quarta-feira, 20 de abril de 2016

PROGRAMA QUADRIPOLAR| 9 dicas quadripolares para visitar o Faial

1- Arrende uma casa

A oferta de hotéis nas ilhas maiores (especialmente em S. Miguel e na Terceira) é francamente boa. Nas ilhas mais "pequenas" não há uma escolha de hotéis xpto por aí além. Mas há turismo rural e de habitação muito interessante, há casas em airbnb (curiosamente quase todo explorado por pessoas do Continente que perceberam o filão e mudaram-se para as ilhas para explorar o nicho) e há arrendamento temporário de apartamentos feito por gente da terra. 
Depois de pesquisarmos casas em airbnb, de fazermos contas, de apurarmos necessidades optámos pela opção que nos daria mais garantias: pedir conselhos aos nativos, claro. Assim, a minha amiga Teresa contou-me que o Jorge, seu namorado, costumava ficar hospedado nos Apartamentos de São João, ali na rua de S. João, por detrás da Igreja Matriz da Horta, mais central seria impossível. 
Dito, feito. Por 60€/noite arrendámos uma casa bastante simpática e acolhedora com dois quartos enormes com casas de banho privadas, kitchenette equipada e wi.fi. O bónus? Um jardim muito querido com espaço para as crianças brincarem e cujos baloiços fizeram as delícias da Ana. Tudo isto com um serviço de limpeza inigualável e uma simpatia que não nos admirou. Afinal, estávamos nos Açores...

Rua de São João, 25 - A, Matriz, 9900-129, Horta Portugal | 0,9 km do centro da cidade |  Mostrar no Mapa 
Telefone: +351(927)517518 |

2- Faça de um taxista o seu amigo de viagem 

Nos Açores os táxis não têm taxímetros. Existem  preços tabelados e que são valores médios propostos. Por exemplo, uma volta à ilha do Faial (que demora aproximadamente 3h30m)  pode variar entre os 65€ (até 4 pessoas) e os 90€ (de 6 a 8 pessoas) mas depois existem visitas mais curtas como uma ida ao vulcão dos Capelinhos ou à Caldeira que custa entre 25€ e 45€ com retorno e 15 minutos de espera para visita incluídos e de acordo com o número de passageiros conforme explanado acima.
Os taxistas açorianos são bastante civilizados quando comparados com os de outras cidades e muito amáveis e prestáveis, de uma hospitalidade única como qualquer bom açoriano. Portanto, imagine que encontra um de que gosta logo à saída do aeroporto, peça-lhe o cartão e combine com ele as suas necessidades de trajectos e planeie horários: garanto-vos que são fidelíssimos e pontuais. E sérios, que é coisa que muitos dos lisboetas estranham naquelas paragens. 

Mais informações aqui. Atenção que cada ilha tem os seus tarifários, ok?

3- Faça refeições em casa. Com produtos da terra. 


No supermercado encontra facilmente massa sovada (uma espécie de pão doce que se fabrica no grupo Central) ou pão lêvedo ( que se produz  no grupo Oriental) pode barrar com manteiga dos Açores e queijo de S. Jorge (mais picante) ou queijo do Faial (mais amanteigado). O chá Gorreana é produto interno e produz-se em S. Miguel e há também café de comércio justo que se produz em S. Jorge (nós conseguimos mas foram os meus sogros que o trouxeram da ilha) e que é fabuloso!
Para entrada aconselho qualquer marisco açoriano (é o melhor marisco do Mundo) mas as lapas grelhadas, os cavacos e as cracas. 
Para as refeições principais não há como fugir à carne de vaca, que se pode comprar em qualquer talho, tão tenra que ao cortar-se parece manteiga. Tempere os bifes com pimenta da terra (o grande segredo da cozinha açoriana na minha óptica) e cozinhe-os, acompanhados de inhame ou batata doce. Se preferir peixe, nos Açores encontrará uma belíssima variedade de peixe óptimo para grelhar. Eu sou louca pelos bifes de atum ou de tubarão e as lulas recheadas à moda da minha sogra são o meu prato preferido em todo o Mundo. Para sobremesa compre fruta como as feijoas ou os araçás, se quiser fugir ao cliché do ananás ou do abacaxi, que são dulcíssimos e sumarentos. Há ilhas onde as goiabas crescem muito bem e são um must taste. Licores há para todos os gostos e feitios, refrigerante só há um que não me canso de recomendar (kima de maracujá, fecórse e se vos oferecerem como opção fanta de maracujá mandem-nos dar uma voltinha ao bilhar grande!). Desta vez provámos mais que um vinho do Pico e não nos arrependemos. Vinho de cheiro e angelica são obrigatórios! (Para quem fuma mámen diz que o "Além Mar" é um tabaco único. Eu dispenso.)



4-  Cumpra todos os clichés 


Está a ver aquele cliché que diz que nos Açores há as 4 estações no mesmo dia? Não é cliché! Leve roupa fresca que o tempo é sempre mais quente no que diz respeito à temperatura, mas a humidade no ar é manifestamente superior e é raro o dia em que não sejamos brindados com um pequeno aguaceiro. Sim, o tempo nos Açores é verdadeiramente quadripolar!
Quanto a clichés para visitar no Faial, recomendamos uma visita à Caldeira (linda, linda!) e não perca a visita ao vulcão dos Capelinhos com uma paisagem ímpar de cortar a respiração. Vá beber gin ao Peter's (à noite com a afluência dos marinheiros a coisa pode ter especificidades muito próprias), suba ao Monte da Guia, ao Monte Carneiro e à Ponta da Espalamaca, aprecie a praia de Porto Pim e as suas areias negra e deslumbre-se com um passeio pela Marina da Horta. Não se negue a nadar com golfinhos ou a ver baleias ou ainda a mergulhar com tubarões (recomendo as empresas Dive Azores, ou o próprio Peter's). O Faial vive-se, devagarinho como o tempo que passa devagar e intensamente como o amor que sempre perdurará em quem visitar estas ilhas.








5- Mas não deixe de arriscar entrar em novas portas

Nós adoramos encontrar novos sítios, ouvir dicas dos habitantes da ilha, entrarmos em portas entre-abertas e mal sinalizadas. Foi assim que descobrimos a "CASA"- um dos nossos novos spots preferidos nos Açores. A CASA é uma casa de chá, um bar, um terraço com esplanada, um jardim com esplanada, uma sala de concertos, enfim, é um espaço multi-usos charmoso e eclético, sempre surpreendente, onde fomos ao entardecer para beber um chá (e a carta de chás é imensa) e onde voltámos para uma refeição ligeira de tostas com pão da terra, queijo de cabra, mel e alecrim que nos ficará, durante muito tempo, na memória. 
E foi também assim, à descoberta, que nos maravilhámos com a fantástica nova igreja dos Flamengos, cuja fachada foi preservada e recuperada ao máximo e fundida numa nova igreja moderna e progressista numa obra de arquitectura fa-bu-lo-sa! Imperdível!








6- Passeie sem destino nem trajecto planeado, Alguma coisa irá acontecer. 


Nós alugámos um carro por um dia (40€ por 24h) e decidimos partir sem destino. Chegámos a Flamengos e vimos um arraial. Parámos e logo um aldeão nos informou: "Senhores, as sardinhas e o pão são por conta do Divino Espírito Santo".  Este povo é muito religioso e, no Grupo Central, logo após a Páscoa começam as festas em honra do Senhor Espírito Santo, onde as comunidades celebram as graças que Este lhes dá e honram a sua benção. Ali ao lado tocava a banda filarmónica (os açorianos têm uma tradição musical fortíssima), um senhor vendia galos e galinhas que os crentes ofertaram para o efeito, um conjunto de pessoas assava sardinhas, outro servia pratos das mesmas prontas com pão e uma mesa no meio da estrada convidava todos a juntarem-se e a partilharem aquela refeição improvisada. Assim fizemos e não abandonámos a festa sem antes entrarmos no pequeno império (capelas onde se guardam as coroas do Divino Espírito Santo) e mámen cumprir as tradições religiosas açorianas com a filha, o que sempre me comove muito. 
Ah, isso acontece só nos Flamengos? Não. Acontece em várias freguesias das diferentes ilhas e sem dia e horas marcados. É partir à descoberta e misturar-se com os habitantes das ilhas 






7- Aproveite a localização do Grupo Central

O Grupo Central, infelizmente, está pouco divulgado (sou suspeita, é o meu grupo preferido nas ilhas!). Mas, especialmente as ilhas do triângulo (Pico, Faial, S. Jorge), têm uma localização privilegiada. Se o tempo o permitir (e o tempo nem sempre o permite) e os horários dos barcos forem favoráveis aos planos de rota, as viagens de barco são uma mais-valia: em 3 horas conseguimos chegar a S. Jorge (com escala feita na Madalena- Pico) e numa hora e quinze minutos alcançamos o Pico. Aos fins-de-semana os horários permitem que se parta às sextas-feiras e se regresse aos domingos ao final da tarde. A viagem? Isso não vos posso garantir. Já vi várias vezes toninhas (golfinhos mais pequenos) a brincarem com as ondas que os nossos barcos fazem e a nadarem ali ao nosso lado, já vi o mar tão agitado que percebi porque existe um livro chamado "Mau tempo no canal" e a minha pobre mãe já quase que viu S. Jorge por um canudo, No Verão, regra geral, a coisa corre sempre bem. No resto do ano contem com uma divertida e surpreendente imprevisibilidade. 

8- Confie nos ilhéus.
Os açorianos são pessoas especiais. Regra geral bem dispostos e solícitos, fazem da sua hospitalidade bandeira. Os açorianos gostam de receber e abrem, literalmente, as portas das suas casas, a quem vem por bem. E eles conseguem perceber quem vem, realmente, por bem. Por isso, não desconfie se um açoriano convidar o seu filho para beijar uma coroa do Espírito Santo que tenha acabado de receber em sua casa, se lhe oferecer para lhe dar boleia de volta à cidade se o encontrar a regressar cansado depois de um trilho pedestre ou se reforçar a sua sandes com queijo extra por mera simpatia. Os açorianos são, na sua maioria, orgulhosos da sua naturalidade e os melhores guias turísticos das sua lhas, não se importando de desvendar segredos e spots que não vêm nos guias nem se negando a dois dedos de conversa em qualquer esplanada. Não há estranhos que não tenham potencial de se tornarem amigos para um açoriano. 
Um aviso, há duas coisas que irritam os açorianos: referirem-se ao continente como "Portugal", uma vez que pertencemos todos ao mesmo país e perguntarem a um açoriano que não micaelense porque carga de água ele não tem "sotaque açoriano". É que isso não existe, tá? (o que nós, aqui no continente, chamamos de "pronúncia dos Açores" é apenas o sotaque de uma ilha- S. Miguel. Para terem noção e a título de exemplo: no Faial fala-se de forma muito parecida com a que se fala em Coimbra).



9- Não compare as ilhas (todas são melhores que as restantes em alguma coisa)


As ilhas são todas tremendamente belas e tremendamente diferentes.
Cada ilha é única e especial, por isso, é uma parvoíce perguntarem a alguém que as conhece a todas qual é a mais bonita. Não há resposta para essa pergunta.
Se me perguntarem a mim direi que S. Miguel tem um equilíbrio perfeito entre a cidade e a natureza e uma beleza natural muito diversificada e toda ela de se tirar o fôlego, S. Jorge é a ilha mais "crua", a mais natural, a com menor intervenção humana, a mais apetecível para aventureiros e exploradores e tem o sítio mais bonito dos Açores (a Caldeira de Santo Cristo), o Pico é a mais imponente e rústica, a mais caseira e com cheiro a vinhas, a de beleza mais agreste, a Terceira tem as pessoas mais maravilhosas, festeiras, divertidas e o sentido de comunidade com que mais me identifico.
Ah, e o Faial, Pólo Norte? O Faial é a ilha onde mais me sinto em casa nos Açores, simultaneamente pequena e bela, arejada e luminosa, transpira azul por todos os poros. A Horta é uma pequena cidade cosmopolita e de charme, uma cidade boutique. O Faial é a ilha mais mimosa. 





Fomos em trabalho e aproveitámos para levar a nossa filha para visitar os avós. Queremos agradecer a Azores Airlines que patrocinou a minha viagem e a de mámen, ao abrigo da sua estratégia de responsabilidade social e sem a qual teria sido impossível a ASBIHP (associação com a qual colaboramos) realizar acções nas escolas de pessoas portadoras de deficiência no sentido de sensibilizar e informar as comunidades educativas com vista a uma real inclusão sócio-escolar destes cidadãos. Obrigada, Azores Airlines!

5 comentários:

Joana Marques disse...

Olá Ursa!
Falando dos Açores e de arrendar casa.. Três amigas minhas vão fazer um estágio no hospital em Ponta Delgada e ainda não conseguiram casa!
Será que podias dar uma ajudinha? Sei que não nos conheces de lado nenhum, mas se tiveres um bocadinho de tempo e alguns contactos de lá, seria uma enorme ajuda para elas, que vão para lá já dia 29.

Muito Obrigada,

Joana Marques
joana.pbmarques@gmail.com

CAP CRÉUS disse...

AHAHAHAHAH!
Logo vi que havia aqui marosca. Não conseguiu ficar atrás da outra que não tem nada a ver com os Açores e foi "mamar" à conta.
Impressionante.

E colocar aqui fotos tremidas e de fraca qualidade não abona nada a seu favor nem em favor dos Açores.

Eu que vivi aí 6 anos e vou todos os anos, vou também chegar-me à frente. prometo melhores dicas e melhores fotos.

Seja diferente caramba e fale menos dos Açores, pois daqui a meia dúzia de anos vamos todos chorar.

Lise disse...

Como Terceirense, agradeço este seu lindo texto.
Os Açores são, realmente, tudo isto é muito mais :)
Se algum dia regressar à Terceira e quiser realizar algumas atividades turísticas num ambiente bocadinho mais familiar, entre em contato com a empresa Azores 38˚ N.
É uma pequena empresa, que iniciou a sua atividade à pouco tempo, mas que como qualquer terceirense que se preze, prima pela simpatia, boa disposição e hospitalidade.
Este é o site, se tiver curiosidade: www.azores38n.com
Ou o Facebook: www.facebook.com/azores38n.

Lisandra

Pólo Norte disse...

CAP CREUS

Tive na dúvida se publicaria o seu comentário ou não que hoje já dei para o peditório dos imbecis, mas pronto, abri-lhe uma concessão.

A "outra" suponho que seja a minha amiga Sónia que também foi aos Acores (penso que pela enésima vez) e cujo blog é tão visitado e cujos posts sobre S- Miguel farão, certamente, mais pelo turismo dos Açores que muitas campanhas televisivas.

Quanto a eu "mamar à conta" lamento desapontá-la mas está enganado. Foi a associação para a qual colaboro que "mamou à conta" ou- como dizer isto em linguagem de gente inteligente e com dois dedos de testa?- beneficiou do apoio da AZORES AIRLINES ao abrigo da política de responsabilidade social da empresa. Empresa que, aliás, não me pediu nenhuma contrapartida para o fazer nem em formato de post nem de partilha nas redes sociais porque- lá está!- patrocinou as viagens à associação e não a mim. Eu fui em trabalho como aliás mais colegas meus. Está a ver a sua mente tosca?!

Se agradeci é porque acredito mesmo que as empresas que praticam acções de responsabilidade sociais da forma como a AZORES AIRLINES o faz devem ser reconhecidas e as suas acções divulgadas junto do público em geral, o que faço através do meio que tenho ao meu dispor, o blog.

Vá, respirou fundo?

Quanto Às fotos tremidas e de má qualidade, toda a razão. Temo não ganhar este ano o prémio Nobel da Fotografia. Já nem durmo hoje. Aliás, vou já ver com a minha advogada se não entrou nenhuma acção judicial do Turismo dos Açores contra mim.

De resto, prometo continuar a minha missão de a decepcionar e garanto-lhe que continuarei a falar continuamente, como aliás o faço desde o início do blog, nos Açores como o destino de férias fantástico que é e como local que sempre recomendarei a todos os meus amigos e pessoas que me lêem

Recomendo-lhe que regresse. Tanta amargura é capaz de ser resultado de sindrome de abstinência após 6 anos no paraíso, ou apenas pouco que fazer,vá! Regresse que precisa de desintoxicar! ;)

CM disse...

Não sou Açoreana, aliás costumo gostar de ouvir que sou alentejana!
Mas casei, também eu, com alguém com origens nos Açores e percebo bem sempre que fala e retrata os Açores e as suas gentes.
É de facto assim.
Para mim nas iguarias ficou somente a faltar falar da linguiça do Pico e das sopas do Espírito Santo!

É um bocadinho de paraíso ainda não tocado!

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