segunda-feira, 24 de abril de 2017

Terramoto? Está tudo bem...

Ali estávamos os dois, na sala de espera do hospital, cansados e esfomeados à custa de horas de uma espera que teimava em acabar.
Ele- cadeirante-com um problema numa perna. Chato, doloroso, desanimador. No saco com os últimos exames um diagnóstico que deixava reservas de uma complicação na coluna. A tosse - suspeitava-se que alérgica- tinha voltado. Não havia ponta de optimismo por onde se pegasse. 

Eu dei-lhe um cascudo: 

- "Hey miúdo, isto já esteve mais famoso, hein?"

Resposta, com sorriso terno:

- "Ainda bem que é tudo de uma vez. Assim trata-se tudo ao mesmo tempo e quando passar, passa tudo de uma vez". 

Sorrio. Ele sorri comigo e acrescenta:

- "Sempre preferi um único terramoto de grande escala do que muitas réplicas pequeninas imprevisíveis. Quando o terramoto acaba, pelo menos, sabemos que temos a segurança de voltar a reerguer tudo, não é?"


E eu fiquei com lágrimas nos olhos. Todos os dias- todos!- a vida me dá lições. 

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