quarta-feira, 1 de março de 2017

Foi Carnaval e nem sei como não passei mal

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Com tanta coisa que se discute no Parlamento, nas mesas de café e nos comentários a status de facebook, ideias de se mudarem os feriados todos para a segunda-feira seguinte, de se suprimirem os católicos que somos um estado laico, de não comemorarmos o Natal nas escolas (pela mesma razão) nem o dia do pai nem o da mãe para não melindrarmos as crianças órfãs e as filhas de pais cretinos como o meu, com ideias de encurtarem férias de Verão (que jeito tem férias escolares de Verão sem o mínimo de três meses, senhores?), de não importarmos o Valentine's nem o Halloween, de se abolirem os TPCs (tenho pena da professora da Ana porque eu vou ser porta estandarte dessa bandeira a partir do primeiro dia de aulas dela até ao último) e tudo e tudo, ninguém se lembra do que é verdadeiramente importante: regulamentar o Carnaval!


Primeiro: urge mudar a data do Carnaval do calendário. Para Julho, Agosto o mais tardar.

Estamos fartos de piratas enchouriçados em anoraks, de sereias com collants e (sim, assumo!) a Ana mascarou-se de Ladybug com o maior índice de consenso aqui em casa porque... a máscara implicava um fato de macaco que potenciava que ela pudesse levar por baixo camisolas interiores, camisolas de gola alta, collants, leggins e pijama se fosse preciso. Sim- admito!- que também se mascarou de Elsa com uma camisola de gola alta azul bebé por baixo, que a parva da Elsa verdadeira estava frozen, estava frozen, mas andava ali de racha no vestido com o pernil ao léu que vê-se mesmo que ia ficar com uma pneumonia- a grande parva! E estão a ver o terceiro disfarce? O de fada? Comeu com collants, camisola de gola alta e ficou enchouriçada que, por estes lados, as fadas não são magras: são anafadas e quentinhas, que não se admitem padrões de beleza aplicados a quem quer que seja, quanto mais a fadas...

Quando finalmente uma pessoa agarra no enchouriçadíssimo filho, o mune de serpetinas e papelinhos e... chove! Serpentinas no chão encharcadas, papelinhos a colarem-se às solas dos sapatos todos melados e é a loucura da diversão!

Ah, mas na escola é que vai ser! A escola decidiu-se por um tema- suponhamos animais marinhos para celebrar a diversidade dos mares e coiso e tudo super pedagógico e fundamentado em relatórios de actividades e projectos educativos- e depois de um DIY exigentíssimo (que não deu em nada senão bosta ao ponto de teres tido o bom senso de ir comprar uma fatiota que não envergonhe o teu filho até à marinho-medula) chegas lá e o que vês? Meninas vestidas de lavadeiras com uma trouxa na pinha (raios m'a partam, estas miúdas nasceram em 2012, estão a ver a cena? Nem máquinas de lavar roupa manuais elas sonham o que são, quanto mais tanques. Tanques. Trouxas. Saias à varina com meias rendadas.). Ah, mete água. Pois mete. Mete mesmo muita água, quarailho, mas não a água do tema animais marinhos, boa?! Ah, espera tem ali outra de sevilhana... sevilhana. Essa guapa aquática, olé!

"Ah, mas ó Rita não tinha dito aos pais que havia um tema? O tema não era animais marinhos? Então eu obriguei a minha filha a vir vestida de cavalo marinho, depois de uma birra do tamanho dos oceanos, de ter perdido mil horas a explicar-lhe que os cavalos marinhos não podem usar um postiço com a trança da Rapunzel que ela queria trazer como complemento, eu zanguei-me com ela logo de manhã porque O TEMA ERA A DIVERSIDADE e o camandro dos animais marinhos para nada?".

"Ah mãe, os pais não tiveram tempo/conseguiram preparar nada/não lhes apeteceu chatearem-se com a cena e pronto, assim com'assim eles vêm como se sentem bem, né, mãe?" E uma pessoa fica doente dos nervos e apetece-lhe ir a casa e voltar a trazer a miúda de saco de cama vestido e dizer-lhe que ela é feliz é deitadinha na cama a dormir, quentinha, em vez de acordar uma hora antes para emborcar a puta da máscara de cavalo marinho. De saco de cama e de postiço com a trança da Rapunzel, só por causa das coisas.

"Ah, mãe se calhar devíamos ter preparado as máscaras aqui com eles, não era?"
 Ah, em calhando era capaz de ter sido boa ideia que se há tempo e energia para presentes do dia da mãe feitos pelos meninos tipo colares de massas que eu tenho que envergar orgulhosa, também deveria haver para se fazer fantasias para os próprios usarem- mesmo que tivessemos que comer com porras recicladas que não têm ponta por onde se lhes pegue- e pouparmos os paizinhos ao desgosto de se transformarem em psicopatas frustrados por não conseguirem fazer DIY que não sejam tema para Freud explicar recalcamentos das crias no futuro nem gastarem 40 mocas em fatos de cavalos marinhos. "Sim, era capaz de ter sido uma boa ideia.."

Ou isso ou não inventarem temas e darem liberdade para- pelo menos no Carnaval- cada um ser o que quiser.

Digo eu que até gosto muito do Carnaval e fiquei bué ralada com a carraspana que nos apanhou aos três neste último e que justificou uma fada enchouriçada, uma Elsa de gola alta e uma Ladybug anafadinha. E nos poupou um saco de plástico preto do lixo e uma concha numa bandolete no cocuruto.

Que é que foi? Os mexilhões estão muito subvalorizados...

2 comentários:

raquel disse...

loveyou Polo!

S. F. disse...

Ainda bem que na escola da minha filha (da idade da tua), os fatos são feitos lá, pelas auxiliares e educadoras, dependendo dos anos, só recebemos instruções sobre a cor da roupa a vestir por baixo. Este ano o tema era o ciclo da água, cada sala era uma fase, estavam lindos e eu não tive que fazer nada, maravilha.
O único trabalho manual que faço é um enfeite para a Árvore de Natal (e já fico irritada com isso, porque vejo verdadeiras obras de arte mas com muito material comprado quando a ideia é reciclar!)

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