quarta-feira, 30 de março de 2016

Agora já se pode dizer sem ser em sussurro



Vou ser tia. Não ponho aspas porque os filhos das minhas melhores amigas são meus sobrinhos sem aspas, sobrinhos carregadinhos de amor, sobrinhos sem metáforas, sobrinhos substantivos por direito próprio. 
Vou ser tia e já gosto muito deste sobrinho que me ajudou a mim e à mãe dele a reencontrar um caminho comum, onde as diferenças que entretanto amplificámos voltaram a ser apenas diferenças, visões diferentes do Mundo para permutarmos quando as certezas nos toldam a lucidez e as opiniões auto-centradas nos fazem transbordam de nós próprios e não caber aqui nada mais. 
Vou ser tia, depois de seis anos em que esperávamos uma notícia, uma chamada de skype, um telefonema inter-continental a anunciá-lo, depois de muitos sacrifícios, muitas hormonas, muitos procedimentos clínicos e, já para o fim, muito silêncio como se ao não falarmos das coisas elas tivessem o condão de não magoar, de não existir. 
Vou ser tia e ouvi o coração do meu sobrinho no CTG, cavalo indomável, príncipe-corsário-rei-pirata. Vou ser tia e vi a silhueta dele num monitor ecográfico e chorei, pela primeira vez, com um bebé numa barriga que não a minha, um bebé especial não porque o esperámos muito, tanto, não porque é (como todos os nossos bebés) um bebé comunitário, não porque é filho dela, da minha melhor amiga, mas porque é ele, o meu sobrinho sem aspas, não outro qualquer, aquele que chegou neste tempo e neste espaço, para nos trazer a todas um terceiro Agosto feliz. 
Um sobrinho A(o nosso)gosto. 
Vou ser tia e estou muito, mas mesmo muito, feliz. 

1 comentário:

traquinasmother disse...

Parabens...a mesa de natal...pascoa...etc cada vez maior ihih
mais um companheiro de aventuras para a Ana...

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