sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Morram os Pinypons, morram, pim!

Começo por fazer o devido disclaimer: "Sou uma pinypon-ressabiada!". A minha mãe- para além do trauma das fantasias de Carnaval- tinha uma embirração com Pinypons e sempre que podia (e podia sempre) substituia-os por barriguitas com o argumento "são muito mais giros e não são porcarias de plástico". 
Ora o ditado "filha és, mãe serás" aqui em casa é mais "filha recalcada és, mãe ressabiada serás" e jurei a mim mesma e à nossa senhora da Famosa- a marca que comercializa as bonecas- que assim que tivesse uma filha não ia hesitar um minuto no que a Pinypons diz respeito. 
Acontece que as bonecas mudaram e passaram de pequeninas fofinhas de formas toscas a matulonas doces a sexys e com olhos iguais às bonecas de desenhos animados japoneses e com duas faces. Sim, as bonecas têm duas caras: uma que ri e outra que pisca o olho; ou uma que ri e outra que faz beicinho e eu não quero brincar faz-me espécie que a Ana brinque com a boneca que ri, sabendo que escondida na cabeleira postiça verde neón está a cara do olho piscador, à laia de Joker do Batman. 
Faz-me espécie que as bonecas lindas e pueris do meu tempo tenham passado por uma extreme makeover travestizada, pá, que querem?!



A Ana tem 4 anos e até à data não lhe dei nem um Pinypon, razão pela qual é difícil explicar porque raios tem ela duas caixas de plástico de 42 litros cada uma com Pinypons. Reproduzem-se como cogumelos as putas das perucas coloridas, acho que tem mais numa das caixas que todas as que possam existir nos bastidores do "Finalmente".
Encontro mini hamburguers do tamanho de uma unha do dedo mindinho do pé dela no meio das almofadas do sofá todos os dias (sim, há uma mini hamburgueria pinyponiana e alguém lha ofereceu!) e juro que estou assim (imaginar o meu dedo indicador e o polegar a tocarem-se furiosamente espetados) de lhe contar que as fadas não existem e acabar com o seu imaginário Floribeliano se der de caras com mais algum mini unicórnio perdido pela casa. Odeio sereias à custa de estrelas do mar de tamanho microscópico que vinham no Mundo de Sereias Pinypon e que emigram furiosamente para o saco do aspirador, que encontro amiúde, no meio do balde da roupa suja, por debaixo do tapete da sala ou debaixo da cama dela onde, aliás, vivem agora estas duas caixas com todo o universo pinycoiso. Sou perseguida, em pesadelos, pela Pinypon Cinderela (A sério, não podiam deixar o universo dos contos infantis fora disto?! Não? Não?) e acredito, sinceramente, que sofro agora duma espécie de pinyponofobia. 
No aniversário dela presentearam-na com a casa dos Pinypons e eu fiquei sem saber o que fazer. Logo pensei "vou refundi-lo e dar-lho só quando ela tiver uns 16 anos" mas ela foi mais rápida que eu e quando dei por isso já brincava com as bonecas, já acendia e desligava as luzes, já havia todo um excitex à volta do presente. Respirei fundo e pensei "espera lá que já te conto uma história, deixa-nos vir de férias, deixa..."
Viemos das férias. Hoje arrumei-lhe o quarto dos brinquedos e desviei a grande maioria das Pinpypons para bem da minha sanidade mental e  da arrumação da minha casa. 
Sensação de tarefa cumprida quando constato que a casa das bonecas não cabe na caixa gigante que comprei, logo, não consegue ser arrumada. Bufo, zango-me e praguejo e peço, encarecidamente, num post de facebook, aos meus amigos que não ofereçam mais Pinypons à Ana. Quero, desesperadamente, a extinção de todos os Pinypons como aconteceu com os dinossauros nem que para isso tenha que rezar para que um pinypon-meteorito caia no planeta Terra. 
Venho, assim, por este meio pedir desculpas públicas à minha mãe e rogar pela volta dos Barriguitas. Sou menina para iniciar uma petição para isto e tudo #peloregressodasbarriguitasabaixoaspinyponsDeborahKrystall. 





Quem está comigo?

4 comentários:

Pea disse...

Subscrevo na íntegra todo este post. Na ÍNTEGRA. Tal como pode comprovar o meu olho que começou a tremer só de pensar em pinypons. Odeio a hamburgaria, o desfile de moda, a casa, o parque aquático, a casa de contos, o veterinário, a casa das fadas e os milhões de acessórios que povoam a minha casa. E tenho duas filhas, a mais velha e mais apaixonada já de 7 anos, por isso duas más notícias querida Pólo:1.não melhora, 2. A modos que piora. E não desfazendo a mágica ideia de um meteorito pinyponiano (ahhhh sonho) já viste as barriguitas atuais? Deus nosso senhor te livre. Been there e não sei se pseudo adolescentes vamp, maquilhadas ao estilo drag queen e com milhões de acessórios (incluindo rolos de papel higienico reais) em médio tamanho melhora assim tanto.
E legos? Não? Queres falar da lego Friends? Ai, fico por aqui...o olho não pára de tremer e já não vejo nadinha...

Anita disse...

As barriguitas também sofreram um "restyle", já não têm nada a ver com as do "nosso tempo". Felizmente só tenho meninos.

Vera disse...

Esqueceste-te de mencionar a parte em que, sem cabelo posto, os pinypons são assexuados :( eram tão queridos!

Moinho de Vento disse...

Que bonecas horrendas! Dão cabo dos brinquedos todos. Até os pequenos póneis são esquisitos. Tenho saudades daqueles brinquedos simples, que não pareciam porquinhas de top e minissaia. Podiam fazer edições vintage dos brinquedos. De certeza que nós, adultos saudosistas, compraríamos tudo!

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