sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O meu hotel de luxo preferido tem 3 estrelas



No outro dia, numa conversa de amigas, falávamos nos nossos hotéis preferidos. Já se sabe que o que umas privilegiam outras não dão importância e isto dos critérios pelos quais se gosta muito de ficar num sítio é uma escolha muito pessoal.

Cá em casa passeamos muito. Somos uns verdadeiros "galdeirões" e nada preconceituosos: gostamos de hotéis de charme, pousadas de Portugal, turismo de habitação, montes alentejanos e turismo rural, auto-caravanas, glamping, eco-resorts, cabanas na serra de Candeeiros e bolhas na serra da Malcata, hostéis que são sempre uma incógnita, enfim... somos uma galdeirões aventureiros e sem medos.
O Hotel Golf-Mar fica ali numa arriba perto de Santa Cruz e da Ericeira. É um hotel antigo mas que não perdeu um pingo do seu charme, um hotel despretensioso e familiar, sem luxos mas com conforto, perfeito para famílias.

Fomos convidados a  lá passar um primeiro fim-de-semana e adorámos. Fomos lá passar um segundo e confirmámos. Depois escolhi-o para passar o meu aniversário. E foi, meses depois,  o Golf-Mar que acolheu crianças e jovens com deficiência e famílias com quem trabalhamos para um fim-de-semana inesquecível, onde se formaram cuidadores e se capacitaram pessoas com deficiência, deixando-os experimentar, cair, frustrar e conseguir.

Este ano, para o aniversário de mámen, não tínhamos nada planeado. A minha sogra estava cá (correu muito bem: nada a declarar, infelizmente para o conteúdo do blog, felizmente para nós) e atrasámos-nos de manhã. Fomos para a estrada com a ideia de que queríamos ir para Oeste mas já eram praticamente horas de lanche quando estávamos avançados na A8.

Mámen lembrou-se que bom, bom era almoçarmos no maravilhoso buffet do Hotel Golf-Mar (são 20€ por pessoa e a variedade é excelente para além de deliciosa!) e eu liguei para lá, justificando que era o aniversário do rapaz e que lhe tinham dado golf-mar desejos de última hora, mas sem fé, na expectativa de me mandarem dar uma volta ao bilhar grande, tendo em conta o adiantado da hora (o restaurante fecharia dentro de meia hora). Atenderam-me com a simpatia de sempre e garantiram-nos que esperariam por nós, mesmo que chegássemos em cima da hora de fecho do restaurante.

O que seguiu foi um luxo tão grande, tão grande que nenhum hotel de 6 estrelas do Dubai ou resort em ilhas paradisíacas conseguiria superar:
no restaurante- entretanto já fechado- os empregados tinham-nos guardado a nossa mesa preferida, reposto as ofertas de peixe e de carne e reforçado a mesa de doces. Reconheceram-nos e perguntaram-nos pelos miúdos da associação com quem tínhamos lá estado em Outubro, trouxeram-nos o vinho à temperatura certa e não estavam com cara de frete nem zangados por aquele "capricho" permitido pelo Hotel. Receberam-nos com genuína alegria, serviram-nos com o requinte e a alma de sempre, foram uns queridos com a Ana e (não sei como conseguiram: juro!) no final da refeição ainda nos brindaram com um pequeno bolo de aniversário (que com eles partilhámos) enquanto cantavam os parabéns a mámen. Sentimo-nos, verdadeiramente, em casa.


Podia melhorar? Pode. A Ana não queria voltar para casa sem passar no Vimeiro Clube Aventura mas estava um tempo farrusco e demos com o nariz na porta. Ligámos ao querido Pedro, gerente do Clube Aventura- e que em Outubro ofereceu experiências de rappel e slide adaptados às pessoas com deficiência para quem trabalhamos. para lhe perguntar se o Clube estava mesmo encerrado, de folga ou assim, e, embora em trabalho externo a acompanhar grupos empresariais em team buildings, pediu-nos uns minutos para mobilizar gente para nos receber (a Ana estava como o pai, cheia de golf.mar desejos e queria andar com a avó nas bolas gigantes). E foi assim que, num ápice, fomos surpreendidos pelo próprio Pedro para abrir de propósito o Clubinho para nós e permitir que a minha filha usufruísse da experiência das bolas com a avó paterna e mámen tivesse uma tarde muito, muito feliz com as mulheres da sua vida.

Esta é a minha definição de hotel de luxo.

Não são estrelas, não são mariquices: é a sensação de estarmos em casa, com pessoas com quem gostamos de estar, sem cerimónias nem peneirices, com a sensação de estarmos entre os nossos. Verdadeiramente, em casa. 

Obrigada Hotel Golf-Mar e obrigada Clube Aventura: não há estrelas que cheguem para vós!

1 comentário:

schmupie disse...

E foi nesse hotel que conheci o me home :)

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