
Duas cadeiras à minha frente: o Presidente da República da minha idade adulta. Ali.
Digo da minha idade adulta porque- já aqui escrevi- o meu Presidente da República era o Mário Soares. Mas ali estava ele: Marcelo no seu esplendor.
Ao meu lado, duas senhoras mais velhas tentavam tirar selfies enviesadas na esperança de apanharem o Presidente de raspão, no canto da fotografia. Atrás de mim, um casal muito crítico a disssertar sobre a "pantomina" (citando) que envolve cada aparição pública do Presidente.
Olhei-o. Pareceu-me cansado, mais envelhecido que a última vez que o vira numa ida à praia.
Nesse dia- no Hospital Garcia da Orta- Marcelo marcava presença na celebração do aniversário do Centro de Desenvolvimento daquela unidade hospitalar e no final da palestra dirigiu-se à rua, onde uma limusina o esparava para poder passear uma das crianças acompanhada por aquele Centro de Desenvolvimento e que tinha como sonho andar de limusina.
"Pantomina", "exibicionsismo", "show off": ouvi de tudo.
Tal como voltei a ouvir agora, aquando da tragédia dos incêndios. Marcelo Rebelo de Sousa foi lá distribuir abraços e foi criticado por isso.
Marcelo- o auto-proclamado presidente dos afectos- foi ao terreno fazer aquilo que sabe fazer melhor: estar junto do povo, ver com os seus olhos a dimensão da tragédia, confortar quem precisa de ser confortado e mostrar que a política também se faz de Humanidade.
Será suficiente para reverter a tragédia? Será suficiente para evitar futuros incêndios? Será suficiente para mudar as leis de protecção das florestas e de organização do território? Não.
Mas nada do que Marcelo poderia fazer- mesmo com os poderes que a sua função lhe atribui- seria suficiente. Assim sendo, fez o que sabe fazer melhor: foi humano.
Isto não nos resolve o problema dos incêndios florestais, não dissipa as marcas da tragédia, não traz à vida todos os que morreram debaixo das chamas. Tal como aquela volta de limusina a um utente do Hospital Garcia de Orta- ali aos meus olhos- não resolveu o problema de recursos humanos do hospital que constava no discurso do senhor Administrador.
Mas, no final das contas, Marcelo esteve lá. Abraçou quem precisava de ser abraçado. Realizou o sonho de uma criança. Confortou.
E sabendo que a política não se faz nem nunca se fez disto, não subtraindo: acrescenta. Marcelo trouxe humanidade à presidência da república.
E se "humanidade" for "pantomina", então, the show must go on!
7 comentários:
exactamente. muito bem.
Acho que seriam precisos mais Marcelos na vida política deste país, mesmo que as vozes críticas surjam sempre, o facto é que ele está, ele vai onde é preciso ser-se humano.
É isso mesmo
Bom texto! No entanto, um pequeno reparo no comentário final: terá de optar entre "Let the show go on" ou "the show must go on"! :)
english teacher,
Obrigada pela correcção que já está- obviamente- posta em prática no post. :)
Corrija sempre!
Assino por baixo. Texto maravilhoso.
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Gosto muito do nosso presidente. Digam o que disserem os afectos são importantes, confirmam a nossa humanidade. Não resolve tudo, mas melhora.
Continuo a gostar de vir aqui.
bjs
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