sexta-feira, 13 de maio de 2016

Não é preciso que milagres aconteçam. Basta que o bom senso dos Homens prevaleça.

Houve um tempo em que eu pensava diferente. Que olhava para as novas configurações familiares com alguma desconfiança. Que acreditava que as crianças precisavam de um modelo parental tradicional: de uma figura feminina e de uma masculina, de um pai e de uma mãe. Claro está que esta visão era toldada pela minha experiência de filha de família monoparental com pai ausente. Claro que eu achava que o ideal era que o meu pai os pais quisessem exercer a sua função parental, que a minha mãe as mães não tivessem que ser obrigadas a assumir sozinhas a educação dos filhos, que fosse tudo direitinho como a sociedade hipócrita perfeita  dita. 
Depois cresci. 
Ou melhor, depois olhei em redor e vi outras realidades. Depois olhei para a minha própria realidade e vi o quão injusta estava a ser para a minha mãe (e, olhando para todas as contingências do passado,  acho mesmo que ela não se saiu nada mal). 
Família é amor. 
Seja com dois pais de sexos diferentes, com dois pais do mesmo sexo, família monoparental, biparental, nuclear, alargada, biológica, adoptada, de acolhimento, wahetever, 
Família é e deve ser sempre amor. 
Daí que hoje não possa deixar de me congratular por viver num país um bocadinho melhor que vivia ontem. Um país onde é, agora, possível que uma mulher que não tenha útero, que sofra de endometriose, que tenha tido um cancro que lhe impossibilite uma gravidez, possa ser mãe. Um país onde é possível que uma mulher possa engravidar biologicamente de um filho de outrém, substituindo-a apenas na gestação e não na maternidade. Um país que não discrimina as mulheres, independentemente do seu estado civil ou orientação sexual, no seu direito à maternidade através da da procriação medicamente assistida. Um país que legalizou a possibilidade de mulheres solteiras, lésbicas, sem útero, sem possibilidades de virem a engravidar por outra via possam ter acesso à maternidade. Ao amor de mãe. Que mulheres como eu possam viver este amor maternal que me preenche tanto. Que filhos como a Ana possam ser tão amados quanto ela é. Que bom que é!
Depois da fertilização in vitro, este é o maior passo no que diz respeito à procriação medicamente assistida. E eu aplaudo, De pé. 
Porque mais famílias surgirão, crescerão. Porque família é amor. 

13 de Maio de 2016: não é preciso que milagres aconteçam. Basta que o bom senso dos Homens prevaleça.


(Vai daqui um grande beijinho para a Associação Portuguesa de Fertilidade, na pessoa da Filomena Gonçalves, por todo o trabalho desenvolvido para que este dia fosse a realidade que já é! Bravo a todos vós!)

1 comentário:

Babooshk disse...

A maior e mais valiosa noção que podemos passar às nossas crianças é a noção de igualdade de direitos, e para isso, é fundamental que a nossa lei acompanhe e defenda esse pressuposto.
Hoje demos mais um passo nesse sentido \o/

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