terça-feira, 10 de maio de 2016

A Tunísia já não cheira a jasmim

[De repente estou no tribunal com o meu pai. Não nos falamos nem sequer nos olhamos. Acuso a sua 17ª mulher de stalking e a mulher é uma leitora deste blog que entretanto se tornou uma amiga e me ajudou numa fase difícil da minha vida. Saio do tribunal e estou na Tunísia. Faz aquele calor húmido e o grupo separa-se para visitar diferentes pontos turísticos de interesse. A minha mãe vai para um lado com os meus tios e eu sigo na direcção oposta com Mámen e chegamos a Sidi Bou Said e começam a chover granadas e eu corro muito mal. Pessoas em meu redor espancam-se e fecho os olhos com força e sou puxada por Mámen numa correria para a qual não tenho fôlego. A mulher do meu pai está numa gruta a vender ouro e a minha mãe está às compras lá. Entro e pergunto pela Ana, não existe ainda a Ana, nós só temos 26 anos e acabámos de nos casar. As paredes de Sidi Bou Said estão manchadas de sangue e eu entro e estou na sala de espera da consulta de Oncologia com o meu tio. A minha mãe liga-me a dizer-me que voltaram para o hotel e que para eu me apressar que temos que ir embora, que é perigoso, que temos que voltar para casa. 
Acordo, sobressaltada, e troveja e chove com força nas telhas e nas vidraças desta casa. Ele dorme, profundamente, a meu lado. Digo, baixinho, "A Tunísia já não cheira a jasmism", ainda meio embriagada entre o sono e o despertar. Levanto-me e vou ao quarto dela: dorme profundamente. O bocadinho de cheiro a jasmim que consigo cheirar na minha vida neste momento. Não volto a adormecer.]
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