As fotografias já não têm negativos, o que vem a ser uma espécie de verdade numa altura em que as imagens tendem a ser uniformemente positivas e felizes, como se ao darmos luz à vida, se mostrarmos apenas o lado solar, o Sol ganhe mais força, mais calor, mais sol. Assim, a vida.
Os negativos das imagens são agora substituídos pelos positivos das memórias, que são, de certa forma, o retrato fiel do andarilho papa-léguas, do viajante que, ao afastar-se fisicamente da sua casa, faz dentro de si uma viagem inversamente proporcional ao local de onde partiu.
Afastando-se por fora, aproxima-se por dentro.
[Eu também.]

Sem comentários:
Enviar um comentário