segunda-feira, 10 de julho de 2017

Magia em 3 # A crise não chegou à solidariedade

                            


Todos os anos por esta altura temos que planear o campo de treino da associação onde trabalho. É sempre uma altura inglória na medida em que o nosso financiador não comparticipa a totalidade das vagas e nos deparamos, ano após ano, com o dilema de ou termos que priorizar inscrições e seleccionar participantes ou temos que angariar verbas para pagar as vagas remanescentes e que não são financiadas. 
Recuso-me- porque de facto tenho sido uma sortuda e as pessoas que me rodeiam permitem-me dar-me ao luxo de o fazer- a dizer que x merece mais ir que y, quando para 95% destas pessoas este é o ponto alto do seu ano, a altura pela qual sonho o resto dos meses, a oportunidade de estarem entre pares, de serem "normais" entre "iguais", de viverem como deveriam viver todos os dias da suas vidas: acompanhados, compreendidos, apoiados e- especialmente!- incentivados.
Este ano pensei abordar as organizões e as empresas, tentando poupar as pessoas singulares a quem massacro volta e não volta.
Assim fiz: pedi contactos, recuperei nomes e emails de directores de recursos humanos do tempo em que também o fui, saquei dicas dos meus amigos e leitores deste blogue e disparei email para todo o lado e mais um par de botas. Talvez por culpa da minha ansiedade as respostas tardavam a vir (na verdade ainda não chegaram mesmo!) e eu comações e empresas através das suas políticas de responsabilidade social, tentando poupar os meus amigos que, ano após anos, são chamados por mim a ajudar e que nunca me falham.
Comecei a desesperar. Os meus amigos começaram a ver-me hiperventilar e a pedir-me que me deixasse de merdas e que os cravasse à cara podre, como faço todos os anos. Dei o corpo às balas.



E voltou a acontecer magia: numa tarde de trabalho juntou-se uma quantia suficiente para garantir que metade das vagas sejam financiadas. Assim fácil, sem burocracias, sem "tenho que pedir a assinatura do Administrador", sem "tem que ir a reunião de Conselho", sem "o orçamento para responsabilidade social foi aprovado no ano passado e agora já não dá", sem espinhas nem dificuldades.
Não, as empresas não são más.
Trabalhei no meio empresarial mais de dez anos e sei que não cabe às empresas financiarem IPSSs nem serem a Santa Casa da Misericórdia dos pobrezinhos.Sei que não cabe às empresas identificarem-se com todas as causas ou ajudarem todos os projectos. tenho- até!- a sorte de trabalhar regularmente com a responsabilidade social de empresas grandes (beijinhos BNP Paribas e Europcar!) e mais pequenas (um abraço Babyblue, R2, Imovidal, iServices, Sónia Sousa- Flores e Plantas, i9Tech) que o são verdadeiramente, sem bandeiras nem necessidade de aparecerem, que o são por convicção, por cultura e pelo seu DNA.
O que quero aqui realçar é o poder da sociedade civil. O poder de pessoas individuais, todas juntas, uma a uma, o poder do colectivo feito por gente que abre carteiras, consulta o saldo bancário, prescinde de parte do subsídio de férias, da indemnização de final de contrato, do subsídio do desemprego ou do pé de meia para ajudar a que os outros- desconhecidos- possam realizar sonhos.
Neste momento, temos a certeza de que teremos as vagas em falta para a colónia dos grandes financiadas.
 Dizemos "grandes" porque são adultos. Mas na verdade são "grandes" mesmo na verdadeira essência da palavra. Perguntaram-me no chat,várias vezes, porque não pedi logo aos meus amigos e se eu duvidava, realmente,  que iríamos conseguir.
Respondi o que sinto: que não dou nada por garantido. Nunca. Não é pessimismo. É um optimismo refreado.
 Comove-me imenso que pessoas, pessoas reais e não empresas. pessoas com caras, famílias, compromissos e contas fixas para pagar ao fim do mês, tenham colocado parte do seu orçamento para fazer da minha causa a delas (comove-me sempre, não só aqui mas também no Bairro do Amor). . Comove-me sempre como se fosse a primeira vez.
Fico overwhelming com o que acontece entre todos nós, esta magia de laços invisíveis mas reais. Não agradeço a todos. agradeço, antes, a cada um de vós.

Sandra Ramos, Marta Calado, Sónia Pessoa, Sara Marchante Delgado, Susana Ferreira, Ana Pragana, Inês Sampaio Antunes, Angélica Luis, Fátima Cruz. Maria João Fialho, Bruno Correia, Bé, Ana Lucas, Teresa Mendes, Ana Filipa Correa. Rafaela Antunes Ribeiro, Custódia, João Campos, Elsa e Sara, Joana Esteves, Sara Correia, Sofia Marceneiro, Cristina Bizarria, Rita Relvas, Paula Ascenção, Daniela Castro, Marta Gaveta, Mimi, Marta Gama & Friends, Albina Castelhano, Ana Póvoas, Sofia Sofes & Friends, Carla Costa, Catarina Parreira Henriques, Cristina Castro, Marco Neves, Sally Rebelo, Lurdes Pereira, Sara Duarte, Francisco Sampaio, Ana Águas, Magda Mendes, Sofia Santos, Sofia Duarte, Andreia Garcia, Ana Carina Simões e Zita Neto: o meu coração é vosso.

E obrigada às empresas que têm gente minha dentro: Babyblue, Imovidal, iServices, Sónia Sousa- Flores e Plantas , i9Tech, iSwitch e Zitaminas: sois os maiores!


Obrigada. Muito. Imenso. Tanto.

2 comentários:

Custódia C. disse...

Abraço para ti e para os que te rodeiam. Só isso! O resto são ... tremoços (gosto mais do que peanuts!). Tenho a certeza de que os tremoços nunca vão faltar :)

Mãe Maria disse...

somos um povo muito social e com muita garra.

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