quinta-feira, 28 de julho de 2016

A mnha primeira vez não foi sUBERba



Chamou-se o carro através da aplicação. Viu-se a cara do motorista, a barba bem feita, o nome e segui a trajectória dele por GPS até chegar ali à minha beira. Eu uber-céptica (deixarei de o ser quando a UBER obedecer aos mesmos direitos e obrigações a que são sujeitos os táxis) fui convencida com argumentos bons e com a garantia que a educação e o silêncio imperariam e que o serviço seria irrepreensível.

Estava preparada para uma viagem em silêncio e zen até ao destino até que me liga a minha amiga Marta. Pensei como penso sempre que estou a viajar de taxi e me telefonam: "olha que bom! Ocupada a falar ao telefone há menos hipóteses de converseta..." e falámos de coisas importantíssimas para a Humanidade como a minha nova cor de cabelo, o bronze da Marta e a evolução de mámen na sua saga de deixar de fumar e de como aumentou ligeiramente de peso (a sério, amigos, calem a matraca com comentários sobre gordura de cada vez que o vêem: é desagradável e desmotivador. Na verdade ele não fuma há dois meses e isso é motivo para o congratularem, boa?).
Desligo a chamada, ainda me lembro de fechar os olhos para desfrutar do silêncio bom, depois de uma tarde intensa, e de repente:

"- Desculpe lá, eu não sou surdo e ouvi a sua conversa!"

Oi? Afinal o Uberdutor ouve e fala? E quer interagir? Oi? Não foi isto que me venderam, E continuou:

"Já percebi que o seu marido deixou de fumar e engordou, permita-me que lhe deixe o meu cartão": E seguiu-se uma explicação longa e chata acerca de batidos energéticos, da sua experiência ao ter engordado 20 kg e emagrecido 7 Kg no último mês, sobre o sabor dos produtos e beca beca, Rematou com um: "ah, a senhora também pode tomar, não lhe faz mal nenhum!"

Estava tão entusiasmado no monólogo e eu tão chocada com o facto de estar num UBER como quem está numa excursão de autocarro às pinturas rupestres de Vila Nova de Foz Coa e de repente leva com a venda de colchões que deixou passar o sítio onde deveria deixar-me e eu nem dei conta.

Saí mais à frente e fui a pé até ao meu destino que não aguentava outra volta ao quarteirão, conversa acerca de batidos energéticos e ali, no ar a pairar, com blink blink, a ideia da minha falta de tonificação. Que assumo que é um facto, e para a qual tenho um novo remédio: andar a pé em pequenas distâncias em vez de reincidir no UBER. 

Não é que tenha sido mau: o carro era, efectivamente, mais limpo que os que costumo encontrar nos táxis, a música da rádio melhor e o facto do pagamento ser feito através da aplicação um descanso para trocos e afins. Só temo que da próxima me vendam rifas como na Ryanair ou leve mesmo com os colchões como nos autocarros das excursões para o Alqueva. 

Mater-me-ei fiel aos táxis, por enquanto. Venha daí a Rádio Amália: eu aguento!

4 comentários:

N disse...

Experimenta a Cabify. Motoristas mais silenciosos, sem tarifas dinâmicas (valor fixo/km) e uma garrafa de água para o passageiro. Estou fã. Se quiseres um código com crédito de 8€ aqui fica: NADIAT13

disse...

Nunca me ri tanto... Conheço muitos taxistas e sei que muitos se preocupam com os clientes na mesma proporção que a Uber. Nestes casos deveria ter dito ao Uber que pretendia uma viagem em silêncio pois provavelmente ele tentou ser simpático. Lamento a sua comparação da Uber aos táxis mas o que me fez rir, foi tentar arranjar uma desculpa para criticar a Uber e a única que arranjou foi um motorista falador;))

Pólo Norte disse...



Não se tratou de ser um uburista falador (com esses posso eu bem). Foi mesmo dar-me um cartão de uma actividade paralela e tentar vender-me batidos energéticos enquanto me levava de sítio a para sítio b. Ok, na Ryanair fazem isso com rifas mas, até ver, nunca nenhum me taxista tentou vender-me produtos ou serviços para além da corrida de táxi.

Naturalmente Cusca disse...

E tens ideia se ficou mais barato do que de taxi? (já agora aproveito e fico saber um pouco mais)

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