sábado, 30 de abril de 2016

Senhoras educadoras, não sejam rabugentas!



Algumas ficaram aborrecidas. Outras ofendidas. Outras indignadas. Outras tristes. A maioria sentiu-se incompreendida. Houve quem me viesse confrontar "Ó minha croma, chica esperta, esperteza de hortaliça, mafarrica, ingrata, pobre e mal agradecida, besta (risquem o que não interessa) diz-nos lá tu que sugeres? Estamos curiosas!"
Temi pela minha materno-vida a pensar que em breve o meu post iria ser partilhado no grupo de facebook das "educadoras ecofriendly amantes de artesanato feito com cápsulas de nespresso" ou - pior!- no grupo de facebook das "educadoras da corrente pedagógica da massa de cotovelo" e isto ia acabar num cagaçal que nunca antes visto. Well, ou quase, vá, que sou especialista em ser odiada em grupos de facebook! Pior que tudo, que as educadoras da minha filha (este ano já foram duas) lessem o meu post e que na segunda feira, à laia de retaliação, levasse bolinha vermelha na tabela do materno-comportamento e não me pudesse levantar da mesa do lanche partilhado (hey, espero que ao menos dêem comida depois da materno-socialização a que vou estar sujeita!) sem comer o pão-de-ló todo que não sabe a nada por conta das mães celíacas, alérgicas ao glúten, à lactose, ao chocolate, à farinha 33 e ao fermento Royal. 
Agora vem a parte que vos irá desiludir na vossa impressão feita sobre mim: eu gosto muito de educadoras de infância! Vá, até podia calhar não gostar, há profissões das quais não gosto como de jornalistas (a culpa é do meu pai!), agentes da guarda nacional republicana ou instrutores de condução. Acontece que gosto. E respeito muito e até sinto uma certa admiração que para mim as crianças são como os puns, só aguento a minha, quanto mais 20 ou 30 duma vez!
Mas lá por gostar de educadoras de infância não significa que considere que (a maioria delas) seja brilhante em tudo o que faz. Também amava a minha avó de paixão e não era por isso que ela se tornava numa brilhante cozinheira, estão a ver a cena?
Já vi festas de Natal fantásticas (a sério, se quiserem ver que festas de Natal maravilhosas não são coisas conceptuais e existem mesmo ide assistir a uma do Colégio do Amor de Deus, em Cascais, só assim a título de exemplo) e já vi festas de Natal que fazem chorar o Jesus, a Maria, o José e as estrelinhas do céu e as pedrinhas da calçada. No que concerne aos presentes do dia da mãe, a verdade é que 95% das coisas que vejo as minhas amigas receberem são (como é que hei-de dizer isto sem melindrar ninguém?!) pa-vo-ro-sas! Me-do-nhas!
Epá, pode ser tudo com muito boa intenção, pode ser tudo com amor e carinho (também pode ser a despachar que a maioria dos putos de JI que conheço estão-se a borrifar para estar concentrados a fabricar presentes e querem é ver-se livres da estucha) mas um trambolho feito com muito amor e carinho não deixa, ainda assim, de ser um trambolho. E, minhas senhoras, se eu sei o que são trambolhos feitos com amor e carinho, ora perguntem à minha própria mãe!
Na verdade, a cena dos presentes reciclado enjoam. Ninguém acha verdadeiramente bonito caixas feitas com fundos de garrafas de plástico de 50 cl de água nem pout pourri encafuados em frasquinhos de Compal essencial. É feio! E só não vai para o lixo nas primeiras arrumações graças à culpa judaico cristão que herdamos no pack oxicitocina pós-parto, tá? Já ninguém aguenta bijuteria foleira feita com cápsulas nespresso e nenhuma mãe usa, de ânimo leve, um colar de cápsulas de café roxas esmagadas ao pescoço para ir trabalhar, ok?
Dizem-me vocês: ah, mas não temos ideias, recursos financeiros, tempo, recursos de material  (risquem o que não interessa) para fazer coisas diferentes. Concedo em alguns casos. No entanto, o bom gosto não tem que ver com materiais nobres ou ideias espetaculares. Amigas, vocês são educadoras no tempo do Pinterest, tá? É só um bocadinho de dedicação a pesquisarem ideias giras! Quem se podia queixar de falta de ideias era a minha educadora Teresa, em 1984, não vocês! Façam uma coisa simples e rápida que não mace os miúdos: um queque embrulhado numa caixa de pasteleiro desenhada por eles, why not? Um saco de pano para as mães irem às compras pintado livremente (beijinho à educadora da filha da Ana Corrêa que teve esta ideia!). Uma porra de um marcador de livros original usando a fotografia deles. 
Ou, como fez este ano um certo psicólogo que conheço, levem-nos à serra plantar uma árvore , à qual poderão dar o nome da mãe. E que, quer mãe quer filhos, poderão visitar sempre que lhes aprouver. Diz que (a maioria das) as mães gostam de prendas eternas. Eu contento-me com bolos. 

De nada. 

8 comentários:

proflm disse...

Sempre original minha querida, amei.Essa da árvore é uma ideia excelente, vou usar no próximo ano.

BG disse...

Recebi precisamente um saco de pano este ano!

Lucente disse...

Pólo Norte, até lhe fica mal queixar-se do pão de ló apto para restrições alimentares, sendo uma pessoa que luta pela inclusão de toda a gente, fiquei tão chocada que foi a única coisa que retive deste post. Os meus filhos são celíacos (não é moda, não é frescura, é uma doença auto-imune sem cura) e a melhor coisa que me podem fazer enquanto mãe numa festa é ter algo que eles possam comer. Como mãe deveria compreender o que é ver aqueles olhos a passarem pela mesa do lanche e saberem que está tudo off limits. E se comeu pão de lá sem glúten sem sabor, comeu o pão de ló errado, eu faço um pão de ló sem glúten que ninguém sequer nota ser isento.

Pólo Norte disse...

Lucente

Não gosto de pão de ló. Isso não implica que não o vá comer hoje, na festa da escola. Pois que vou, sim senhora, até porque não há opções. Não disse que seja moda nem frescura. Constatei que é a única coisa que, neste momento, dão na escola da minha filha em dias de festa e é duro para quem, como eu, não gosta de pão-de-ló.
De resto percebo tudo o que escreve e sinto-me empática. No meu ponto de vista, o problema não é haver pão de ló porque há meninos que têm tudo o resto "off limits". É como só haver boccia como única opção de desporto porque existem meninos paraplégicos na sala. E eu até acho que deveria haver boccia nas escolas para eles perceberem a dinâmica do desporto.
A questão é a mesma. Não é haver pão de ló. É SÓ haver pão de ló.

Um beijinho

Lucente disse...

Pólo Norte, mas isso não é culpa do pão de ló sem glúten ou do facto de haver celíacos, é mesmo normal nas escolas servirem o doce mais simples possível, sem chocolate ou cremes, para evitarem riscos de intoxicações. Na escola do meu filho mais novo nem sequer deixam os pais levarem bolo de aniversário, tem que ser um comprado na pastelaria de "confiança" da escola... O que é irónico porque essa pastelaria não faz bolos sem glúten e eu não posso levar um bolo de casa- sugestão da escola? Comprar um bolo nessa pastelaria para os miúdos da sala e trazer uma fatia de bolo de casa para o meu filho, como se fosse perfeitamente aceitável que um miúdo não comesse do seu próprio bolo de anos! Situação típica no dia a dia de um celíaco infelizmente.

Pólo Norte disse...

Lucente,

Na escola da Ana só entra pão de ló mas feito pelos pais. Na sala dela há uma menina celíaca que já celebrou o aniversário e comeram bolo trazido pelos pais da menina. Também há um menino vegetariano e a Ana veio-me falar num bolo de "crugete" toda entusiasmada.
Mas hoje é a festa com as mães. Podia haver mais variedade e as mães regulavam o que cad filho pode/deve ou não comer! Desculpas-me por ter uma embirração com pão de ló? :P

Outro beijinho

raquel disse...

O JI do António preparou um presente giro!
Uma saca de pano pintada por cada pequeno para levarmos às compras!
Bem gira e dá imenso jeito!
No ano passado foi um necessaire pequenino (pintado por eles tb) para andar dentro da carteira! Continua lá e dá um jeitão!
Ah! e no dia do pai este ano ofereceu um baralho de cartas em que a caixa foi pintada por ele!
Que tal, Pólo? Ideias giras? E práticas...

Purpurina disse...

Por acaso na escola da minha filha fazem umas coisas bem giras. A minha filha trouxe uma almofadinha pintada com as mãos dela. Claro que a educadora é que fez tudo, senão ficava ali uma bela borrada. :D
O meu problema vai ser ter espaço para guardar tudo o que fazem na escola mas confesso que gosto sempre de ver o que ela fez... do cartãozinho à coisa mais complexa.
Por falar em cartãozinho, a ideia do separador de livros é fantástica! Por mim ficava sempre feliz com um cartão ou um separador. Ocupa pouco espaço, serve para a intenção, dá para serem eles a pintar e não deve dar tanto trabalho a imaginar e a fazer, contentava todos os envolvidos na "coisa".

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