segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O Halloween é o Starbucks das festividades

 
 
Imaginem que agora começávamos a deixar cair as bicas. Cagávamos para as italianas, os abatanados, os cariocas de café, os cafés em chávena fria ou chávena escaldada. A partir de agora ninguém encostava o umbigo ao balcão nem se sentava na mesa do café a beber uma bica curta e forte. Abolíamos os pacotes de café com frases inúteis e as pequenas colheres de metal.
Imaginem que, a pouco e pouco, quase sem darmos conta todos começávamos a beber Caffè Americano, Caffè Mocca,  Caffè Latte,  Caramel Macchiato,  Frappuccino, mais o "como é que se chama? Saiii uma mocca para a Apólo!" mais a bolacha "amaricana" mais o "não quer levar uma caneca do Starbuks da Bobadela, isto agora substitui as tichartes do Planet Óliude, sabia?".
Imaginem que, dia após dia, o café passava a ser bebido num alguidar de meio litro em copos de papel reciclado, que passávamos a pagar o couro e o cabelo por uma zurrapa trendy, que beber bicas baldes de café em andamento com ar atarefado e urbano em cima de stillettos como em Novaiorque é que era cool, que os empregados do café para nos servirem em vez de dizerem "queria uma bica? já não quer?" ou "um café e um copo de água ou com água?" perguntavam-nos o nome para nos etiquetarem os copos e que "beber um café" passava a ter todo um folclore americano a preceito?
Imaginem, só para complicar um bocadinho, que em vez de "um café e um pastel de nata" a partir de agora era "um Caffè Mocca Latte" com muitas palavras estrangeiras com duplas consonantes para falar de café e um "pretzel.
Imaginem isto tudo não a acrescentar ao que já existe (de bom) em Portugal mas a substituí-lo?
Não é nice, pois não?
O problema do Starbucks é que aquilo pretende ser a feira popular dos cafés. E eu quando vou beber café não quero viver uma "experiência". Quero só beber café: forte, quente e curto. Café.
O problema do Halloween é que pretende ser o Carnaval do Terror com um toque de Pão por Deus não católico. Nada contra o  Halloween se for para se acrescentar, nunca para substituir.
Só  que Portugal já tem Carnaval. E pão por Deus. E para terror e cenas não católicas já nos bastam os sucessivos governos.
 
Buh!

7 comentários:

Sabi disse...

Olá pólo norte!
Portugal (a zona de Coimbra) já tem halloween há muito tempo.. chama-se bolinhos e bolinhos e, antigamente, eram cantados por miúdos enfarruscados. No meu tempo (tenho 29), admito que por influência americana, íamos aos bolinhos com máscaras homemade - caixas dr cartão decoradas, com bocas, olhos e narizes esculpidos, e uma velinha a iluminar. Os fumos da cola ainda a escorrer faziam parte da mística da coisa :p este ano já fiz máscara para o meu filhote, com a caixa dos seus primeiros sapatos ( fez agora um anito) e vamos aoa bolinhos quando o pai chegar :)
A mim doeu-me o coração quando, pela primeira vez no meu bairro "natal" em vez dos miúdos virem com as máscaras cantar os bolinhos, vieram com fatos de bruxas e vampiros pedir "doçuras ou travessuras"...
Eu gosto muito de terror, o dia 31 para nós, cá em casa, é um dia de halloween, com direito decoração e tudo... mas nós chamamos-lhe celebrar os finados e cantar oa bolinhos e bolinhós (e ver filmes de terror para os adultos) - as decorações mais Hollywoodescas ou starbukianas vieram acrescentar, mas nunca substituir a festa :)
Já agora, isto dos filhos é mágico: o meu "plural", que nunca cantou oa bolinhos porque nasceu e cresceu para lá dos montes, e que nunca cantou os bolinhos nem que fosse para fazer coro comigo, já anda a treinar a letra há dois dias:
Bolinhos e Bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
À porta daquela cruz
Truz truz truz truz (bater à porta)
A senhora que está lá dentro
Sentadinha num banquinho
É favor de vir cá fora
Para nos dar um tostãozinho.

Cláudia S. Reis disse...

Eu nem acho grande piada ao Halloween (tal como nunca achei ao Carnaval, nem mesmo em miúda). Mas enquanto Educadora tenho que alinhar com os pequenos - que vivem fascinados com isto e falam no "Halalowen" logo uns quinze dias antes - e proporcionar-lhes um dia espectacular. E durante aquelas horas de trabalho esqueço-me que máscaras e eu não combinamos. Ossos do ofício.

doida disse...

Sou educadora, mas não "promovo" o Halloween. Quem quer vem de casa com alguma máscara alusiva e mais nada. Falo é de uma festa que se faz por aqui e que é a primeira das festas de inverno: "Festa da Cabra e do canhoto". Tem origem celta e continua-se a festejar numa aldeia remota do concelho de Vinhais (Cidões).

Red disse...

Confere: para as bandas de Coimbra não há cá pão por Deus, mas equipas de bolinhos e bolinhós! :D

Ana Teixeira disse...

Concordo... E assassino por baixo!
Respeito tradições e gostos americanos.
Mas não me obriguem a gostar de uma importação comercial.
Ainda se fosse o Dia de Acção de Graças! É que para comer estamos sempre prontos! ��

Lia disse...

Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa

Ou

Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho

:)

Sabi disse...

Também tinhamos o
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum anjinho

Mas era reservado para quem dava 200 escudos ou um pacote de bolachas recheadas :)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...