É evidente que podemos tentar escrutinar as motivações de cada um na esperança de separar os altruístas dos fariseus ou até assumir aprioristicamente, na esteira de Tocqueville, que uma pessoa só dá esmola porque gostava que os seus conterrâneos fizessem o mesmo por si, caso se visse naquela triste condição. Podemos questionar-nos se Marcelo Rebelo de Sousa, quando dá um abraço a um concidadão que sofre, o faz por se compadecer com aquele sofrimento, por gostar que fizessem o mesmo por si, por saber que tem câmaras nas suas costas ou por um misto de tudo isto. Este é, contudo, um exercício condenado ao fracasso, visto que nunca vamos conseguir compreender, em plenitude, o que motiva cada pessoa (provavelmente nem as próprias o saberão), muito menos todas as pessoas. O mais provável é acabarmos por cair em generalizações e rotularmos todos, injustamente, de santos ou hipócritas.
[Neste texto tudo aquilo em que acredito e que defendo desde sempre: para quem precisa da ajuda a motivação de quem o faz é absolutamente acessória, desde que ajude. Para quem precisa de ajuda só a ajuda efectiva importa.]
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