Ali estávamos os dois, na sala de espera do hospital, cansados e esfomeados à custa de horas de uma espera que teimava em acabar.
Ele- cadeirante-com um problema numa perna. Chato, doloroso, desanimador. No saco com os últimos exames um diagnóstico que deixava reservas de uma complicação na coluna. A tosse - suspeitava-se que alérgica- tinha voltado. Não havia ponta de optimismo por onde se pegasse.
Eu dei-lhe um cascudo:
- "Hey miúdo, isto já esteve mais famoso, hein?"
Resposta, com sorriso terno:
- "Ainda bem que é tudo de uma vez. Assim trata-se tudo ao mesmo tempo e quando passar, passa tudo de uma vez".
Sorrio. Ele sorri comigo e acrescenta:
- "Sempre preferi um único terramoto de grande escala do que muitas réplicas pequeninas imprevisíveis. Quando o terramoto acaba, pelo menos, sabemos que temos a segurança de voltar a reerguer tudo, não é?"
E eu fiquei com lágrimas nos olhos. Todos os dias- todos!- a vida me dá lições.
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