momento, de lágrimas de olhos, o Luis sorriu. Assim. Entre o gozo de me ter flagrado comovida e o embaraço de quem cuida com os recursos que tem. 

Obrigada Luis!

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