sábado, 13 de agosto de 2016

A sorte que eu tenho em ter amigas como a Vera




esta mulher tem 5 filhos. quando tinha 19 anos ela apaixonou-se. casou-se. teve um filho, depois outro. mais um. e depois o marido perdeu o emprego. começou a beber. todos os dias quando chegava a casa ele batia-lhe. um dia partiu-lhe um braço com um pau. ela nunca fez queixa dele: ele dizia-lhe que se ela o fizesse ele vingava-se nas crianças. ela teve outro filho. não era fruto do amor, só das relações forçadas a que ele a obrigava. durante anos ela viveu assim. ela aguentou: todos os estalos, todos os murros, todos os nomes. e depois finalmente ela teve o quinto filho. mas este bebé chorava mais que os outros. o pai bêbado, impaciente, gritava com ela. ele batia-lhe porque o bebé não se calava. naquela manhã ele disse-lhe que se o bebé voltasse a chorar durante a noite ele acabava com os dois. calo-o para sempre, disse ele. e ela deixou os outros 4 filhos escondidos com uma tia, porque não podia levar todos, fez as malas e fugiu. ela sabia que o bebé ia voltar a chorar, por isso ela fugiu. ela não tinha um carrinho de bebé, levou-o nos braços. durante 3 dias ela carregou-o nos braços, durante 3 noites ele dormiu no colo dela. e ela chorava baixinho com saudades dos outros filhos. queria ir buscá-los assim que se organizasse. ela pediu ajuda à mãe e a mãe que também só a amou com gritos e tareia disse-lhe que ia pensar. também lhe disse que a culpa daquilo era toda dela. que bem a tinha avisado. que merecia. mas ao fim de 3 dias a mãe disse-lhe que sim, que podia ir viver com ela. e ela comprou o bilhete e esperou no aeroporto. alguns minutos antes da partida ela recebeu uma mensagem: o marido. ele escreveu: tenho os 4 comigo, é bom que voltes depressa. ela começou a tremer. precisava de pensar, precisava de pensar depressa. ela estendeu um pano no chão e com os braços cansados pousou o bebé no chão. ela ficou a olhar para o telemóvel a pensar o que ia fazer. e alguém tirou uma fotografia.
pelo que sei esta é só uma mãe que tomou uma decisão errada. ela queria ir um momento para ir ao facebook, deitou o bebé no chão e alguém que ia a passar tirou uma fotografia para que as pessoas em todo o mundo lhe possam dizer que ela é uma mãe sem coração, uma mulher horrível, uma criatura nojenta e que ela não merecia ter filhos. mesmo que ela seja a melhor mãe do mundo. ela esqueceu-se que hoje as pessoas podem julgar quem quiserem porque temos um telemóvel. e que podemos humilhar publicamente porque há o facebook. que a sorte me livre de, enquanto mãe, ter um mau momento ou tomar uma decisão errada num sítio público cheio de pessoas perfeitas com telemóveis nos bolsos. o mundo está a ficar estranho: porque é errado deitar os bebés no chão para ir ao facebook ou seja lá o que for, mas não faz mal tirar uma fotografia e julgar e humilhar enquanto nos gabamos das partilhas todas que a coisa teve. ter ido perguntar só à mãe se estava tudo bem, se queria ajuda é que seria estranho.


6 comentários:

Xica Maria disse...

Já tinha lido.
É fácil apontar o dedo não é? Deve ser a coisa mais fácil do mundo.
O difícil é admitir o erro.
Há mães que sofrem tanto.

Luci disse...

Perfeito....concordo tanto com o que está escrito...quando vi a imagem e os comentários pensei para comigo que não via nada de mal...mas nem me atrevi a dize.lo pois parecia que só eu pensava assim...que a sorte nos livre mesmo!!!

Ana A. disse...

Quantas vezes dou por mim a fazer o mesmo...
Talves a diferença é que o faço em casa ou tenho o puto no carrinho.
Quantas vezes as mães não precisam de um time Out?!

Lia disse...

Não é dificil perceber porque é que a Vera é uma das minhas bloggers preferidas... EVER!

Isabel Patrício disse...

que rebuscado !

CM disse...

a historia real do que se passou:
http://br.blastingnews.com/mundo/2016/08/saiba-o-real-motivo-que-levou-esta-mae-a-deixar-o-seu-bebe-dormindo-no-chao-001070493.html?sbdht=_pM1QUzk3wsc92cZCv-Cwc0aFKPZ47XBYjeobYbTb5J8DECkYX_PNtg2_

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