quarta-feira, 21 de junho de 2017

Solstício de Verão em mim

Solstício de Verão: completa-se hoje 87 anos sobre a data de nascimento do meu avô, homem da minha vida, pessoa raiz, afecto em bruto sem necessidade de lapidar. 
Ao meu avô devo muitas coisas, tantas, incontáveis. A principal a segurança e auto-confiança, a capacidade de abstracção quando tudo parece difícil, o sangue frio e o sangue quente em cada acertada ocasião. Ao meu avô devo a capacidade de me deixar amar, sem resistências nem pudores, o deleite de ser amada, a entrega ao amor sem obrigação e nem deveres, o amor por escolha. Ao meu avô devo a sua quota parte da infância feliz que eu tive-tão feliz- quando havia tantas condições reunidas- doença, divórcio dos meus pais, pai ausente and so on- para que tudo desse errado. 
Tudo deu certo. 
 Porque ele me amou assim, me ensinou a arte de se deixar amar sem defesas e sem receios, baixar a guarda nestas coisas de amar e ser amado, com colo, beijinhos e afectos, gargalhadas com dentes desalinhados, anedotas repetidas e olhares de ternura. 
A minha mãe ensinou-me a amar. O meu avô ensinou-me a ser amada. 
O meu avô morreu mas eu continuo a comemorar a sua vida, tão plena e valiosa, tão carregada de memórias de afectos e amor. O meu avô nasceu para muitas coisas mas a melhor- e logo a que me calhou a mim-  foi o facto dele ter nascido para se tornar nO meu avô. 
Parabéns, 'vô. 
Estás comigo em cada inspirar e expirar. 
Sempre. 
Solstício de Verão em mim.

1 comentário:

Ana Filipa Matos Silva Oliveira disse...

Que felicidade é ter alguém assim tao próximo, como um avô. Infelizmente nao conseguiria escrever um texto assim sobre qualquer um dos meus avôs. Com um tive pouco contacto, com outro muito atrito. Mas, tanta a "ausência" de um, como as divergências com o outro, fazem parte do que sou hoje. E é isso mesmo... há que celebrar as suas vidas... que ainda vivem em nós.

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