terça-feira, 1 de março de 2016

Imagine-se que as convenções diziam que os pêssegos eram frutas de meninas e os ananáses frutas de meninos




Talvez isto pareça um título ridículo. Só que não.
Imagine-se que França era um país de rapazes e Espanha um de raparigas. E que quem gostasse de passar férias em Portugal fosse masculinizado por isso e que as miúdas estrangeiras que escolhessem vir apanhar o sol dos Algarves fossem conotadas como machonas. Já se fossem a Espanha que delicadas, que princesas, que divas. Rapazes a quererem ir a Espanha: eh láááá, mariconças!
Imaginem que os cães eram animais de meninas e os gatos esterotipadamente animais de gajos.  Que às meninas, desde pequenas, nunca fosse dada a oportunidade de escolherem gatinhos como animais de estimação e que aos rapazes os cães não estivessem, por causa dessa coisa maravilhosa e científica que é o senso comum, acessíveis.
Poderíamos continuar: a carne é comida de rapaz, o peixe de menina. Os girassóis fossem flores de menina e as tulipas dos meninos. Que comboio fossem um transporte de gaja e o barco um meio de transporte com cojones, de gajo! And so on and on.
Estúpido, não é?
E se a minha mãe, desde que eu nasci, não me desse oportunidade de experimentar ananás, de visitar Paris, de ter um gato, de andar de cacilheiro, de plantar nos vasos do meu parapeito túlipas ou de me deliciar com um naco de carne. Porquê? Porque nasci com pipi.
E se a mãe de mámen, desde que ele nasceu, não lhe desse oportunidade de comer pêssegos maduros no Verão, de visitar Barcelona, de ter um cão, de espreitar as praias da linha através da janela do comboio, de ter em casa uma jarra de girassóis e de comer peixinho grelhado à beira mar. Porquê? Porque nasceu gajo.
Continua a ser estúpido, não é? Ainda mais estúpido, certo? Pois.
Atribuir-se género a seres inanimados é só tolo. Porque não pode a Ana usar roupa azul e o meu sobrinho Pedro cor-de-rosa? Porque não pode a Ana brincar com carros, espadas, usar bigodes quando se fantasia e experimentar o jogo simbólico sem que a "corrijam" como antes se faziam aos canhotos, porque uma menina é uma menina, por quem sois? Porque não pode o meu sobrinho Pedro ter uma casinha de bonecas, uma cozinha e brincar com tachos e um ferro de engomar e imitar os pais (sim, os pais, que o pai dele não ajuda em casa, que não é desses, participa mesmo equitativamente na dinâmica da gestão doméstica) sem que o olhem com ar de terror, vão pôr o menino um panasca, ai Jasus?!
Deixemo-nos de preconceitos tontos! De rótulos, categorias, etiquetas e segmentação. Voltemos ao título do post e afianço-vos que adoro... salada de frutas!


Que se somem e sigam os exemplos. O caminho faz-se caminhando!

2 comentários:

CG disse...

Boa tarde.

Deviam seguir estas fantástica indicação para as prendinhas nos casórios que eu levo sempre com a chaveninha de café ou a florzinha ou o cházinho ou outra treta qualquer e queria mesmo era um charuto.


Catarina

Nádia disse...

Também escrevi sobre o assunto e usei a mesma imagem. Estou cansada de responder a comentários idiotas sobre um assunto que nem devia ser assunto, por isso só te digo: ora dá cá mais cinco!

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