segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
A ternura dos 40
Sabes que isto não vai para melhor quando deixas de ter sonhos coiso com o José Fidalgo e passa-los a ter com o Nuno Lopes.
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Ainda bem que não havia CPCJ nos Carnavais dos anos 80
Toda a gente já sabe de trás para a frente os meus recalcamentos carnavalescos d
Ah, mas são verdes!
Era uma vez uma amiga que, a propósito da casa nova, decidiu-se a jardinar.
Comprou terra no Aki, comprou uma espécie de vasinhos mignon e um varão para os pendurar no IKEA e comprou sementes no mercado.
Pensou começar com sementes de coentros e assim o fez. Envolveu a filha na tarefa de semear, de regar e sempre prometendo-lhe que a primeira apanha seria para um arrozinho de coentros, receita da tia Manelita muito do agrado de toda a família.
Dá-se que a coisa cresceu e não deu coentros, pelo que, graça à pressão da filha e à troça do marido gostaria- está minha amiga- de confirmar que não vai cozinhar arroz de daninhas.
Agradecida aos verdes-entendidos que lêem este blog.
Vestidos, pantones de pele, palmas à leão marinho, herpangina, lalafail. E a minha culpa no flop dos Óscares.
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| Imagem da autoria do Hardcore Fofo |
[Aquelas pessoas com pijamas pinguços, de carrapitos mal feitos, soquetes por cima das calças dos pijamas, besuntadas de mascaras de nivea nas trombas antes de dormir e a opinar sobre os modelitos da red carpet, muito críticas? Sei. #euzinha]
- Disclaimer: eu não queria que ganhasse o Lalaland. Musicais para mim lembram-me sempre aquela noite em que tive um pesadelo em que estava num elevador preso entre dois andares com a Wanda Stuart e o Henrique Feist a berrarem-me aojouvidos. E isto não é uma metáfora.Sonhei mesmo. Pesadelei, aliás;
- Dos 'estidos e fashion-coisas: tudo muito cor de pó de arroz das velhas dos anos 80, um com um lençol em forma de leque como há no Requinte Motel a servir de avental, uma de viúva sevilhana, outra de vestido reciclado feito com aquelas forminhas de papel de prata plissadas, cabelos de anos 80 em corpinhos com decotes em estágio para serem mamografados, capinhas de capuchinhos vermelhos em todas as cores, cintinhos fininhos e siga a marinha que não há paciência para perder tempo com análises metafísicas sobre trapos;
- Um Mel Gibson com a cor de pele igual à do Donald Trumpas e uma Nicole Kidman que de ano para ano nos surpreende com um pantone de pele abaixo do do ano anterior (eu aposto as minhas fichas em como está anémica: vejam-lhe o branco dojolhos, por amor da Santa!) e que este ano nos mostrou a arte de bater palmas à laia de leão marinho para não estragar o gelinho;

- O sonho americano ainda existe. Só assim se explica que o Gary e a Vickie, dois matulões de Chicago tenham apertado a mão ao Denzel Washington e beijado a manita à Meryl Streep (que apesar de "sobrevaloriada" é, inequivocamente, a melhor actriz de todos os tempos, mesmo depois de entregar o corpo às balas a mamamiar);
- Infelizmente, a gala foi morna como as 50 sombras, com discursos políticos muito softs (mesmo o do realizador iraniano não teve nenhum efeito passional nos telespectadores), um apresentador com piada mas demasiado politicamente correcto e sem posições carismáticas por parte dos intervenientes;
- Cheguei a temer que aquilo só arrebitaria com a entrada de uma Wanda Stuart em palco ou com o elenco do La Féria (portugueses do it better, ó amaricanos!) mas... thank God we'll always have Lalafail!
- Isto poderia ter sido escrito logo pela matina? Poderia. Mas a minha filha vai a festas de aniversário e em vez de trazer de souvenir um saco de doces traz uma herpangina pelo que passei uma noite de Óscares peculiar. Já se sabe que a culpa é de eu não ter amamentado, claro. Não só da miúda ser uma "pega-monstros" mas incluindo do Lalaland ter ido com os lalaporcos.
De facto, é urgente "make America great again"
Portugal - 1997 (20 anos antes)
Miss Universo 2015
Os americanos (nem nos fails) já surpreendem, pá!
sábado, 25 de fevereiro de 2017
A maternidade numa palavra
Ontem perguntaram-se o que escolheria se só pudesse resumir a maternidade numa palavra.
Deslumbramento.
[E vocês?]
Deslumbramento.
[E vocês?]
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Sobre a maioria das máscaras DIY que vejo na minha timeline




A conta da terapia dos vossos filhos adultos vai justificar a diferença de preço que pouparam por não terem optado por fatos de Carnaval comprados.
O meu hotel de luxo preferido tem 3 estrelas

No outro dia, numa conversa de amigas, falávamos nos nossos hotéis preferidos. Já se sabe que o que umas privilegiam outras não dão importância e isto dos critérios pelos quais se gosta muito de ficar num sítio é uma escolha muito pessoal.
Cá em casa passeamos muito. Somos uns verdadeiros "galdeirões" e nada preconceituosos: gostamos de hotéis de charme, pousadas de Portugal, turismo de habitação, montes alentejanos e turismo rural, auto-caravanas, glamping, eco-resorts, cabanas na serra de Candeeiros e bolhas na serra da Malcata, hostéis que são sempre uma incógnita, enfim... somos uma galdeirões aventureiros e sem medos.
O Hotel Golf-Mar fica ali numa arriba perto de Santa Cruz e da Ericeira. É um hotel antigo mas que não perdeu um pingo do seu charme, um hotel despretensioso e familiar, sem luxos mas com conforto, perfeito para famílias.
Fomos convidados a lá passar um primeiro fim-de-semana e adorámos. Fomos lá passar um segundo e confirmámos. Depois escolhi-o para passar o meu aniversário. E foi, meses depois, o Golf-Mar que acolheu crianças e jovens com deficiência e famílias com quem trabalhamos para um fim-de-semana inesquecível, onde se formaram cuidadores e se capacitaram pessoas com deficiência, deixando-os experimentar, cair, frustrar e conseguir.
Este ano, para o aniversário de mámen, não tínhamos nada planeado. A minha sogra estava cá (correu muito bem: nada a declarar, infelizmente para o conteúdo do blog, felizmente para nós) e atrasámos-nos de manhã. Fomos para a estrada com a ideia de que queríamos ir para Oeste mas já eram praticamente horas de lanche quando estávamos avançados na A8.
Mámen lembrou-se que bom, bom era almoçarmos no maravilhoso buffet do Hotel Golf-Mar (são 20€ por pessoa e a variedade é excelente para além de deliciosa!) e eu liguei para lá, justificando que era o aniversário do rapaz e que lhe tinham dado golf-mar desejos de última hora, mas sem fé, na expectativa de me mandarem dar uma volta ao bilhar grande, tendo em conta o adiantado da hora (o restaurante fecharia dentro de meia hora). Atenderam-me com a simpatia de sempre e garantiram-nos que esperariam por nós, mesmo que chegássemos em cima da hora de fecho do restaurante.
O que seguiu foi um luxo tão grande, tão grande que nenhum hotel de 6 estrelas do Dubai ou resort em ilhas paradisíacas conseguiria superar:
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Silogismo cavaquista

Cavaco Silva tinha reuniões à quinta-feira
O lobisomem do Roque Santeiro atacava as donzelas de Asa Branca às quintas-feiras
Logo, Cavaco Silva é o professor Astromar?
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Estive a ouvir músicas de outros países que estarão a concurso este ano no Festival da Eurovisão
Estão a ver o Brexit?
Está explicado.
Está explicado.
Ana- a gráfica
"- Avó, o Lourenço disse-me que está apaixonado por mim e eu até fiquei congelada e com corações nos olhos ! "
Estou uma beca cansada de clichés
Morangos com chantilly. Hugh Grant a fazer de de marido traidor e depois de ex-marido arrependido.
Laura
Fotografia de Paulo Barros Cardoso
Laura é risonha, intrépida e perspicaz. Laura é curiosa, tagarela e extrovertida. Laura é irrequieta, simpática, inteligente.
Laura é feliz.
Ter a Laura nas nossas vidas faz-nos, também a nós, mais felizes.
Laura é das minhas "sobrinhas" emprestada a mais próxima da sua "tia Uiuiana", a mais parecida comigo, tanto que às vezes penso que o sangue é mesmo gosma e que família é muito quem escolhemos.
Laura é a melhor amiga da Ana.
Celebra hoje o seu quarto aniversário e eu desejo, com muita força, para sempre, que ela continue sempre assim: muito feliz para sempre.
Feliz ano novo, querida Laureca sapeca! Feliz ano novo!
"Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola, Moçambique, Goa e Macau, ai fui até Timor num peniiiico voaaaador!"
A expectativa era grande.
Toda a gente já sabe que eu sou uma festivaleira popularucha. Jantámos cedo e fizemos morangos com chantilly para mim e pipocas para eles: já se sabe que Festival da Canção pede doces.
Sentámo-nos e começámos a assistir, na esperança que um novo fôlego viesse com este convite a compositores portugueses mais ou menos conhecidos e com cantores paridos por concursos de talentos.
Torci logo o nariz à coisa estar organizada em duas eliminatórias. A ideia, provavelmente, será rentabilizar o espectáculo em dois domingos seguidos mas perde o encanto uma pessoa ter que acompanhar um espectáculo às prestações, sem saber realmente qual a canção vencedora para nos representar na Eurovisão. Mas siga.
O formato do espectáculo era mais ou menos o mesmo que o de uma gala dos tais concursos de talentos. O Festival da Canção merecia um espectáculo à séria, numa sala de espectáculos icónica, com uma plateia cheia e vestida a rigor, com um Eládio Clímaco e uma Ana Zanatti dos tempos modernos, vestidos a rigor e por detrás de um palanque com um microfone. E não- lamento!- a Sónia Araújo e o Malato não estão nem lá perto...
A ideia do painel de jurados foi assim, como hei-de explicar: meh. Foi giro rever a Gabriela Schaaf do "Hoje há Conquilhas, amanhã não sabemos" e do "Ai quem me dera ter um homem muito brasa pra pegar na mala e levar pra casa" (de quem eu já escrevi aqui), a Dora, o Tozé Brito e o Ramón Galarza e uma pessoa comenta que está tudo envelhecido e meio gasto (menos a Dora. Dora filha: quero o segredo da marca dos teus cremes,milher!) mas depois não percebe porque chamam o Nuno Markl para estas coisas (se for por causa da "Caderneta de Cromos" que até já acabou há duas décadas na rádio assumam de vez o convite e encaixem-nos na RTP Memória) nem a Inês Lopes Gonçalves, de quem até aprecio o estilo no "5 para a meia-noite" mas que tinha tanta lógica estar ali no meio como o Macaco Adriano. Devolvam-me um juri de Bragança e outro na Região Autónoma da Madeira e um de Portalegre e nem o Júlio Isidro salva a honra a este convento.
É nestas alturas que penso que estou uma conservadora cheia de bafio, uma saudosista pior que o Markl e os morangos já nem me caiem bem no goto. E tento concentrar-me no mais importante: as músicas. As músicas!
Eu adoro a Márcia- este é já um disclaimer. Mas achei-a tão desconfortável naquele papel como estava dentro daquele vestidinho branco. Foi assim uma facadinha no meu coração marciano. Next!
Depois vieram umas meninas vestidas à anos 70, todas elas folhos, todas elas revivalismo, com uma melodia que não ficava no ouvido e eu comecei a ficar pessimista.
Não sei quem é o Fernando Daniel mas mámen garante que é o irmão mais novo que o Miguel e o André. Eu não faço puto ideia de quem é o Miguel e o André mas acenei que sim com a cabeça, que o homem punha música na Rádio Lumena há 30 anos. Outro que não me convenceu.
Deolinda Kinzimba tem aquela voz de soul que promete mas não há milagres e a música também não era espectacular. Que Santa Rosa Lobato de Faria nos proteja, senhores!
O Rui Drummond é um mistério para mim. O homem canta bem, é giro que é, tem um ar querido como tudo e eu até voltei a lembrar-me da Schaaf ("para pegar na mala e levar para casa, lalalala") mas... não pega. Nunca resulta.
A seguir veio uma senhora igual à senhora que me fez o piercing em 1998 a cantar um "ingalês" e eu estava quase a cortar os pulsos e já disposta a enfardar o mega fail do meu bolo de grelos.
Finalmente, a noite estava salva: Luísa Sobral- despretensiosa e honesta- estava em cena. Uma melodia maravilhosa e uma letra linda, como sempre nos habituou, muito ao estilo Luísa Sobral (é preciso muita pinta para se criar um estilo próprio) e se ignorar que o Salvador Sobral tinha uma farpela 5 números acima do dele e uns trejeitos a cantar que parecia que lhe estava a dar uma travadinha e pequenos acidentes isquémicos cerebrais em catadupa, tenho que dizer que fiquei mega fã da canção. Só que... não era uma música festivaleira. Era uma bela balada mas faltava-lhe orquestra, ritmo, refrão que ficasse no ouvido ("Chamar a música, música, tê-la aqui tão peeeeerto") e uma apoteose final ("Há sempre um sonho, até ser diiiiiiiiiiiiiia").
A noite foi salva pela Kika e dois muchachos IL Divo luso-brasileiros numa música com uma letra muito Giftiana mas- finalmente!- uma música festivaleira. Claramente, a melhor das oito que assistimos mas, ainda assim, não perfeita, longe do ideal.
O Festival da Canção não serve para muito nem sequer é um evento que nos eleve a auto-estima por aí além quando vamos lá fora à Eurovisão. Mas deu-nos, ano após ano, alegria e memórias musicais, forneceu-nos temas para karaokes até ao ano 2080, letras que interpretamos vigorosamente em viagens longas com amigos, sorrisos de cada vez que nos lembramos delas.
Para este Festival da Canção tinha a mesma expectativa. Não espero ganhar nada numa Eurovisão que tem um concorrente romeno deste calibre.
Maaaaaassss ("não condeno esta paixão!")... ao menos, criem músicas que venham a fazer parte do imaginário da minha filha, tá?
domingo, 19 de fevereiro de 2017
As Anas da minha vida
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| Presente da Ana para a avó: o retrato da avó feito por ela no início do ano lectivo gravado numa medalha |
Sorriem quando se vêem e vêem-se todos os dias. A pequena encaixa-se no colo da grande de uma forma personalizada. Estão sempre de mão dada. Cantam em conjunto. Raramente se zangam. Aprendem uma com a outra. Ensinam coisas uma à outra. Têm segredos que não contam a ninguém. Têm piadas e histórias privadas. Dão gargalhadas juntas. Lêem histórias. Fazem jogo simbólico de forma primorosa. Partilham repertório de cantigas, histórias, lengalengas e adivinhas. Prevaricam em mil coisas que eu nunca chegarei a saber. Têm um código de vida comum. Dão muito bem a volta uma à outra. Cedem e negoceiam sem gritos nem birras nem zangas nem chatices. Cedem aos caprichos uma da outra. Fazem muitas coisas para se agradarem mutuamente. Escondem-me coisas. Têm uma relação ímpar.
Gostava que a minha filha fosse sempre como a neta da minha mãe.
Gostava que a minha mãe tivesse sido na minha infância como é a avó da minha filha no presente.
Mais acção e menos ético-demagogia*
Pedro Morais Vaz in "Observador"
[Neste texto tudo aquilo em que acredito e que defendo desde sempre: para quem precisa da ajuda a motivação de quem o faz é absolutamente acessória, desde que ajude. Para quem precisa de ajuda só a ajuda efectiva importa.]
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Poesia em propriedade horizontal ou no condomínio como na vida
Na minha última reunião de condomínio um dos condóminos suspirou, com um tom filosófico, o seguinte desabafo:
"Isto não há verdades absolutas: o seu tecto é o meu chão!"
Ando há que tempos a pensar nisto...
"Isto não há verdades absolutas: o seu tecto é o meu chão!"
Ando há que tempos a pensar nisto...
Por falar em bolos deliciosos..*
Não posso deixar aqui de registar que, a propósito do aniversário da minha mãe, provei o bolo mais delicioso de sempre com a conjugação de ingredientes mais saborosa ever e que- a partir de agora- vou querer repetir em cada festa de aniversário cá de casa.
O seu a seu dono:
O seu a seu dono:
Bolo de pistachios, framboesas e mousse da Sofia do Les Gourmandises de Sophie
(*é a chamada "saída de fininho" do tema dos bolos)
Isto é capaz de ser sintomático de como as coisas acontecem na minha vida
Era uma vez uma miúda que viu num status da sua amiga Joana Roque um crumble de maçã.
Vai daí e foi procurar a receita ao seu blog e enquanto vagueava por lá deu de caras com um bolo de agrião com muito bom aspecto.
Foi ao frigorífico e seguiu a receitinha todinha. Nos entretantos, já com o bolo no forno, entra o seu marido na cozinha e exclama:
- "Ena, pá! Bolo! É de quê?
- "De agrião"- exclamou a miúda orgulhosa.
- "Mas nós não tínhamos agriões em casa..-"- constatou o espertinho da hortaliça
"Temos, sim! Comprámos esta manhã no mercado de Cascais"
- "Hum... comprámos grelos, lembras-te?"
- "Vamos comer e vamos gostar, ok?! E nem um piu sobre o assunto, bale?"
...
(No forno ainda. Rezem por mim.)
Vai daí e foi procurar a receita ao seu blog e enquanto vagueava por lá deu de caras com um bolo de agrião com muito bom aspecto.
Foi ao frigorífico e seguiu a receitinha todinha. Nos entretantos, já com o bolo no forno, entra o seu marido na cozinha e exclama:
- "Ena, pá! Bolo! É de quê?
- "De agrião"- exclamou a miúda orgulhosa.
- "Mas nós não tínhamos agriões em casa..-"- constatou o espertinho da hortaliça
"Temos, sim! Comprámos esta manhã no mercado de Cascais"
- "Hum... comprámos grelos, lembras-te?"
- "Vamos comer e vamos gostar, ok?! E nem um piu sobre o assunto, bale?"
...
(No forno ainda. Rezem por mim.)
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Toda a verdade sobre bochechas de porco
Temperas as bochechas com sal. Levas ao lume a refogar cebola, alho e louro mas não deixes alourar. Depois pões um raminho de alecrim fresco e uma chouriça alentejana, cortada ao bocadinhos, e polpa de tomate com tomate fresco cortado ao poucos. Só quando o tomate começar a desfazer é que juntas as bochechas e deixas ganhar cor de ambos os lados (se forem de boa qualidade vão inchar e parecer que ficam duras mas não te preocupes). Agora é regar com bastante vinho tinto até cobrir tudo e se preferires põe um pouco de molho worcester para dar um kick. .É esperar que cozinhe até as bochechas quase se desfazerem com o garfo e o molho ter reduzido e fica delicioso!"
A receita é do meu amigo Paulo Cabrito.
E- pode ter sido sorte de principiante, que pode!- mas... fica mesmo delicioso!
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Iscas de vaca, hambúrgueres, almôndegas, panados de peru, alcatra, um coelho inteiro, ganso (!) e- sim!- até bochechas de porco
Fui ao talho e encontrei um ex-namorado de adolescência que não via há mais de vinte anos.
Tinha tanta converseta para pôr em dia que trouxe carne que nunca provei e nem sei cozinhar...
[Envelheceu muita bem e continua giro para cacete]
[Mámen continua intrigado porque raios me lembrei eu de experimentar cozinhar bochechas de porco estufadas para o jantar.]
Por falar em S. Valentim...
Tenho uma amiga que, a propósito da mudança de casa, andou a arrumar os seus livros e percebeu que já bateu mesmo no fundo no que diz respeito a desgostos de amor em geral e dinheiro deitado ao lixo em livrarias em particular.
[Oh, oh e não haver aqui nenhuma MRP...]
[Oh, oh e não haver aqui nenhuma MRP...]
Pikachu: where are you?
Se já passou a febre da caça dos Pokemons significa que eles agora andam todos ao Deus dará?
Amizade em tempos de cólera
Ser amigo não é uma tarefa fácil. Falo quer do ponto de vista do emissor da amizade como do receptor, nesta dupla função que todos desempenhamos naquele que, a meu ver, é o único papel que implica reciprocidade.
Pode-se estar apaixonado sem ser correspondido. Pode-se ser amado ser amante. Mas amigo, não. Pode-se até gostar de pessoas quem nem estão aí para nós, ou que ignoram a nossa existência ou que- simplesmente- lhe são indiferentes. Eu, por exemplo, gosto muito do Jorge Palma e ele não está nem aí para mim. Nem sempre- aliás, na maioria das vezes- as pessoas de quem gostamos têm que ser nossas amigas, embora muita gente tenda a confundir as coisas e achem que" gosto, logo existo como amigo".
Eu não tenho vida para ter um rancho de amigos, embora a minha vontade e motivação idealista gostasse de acenar afirmativamente que, sim senhora, vamos lá a isso, all together now.
Ser amigo desgasta e cansa e é preciso força anímica para isso. Para gostar não, gosta-se como se respira, com naturalidade ou porque nos agradam os valores da pessoa, ou porque simpatizamos com os seus modos ou apreciamos a sua companhia. Ou, no meu caso patológico com o Jorge Palma , porque se admira a inteligência, a voz e a poesia. Mas isso não faz se nós amigos.
Há alturas na vida em que é difícil ser amigo. E nem é nas alturas em que dá trabalho, gasta-se energia, precisamos de dedicar tempo, paciência, ajeitar os ombros para lhos chorarem em cima, mudar as nossas vidas para estar presente ou apoiar quando nem se concorda. Ser amigo é especialmente difícil quando o amigo, do lado de lá, fica quieto e sossegado e pede um tempo.
Dar um tempo no amor é duro mas está na cartilha das relações e implica uma de duas estratégias: a célebre técnica do EAP (encostar à parede) do "ouve lá, queres tempo, compra um relógio, seu bandido! Onde já se viu? Eu dou-te um tempo, ah se dou! Queres andar aí a mijar fora do penico em reflexões do "problema-não- és-tu-sou-eu" e esperas que depois eu esteja aqui à tua espera de braços abertos, à tua mercê, era mais o que faltava, tira mazé o cavalinho da chuva, espera lá mas é sentado!"; ou a técnica do choro, crise existencial e drama melodramático que encurta o tempo para meio dia e "vamos fazer as pazes e o sexo louco e desenfreado e já passou!"
Na amizade ninguém está habituado a pedir tempos. As pessoas ficam muito confusas quando a outra pessoa diz que não lhe apetece ir ao cinema sem inventar uma desculpa que não magoe nem fazendo o sacrifício para agradar à amizade. Na amizade quase ninguém percebe que a necessidade de silêncio, de afastamento, de resguardo ou apenas de solidão não implica zanga, discórdia, mágoa ou cólera e que aquilo do "o problema não és tu, sou eu" não é a balela que se pratica no amor.
Amar é mais fácil que ser-se amigo. Amar é uma acção, um estado de espírito, uma forma de viver. Ser-se amigo é uma parte da nossa existência, é um contínuo, um bocado de ser. Por isso não se pode amar sem gostar com todos os altos e baixos que traz o amor, a paixão e os sentimentos em looping dentro de nós. Pode-se amar sem ser amado com toda a dor, raiva, zanga e revolta em looping dentro de nós. Amar é uma viagem de montanha russa. É uma corrida de obstáculos, uma prova de atletismo que se renova, um triatlo constante
Ser amigo implica gostar mas é mais restrito porque pode-se gostar de muita gente sem sermos seus amigos mas não se pode ser amigo sem que o destinatário da nossa amizade goste de nós. Ser amigo é extremamente exclusivo porque implica essa reciprocidade, essa lealdade, esse respeito pelo outro como parte integrante de nós, essa compreensão dos tempos e dos espaços, da necessidade de presença ou de afastamento, essa gestão astuta da "presência", essa certeza de que- aconteça o que acontecer- eu farei a minha parte para preservar isto que há entre nós para sempre. Mesmo que não compreenda, mesmo que não concorde, mesmo que seja difícil de aceitar. Gostar e ser gostado é o compromisso mais sério desta vida. Ser amigo é uma viagem de cruzeiro. Uma viagem em alto mar. Uma maratona.
Obrigada aos meus amigos que respeitam os meus tempos. Que não exigem. Que não cobram. Que perdoam e relevam. Que percebem a necessidade de silêncio, de afastamento, de solidão. Que sorriem face à ausência de telemóvel. Que quando me encontram sorriem como da primeira vez. Ninguém pode gostar do outro e deixar-se gostar sem ter os seus tempos acertados, os seus espaços individuais arrumados, a sua energia recarregada, Obrigada por esperarem, sempre. Por se manterem. Por continuarem aí, para mim.
Levantei-me da rede. O meu coração é vosso.
Levantei-me da rede. O meu coração é vosso.
[Feliz Dia dos Amigos.
Porque o Dia dos Amigos é quando uma ursa quiser. ]
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