terça-feira, 29 de março de 2016

Tenho saudades



De fazer uma refeição sem ser interrompida. De fazer uma viagem longa de carro a ouvir música que gosto. De acordar, tomar um duche e despachar-me em meia hora. De ter escritório em vez de quarto de brinquedos. De tomar o pequeno almoço a ler as notícias em silêncio. De ver o fundo do balde da roupa suja. De não ter que fazer sopa todos os dias. De estranhos não me chamarem "mãe" só porque tenho uma filha. De não ter medos. Da minha barriga há 4 anos e meio. De dormir profundamente sem um inconsciente e instintivo estado de vigília permanente. De poder dizer palavrões livremente. De ter o canal de televisão ligado mais do que 10 minutos seguidos num canal de adultos (mas de adultos de verdade, não de adultos modo pornográfico!). De sair à noite sexta, sábado e domingo seguidos. De fins-de-semana românticos sem a sensação de que falta alguma coisa como quando saímos de casa e temos a sensação que nos esquecemos do fogão ligado.  De não fazer ideia de quem é a puta da Elsa (estou farta dela, ando em elsoverdose há dois anos!). De viajar sozinha sem ter medo de que o avião caia, o comboio descarrile, o automóvel embata num choque frontal e eu morra. De me servir da travessa em primeiro lugar. Do sex-appeal que uma mulher sem filhos representa para uma empresa. De entrar na Zara e não ir à secção de criança. De não ter toalhitas, chuchas, ganchos, pinypons e porcarias várias que não me pertencem dentro da mala. De me sobrar dinheiro ao fim do mês. Da minha mãe me perguntar como estou quando me liga ao invés de perguntar "como está a menina?". De procurar destinos para as férias sem me preocupar com a segurança. Do meu fabuloso sistema imunitário pré-parto. De não comer restos. De acreditar que iria ser mãe de 4 filhos e que seria tudo fácil e idílico. De procurar restaurantes e borrifar-me para a cena child friendly. De não ter brinquedos em todas as divisões. De ter os estofos traseiros e o chão do meu carro limpos. De poder combinar coisas durante as tardes de fim-de-semana sem me preocupar com as imprevisíveis horas da sesta. De não me sentir tão vulnerável. De reclamar com a conta do crédito do carro, achando-a escandalosa e sem saber o que representava a conta de um jardim de infância particular. De silêncio. De ser apenas filha e, por isso, menos adulta. Das minhas horas terem, efectivamente, 24 horas. De escrever um post ser ser interrom.. 

6 comentários:

Framboesa (uma diva de galochas) disse...

Eu tenho isso tudo a que te referes...mas não tenho filhos.Sei que não trocarias! ;)

Framboesa (uma diva de galochas) disse...

Ah espera, tenho á mesma medo que o avião caia.Sempre.

Purpurina disse...

De tudo isso o que sinto mais falta é de não ter medos. :) Mas os filhos compensam tudo... mesmo.

Mamã Iogurte disse...

Como te entendo...;)

Dina disse...

É exactamente isso :)

Filomena Silva disse...

É mesmo isto... e não devemos ter vergonha de o sentir, porque amamos os nossos filhos e não nos imaginamos sem eles. E apesar de eles compensarem tudo, há dias em que queríamos ser simplesmente nós e não apenas mães.

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