domingo, 7 de maio de 2017

Feliz dia da Ana Maria

Foto de Liliana Sintra.



Nasci de 32 semanas. Antes do tempo, para lá do que se tinha desejado, longe do que se tinha projectado. 
Ela tinha 20 anos e quando pariu levaram-lhe o bebé para longe do colo, perto dos médicos, das máquinas e das incubadoras. Ela não sorriu no dia em que foi mãe, antes do tempo, para lá do ideal que se tinha desejado, longe do que tinha projectado, sonhado, construído na sua cabeça e nos seus planos. Ela não recebeu os parabéns no dia em que se tornou mãe, só o choque, o medo, as lágrimas. Ela não pode ser mãe de colo, de mama, de toque, de cheiro até que dois meses depois me trouxe para casa. Para o seu regaço. Para o lugar onde sempre pertenci e não pude logo morar. 
Ela foi mãe (é mãe) todos os dias da sua vida desde então. Eu passei todos os dias da minha vida a tentar recuperar-lhe o sorriso, a tentar dar-lhe motivos para se sentir orgulhosa e parabenizada pela pessoa em que me tornou, para ser a melhor filha que eu consigo ser. 
Nós crescemos uma com a outra, acertámos os relógios e passámos a estar no tempo certo, a sermos aquilo que desejamos ser (livres, sempre livres), a projectarmos coisas simples: colo, presença, amor. Nós somos uma da outra, desde aquele primeiro dia que percebemos que nada nos poderia apartar, nem o tempo, nem os sonhos ou anseios e muito menos os planos. 
Para a minha mãe só quero sorrisos. 
Parabéns mãe, não os que não te deram no dia em que te tornaste mãe mas os que mereces pela mãe que és desde então: a melhor. 
Feliz dia da Ana Maria. Porque MÃE só há uma. A minha.

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