sábado, 13 de agosto de 2016

Porque ser colono é ser-se mais feliz

Quando me perguntam de que forma as colónias de férias moldaram a minha infância começo num analepse interminável que mete Viseu, barcos-gaivotas no rio, a Vagueira (sempre a Vagueira) no tempo em que os bois puxavam as redes cheias de peixe areal fora, a barraca do Toni e da Lúcia onde se vendiam os melhores gelados da Camy, o Trolaró, o tanque a que chamávamos piscina, o café do Alemão e o início do vício dos ginger-ales, colecções de conchas, circo, fadinhas do mar, os suspiros da padaria, o Nuno corado e o meu primeiro beijo, a base aérea de São Jacinto, bolachas americanas e tripas de ovos moles, 1992, a Gala depois e o João- o miúdo por quem mais sofri por amor- músicas cantadas ao luar com guitarras desafinadas, o "Anzol" e eu que tantas vezes pensei em pintar o céu em tons de azul para ser original, melgas e molsquitos, beijos molhados atrás do pavilhão, Verdepois a Tocha, amizades que se tornaram paixões, segredos e cumplicidades que nunca serão desvendados, a primeira vez que fui monitora, a segunda, a décima, ele a vir comigo, nós a reproduzirmos o que nos proporcionaram, caças ao tesouro, luaus, Verões inesquecíveis.

Hoje já não sou colona mas acredito, cada vez mais, no poder das memórias que se criam em dias seguidos, em momentos partilhados, em experiências desvendadas, em afectos trocados, em Verões cheios de cumplicidades. E na descoberta de tudo, especialmente, da capacidade quando tudo em redor te aponta as incapacidades.

Este ano, na "colónia dos pequenos", houve magia. E estes colonos serão, para sempre colonos. No mais feliz que essa palavra transporta em si.


7

[Obrigada Ana Catarina e Secret Surf School: sois os maiores!]

1 comentário:

Susana S' disse...

São os maiores mesmo! Aveiro :)

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