quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Pedagogia da família Pólo Norte

"Quando for o Carnaval a avó compra-te bombinhas de mau cheiro e explica-te como funcionam, está bem?"


Acabado de ouvir.

Bem sei que esta coisa da crise dos refugiados já não é assunto da ordem do dia

... mas este vídeo, feito em Portugal, por uma equipa que conheço e admiro, numa instituição* acabada de ser criada e em que aposto todas as minhas fichas, fez-me ficar com um nó na garganta durante todo o dia .

 

Obrigada nós pela lição, Mustafa. Obrigada nós!


[*Conheçam o The Lisbon Project em primeira mão aqui.]

Eu não gosto é do Verão

Pronto, já disse.
Nasci em Julho no tempo em que Julho era mesmo Verão com calor e sem casaquinhos de malha à noite, nos Julhos da minha infância com gelados da Cammy na barraca da Lúcia e do Tony na praia da Vagueira, Julho sendo Julho, pelo que, para todos os efeitos sou uma pessoa de Verão.
O Verão remete-me a tardes inteiras na praia da Rata (aguentem os não cascalenses
Também pari uma filha de Verão, a minha Ana de A (meu)gosto, Verão a descobrir o amor de mãe

Curia tem sempre encanto menos na hora da despedida

Sexta no Mundo



Antes de sair de mini-viagem para o Porto a Ana choramingou no meu colo. 

A Ana não é de choramingar mas a escola recomeçou há pouco tempo e a Ana fica ansiosa com recomeços. Choramingou baixinho, a cabecinha loira encaixada no meu pescoço, agarrou com a mãozinha no pendente do meu fio da Pandora enquanto me dizia que precisava de mim para a levar à escola nestes dois dias, que precisava de mim para lhe passar o creme após o banho, que precisava de mim para a adormecer, que precisava de mim para poder precisar, simplesmente, de mim. 


Retirei o meu fio do pescoço e coloquei no dela. O pendente comprido batia-lhe no peito. Ela pediu-me que lhe tirasse o seu próprio fio, o com a sua inicial, que ela usa desde bem pequenina e que o pusesse ao meu pescoço. Não foi preciso explicar as regras. 

 A Ana foi para escola de fio da Pandora por debaixo da camisola e da bata. Eu fui para o Norte com a medalhinha com um "A" ao pescoço. Ambas as intenções a aconchegarem-nos o peito. 

 Quando cheguei ontem dormitava no sofá à minha espera. Abriu os olhos e suspirou: 

"Mamã, posso dormir na tua cama? Adoro-te do fundo do meu coração" 

Trouxe-a para a cama. Abraçámo-nos. Espreitei-lhe o fio no pescoço e ia retirar-lho quando, entre pálpebras já fechadadas e de bracinhos à volta do meu pescoço me disse: 

"Sempre que tive saudades tuas agarrava com força no fio e passava."

 Sorri, enternecida. 

"Podemos trocar de fios só amanhã, mamã? É que tu já chegaste mas ainda tenho saudades tuas no meu coração..." 

Sexta no Mundo. 
"E tudo bate certo, nem que por um segundo".

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Boa noite. Até a-ma-nhã!


Uma pessoa vai ao Porto.
Uma pessoa dorme no Porto.
[Não há coincidências] e uma pessoa tem como roupa de cama um édredon de fabulástico FCP.
É noite e uma pessoa só se lembra do Vitinho.

Mas ao contrário de quando era pequena uma pessoa resigna-se de que já não há finais felizes.

Uma 'ssoa escreve um post de japoneses...

... e logo um leitor deste blog consegue provar que as coisas podem sempre piorar:




[Obrigada, Marco, sim?]

Ana, a colocadora de dedos nas feridas

Ana: "Mãe, o que quer dizer "maluquinha de Arroios?"

Eu: "Quer dizer que a pessoa é doidinha de todo, muito maluca mesmo."

Ana: "Ah. Onde é que é Arroios, mamã?"

Eu (engolindo em seco): "É o bairro de Lisboa onde a mãe nasceu!"

Ana (com ar esclarecido): "Ahhhhhhh!"

...

...

...



A Arrumadinha


Devo ter sido a última pessoa na internet a descobrir a Marie Kondo.

Deixem-me explicar para as duas ou três pessoas que ainda não foram kondoevangelizadas: a Marie é a guru japonesa da arrumação. Arruma tudo, com tudo e arrumou comigo para um canto, a fofa.
Mas, como continuo a seguir o velho mantra dessa grande pensadora que é Maria Helena "não neguei à partida uma ciência que desconheço" e tratei de pesquisar tuuudo sobre a Maryconda (na verdade não foi tudo, que sou mãe de família e trabalhadora a full time, a minha vida não é isto, mas vá, dei-lhe forte no Youtube) e voilá... quase que tive um AVC, foi por um triz.

"Então, afinal, o que te irrita na Marie Kondo, Pólo Norte Maria?"

 Basicamente, tudo: o estilo certinho, enjoadinho, OCD e de quem só pina às escuras e à missionário para não amarrotar os lençóis imaculadamente esticadinhos e alvos, mais a maluqueira de fazer festinhas às roupas, mostrar-lhes a nossa gratidão e amor (Whaaat the fuck? Já não preciso de um animal de estimação, vou só ali comprar uma trela e passear uma camisolinha de raça cava já a seguir!) e ainda o desafio do contorcionismo da roupa dobrada que se equilibra sozinha. Tudo isto num tom de quem está namaste a fazer um exercício de yoga ahoooommm com a serenidade reiki e a felicidade shanti para peças de roupa, isto é, uma espécie de sermão de santo António aos peixes mas em linguagem reikiana de meditação zen para peúgas e ceroulas.

Demasiado para mim. E olhem que eu já comi com muita porcaria estranha na vida...



Pensei: "calma melhere, tu "apaga" o youtube e vai ler coisas, que lendo consegues ignorar o ar certinho da senhora mais a voz oriento-hipnotizadora e o tom de afecto com a desarrumação e talvez consigas!".

E ali estava ela:" Isso traz-lhe traz alegria? Use as suas emoções para decidir o que quer mesmo manter em casa (e na sua vida!)". Marie, filha, ao sábado, que é quando pobre como eu arruma a casa, e na perspectiva de passar um de dois dias de descanso semanal a fazer a lida, não há porra nenhum de objecto que me traga alegria. Só os objectos televisão e comando para poder papar séries, de resto, faço o quê? Agarro no fogão- que me dá só desgostos por ter que encostar o umbigo à bancada todos os dias a cozinhar- e cá vai disto?! Agarro na roupa toda dentro do cesto da roupa suja- cujo fundo acho que não existe vai para cinco anos- e espeto tudo no contentor? Deito tudo fora?! Marie Snow: you don't know nothing, babe!"

E continuava a miss lixívia: "Diga adeus às fotografias antigas!" Ahahahahha, tu tás-te a passar o quê? Então desfaço-me das fotografias onde tinha menos trinta quilos e nem um pé de galinha? Continuava " Despeça-se de itens de valor sentimental, separando apenas aqueles que realmente lhe trazem alegria de estarem ali fisicamente; as outras já cumpriram seu propósito de fazer você feliz em um determinado momento. O que fica mesmo são as lembranças na nossa mente!" Mariazinha tu não brinques com o fogo que o Alzheimer existe!

"Elimine as roupas de usar por casa”. Oh, por quem sois: é já a seguir! Vou começar a ver televisão nos sábados de Inverno a comer geladinho enrolada na manta vestida de tailleur e aspirar de colar de pérolas e saia travada com botas de cano alto, que se é para levar isto a sério, uma 'ssoa  incorpora a personagem. 

Entre muitas dicas desisti de ler na parte que nos mandava despejar a mala (carteira para o pessoal do Norte, vá!) todos os dias para a arrumar diariamente enquanto exercício de limpeza da mente o que, no meu caso, equivale a desejarem que enfie as duas mãos todo o santo dia no verdadeiro triângulo das Bermudas. 

Sabem que mais: nope. Pronto, na verdade a esta altura já não corria o risco de quase ter uma trombose mas juro que senti os meus olhos começarem a fazer o pisca e ponderei se não estava a sofrer pequeníssimos acidentes isquémicos transitórios.

Posto isto, desisti de me kondo-trendytizar, que uma pessoa não quer ser Velha do Restelo e quer estar actualizada mas a minha vida não é isto, tenho ali uma data de roupa para dobrar enquanto solto vérnaculos para desabafar da minha vida de suburbana  e- caramba!- que ninguém me diga que a terapia dos vérnaculos não é eficaz, a minha preocupação com as meias não é bem que elas estejam dobradas sem ser numa bola mas sim que todas encontrem par à saída da máquina de lavar e vivam felizes e juntinhas até que os elásticos as separem e podem-me tirar tudo na vida e o mais que consigam, mas a minha camisola roxa ninguém fica com ela!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

E elas falam de séries, montes de séries, entusiasmadas com mais de uma dezena de séries e perguntam-me

- "Mas tu não vês séries, Pólo Norte?"

[Elena de Avalor a dar cabo da Shuriki. Lolirock. Ladybug e Gato Noir mais o miráculo e o diabo a quatro. Shimmer and Shine. Caracóis dourados e o ursinho. ...]

"Ah, duas ou três..."

O consolo de se saber que tudo passa

Relógios da Swatch. Sapatos altíssimos. "Sexo e a Cidade". Vinho tinto. Contas da Pandora. Cupcakes. Cocktails. Sushi. Danças latinas. Risotto. Fotografias de pés na areia. Implantes de silicone. Comporta. Lipoaspiração não invasiva. Homens depilados. Ser freelancer. Escova marroquina. Fotografias de mãos a imitarem corações. Macarrons. Extensões. Unhas de gel. Desafios, selos e correntes blogosféricas. Starbucks. MRP. Keep Calm _______ (preeencher com a expressão a gosto). Foto-depilação. Não comer carnes vermelhas. Fotografias de cotos com vista para o mar. Gelinho. Saias curtas à frente e com cauda de grilo atrás. Homens despenteados. Croissants do Careca. "Epifanias". Fotografias bonitas dos anjos da Victoria's Secret. Wink. Nutella. "Nunca mais é Verão". Depilação a laser. Tróia. Pães de Deus da Padaria Portuguesa. Littas. Sementes de chia e bagas de goji. Comprar kits de preservação de células estaminais por questões de saúde. Overnight Oats. As maravilhas da maternidade. Fotos de família de fotógrafo profissional, todos de branco e calças de ganga a rebolar na relva, descalços e felizes. PCF. Alisamento japonês. Sumos verdes. Lx Factory. Dieta dos 31 dias. "Procrastinar". Beber ou não beber leite de vaca? Granola. Dieta dos 31 dias. Mercadinhos. Péu. Zumba. Extensão de pestanas. Selfie - sticks. Papas de aveia. Workshops. "Odeio segundas feiras". Mercado da Ribeira. Gin. PTs. Fotografias a correr e a suar. Ténis coloridos. Ser mãe a tempo inteiro. Banhos públicos. Coaching. Brunch. Pensão Amor. Não dar vacinas às criancinhas por questões de saúde. Os horrores da maternidade. Selfies. Corridas. Beleza real. Homens com barba. 21 dias sem açúcar. Uber. Mantras. Paleo. Tatuagens. Rooftops. Adidas Stan Smith. 

Suspiro*

Extensões de pestanas postiças a fazerem concorrência às moças do lugar às novas do Finalmente. Aquilo das unhas compridas e bicudas.

Mas no dia seguinte ao meu 37º aniversário escrevi assim..



[37 anos e um dia. 
Já penso na minha própria morte (durante mais de duas décadas não pensei nela), na minha mortalidade e finitude. 
O futuro está sempre na sombra e no encalço do presente. Li um dia que somos velhos quando temos mais memórias que sonhos, mais recordações do que projectos e planos, mais lá atrás, caminhos e estradas velhos conhecidos que atalhos desconhecidos por explorar. Estou cheia de sonhos simples e concretizáveis e guardo com alfazema num canto do meu coração todas as memórias de afectos e amor. Tudo o resto não tem espaço em mim, nem o rancor nem o ódio, nem coisas tóxicas nem nada que não me tenha acrescentado. O meu coração tem apenas memória RAM para o passado bom e o futuro de paz e leveza, que é isso que espero enquanto for envelhecendo. Dizem aos mortos "que a terra te seja leve" mas eu acho que deviam dizer aos vivos que o ar lhes seja leve para que o pensamento, os sonhos e os planos voem livres como o vento. Um céu leve. 
Deixei de saber só o que não quero e passei a ter uma clara e nítida noção do que quero. Quero a saúde minha e dos que amo, quero quem me quer bem por perto, a intimidade reservada para as gargalhadas de quem me ama na mesma proporção do que eu os amo. Quero reciprocidade e merecimento. Quero relações fáceis e simples, sem cobranças nem julgamentos, sem truques na manga nem agendas secretas, sem cerimônias nem formalidades. Quero ser eu, sem pensar no que dizem os outros. E quero só quem me quer assim, quem goste de mim como sou e não me queira, projecte ou fantasie diferente ou à sua medida. O meu molde é torto e único e nunca me conseguirei encaixar. 
 Quero sentar-me com as pernas à chinês no passeio se estiver cansada, não me importar com maneiras socialmente impostas, dizer vernáculos e rir alto, usar decotes e não fazer fretes e quando me disserem que já não tenho idade para isto, poder fazer um pirete e cagar-me para o facto da idade não me perdoar. 
A vida não é um juiz do certo ou do errado, não traz reguada incorporada e no fim morremos todos. Quero fazer o que sempre fiz: o que me dá na real telha, o que me faz sentir-me fiel aos meus valores e leal às minhas crenças. 
Quero morrer livre. Sempre livre.]

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Entretanto fiz 37 anos




E não gosto grande coisa disto dos 30, se vos disserem que, sim senhora, a maturidade e o auto-conhecimento e que nos sentimos mais seguras e confiantes pois que pr'ó caralhinho. 
Tenho saudades- muitas!- da frescura dos vinte, da impulsividade e de me borrifar para as consequências, de não ter medo de arriscar e avançar, de não ter a sombra do dever e da obrigação de ter juizinho que tenho filhos para criar- não gosto de ter juizinho nem de ser crescida nem de ser adulta nem do papel social da mãe de família. 
Já vi(vi) demasiadas coisas na vida, já conheço de cor alguns guiões e como acabam uma data de histórias, sinto enfado mais vezes do que gostaria e só não reviro mais vezes os olhos porque já não sou adolescente e tenho auto-percepção e  auto-consciência e um super ego de 37 anos que me manda sorrir e acenar, desligar o cérebro enquanto os outros beca beca e blá blá. Às vezes pareço exausta e cansada e distraída e esquecida mas, na maioria das vezes, desligo porque estou fartinha de clichés em geral e de muitas pessoas em particular. Já consigo adivinhar o perfil das pessoas com que me cruzo, compará-las a outras, saber o que vem a seguir. Poucas coisas me surpreendem, até a mim própria já conheço de cor e salteado e há dias em que mal me aturo e não me consigo desatarrachar. 
A vida é muitas vezes a mesma coisa e uma pessoa habitua-se mas fica sempre na expectativa de que um dia se surpreenderá mas já ninguém se casa com 37 anos, já não há bodas nem copos d'água, o romantismo está pela hora da morte, as crianças não se batizam, os festivais de Verão afiguram-se a muitas máquina de roupa a lavar peças com pó e a conta da electricidade a bombar, praia só nas horas kids friendly, saídas nocturnas ahahahahah e bom bom, mas mesmo bom, é dormir a sesta a seguir às refeições e comer uma refeição quente seguida sem interrupções, sem ajeitar ganchos, sem "come de boca fechada", "vá, a fruta tem mesmo que ser!" e tudo e tudo. 
Estou uma beca esmagada com tantos estímulos visuais e sonoros, e redes sociais por todo o lado e gente a tentar comunicar ao telefone, ao telemóvel, ao whatsapp, por email, sms, mensagens de facebook e directs no instagram e eu bloqueio e não respondo a ninguém, não porque seja antipática- que sou muitas vezes- nem snob nem com a mania mas apenas desorganizada e bloqueada com tantos estímulos vindos de tantos canais e tendo como único alvo receptora eu.
E chamam-me cidadã, filha, mulher, mãe, doutora, psicóloga, contribuinte, eleitora, utente, participante, cliente, artista da cassete pirata e tenho bué saudades de ser só a Liliana e de poder escrever poesia sem me sentir tontinha e pueril e poder dizer bué em voz alta sem parecer ridícula como os trintões da idade da minha mãe que insistiam em dizer muita nice, és um borrachinho e vais à boite.
Não me apetece ir para o Lux de saltos altos e sair à noite com frio é um convite infame- ai que quentinha e feliz que estou no recato do lar, pés confortáveis em meias de lã no Inverno, amigos em casa e conversas noite dentro ao invés de discotecas ruidosas e roles plays de diversão porque é suposto, porque tem que ser, porque é sábado à noite- mas que alegre e eufórica que eu era quando sair à noite com os dedos dos pés num farrapo e música em decibéis ofensivos me parecia o melhor programa de sempre. 
Não me apetecem novos amigos nem relações em que tenha que me esforçar, para me esforçar e forçar já basta a vida, anseio por coisas básicas, pessoas básicas, diálogos básicos, piadas básicas, já percebo as donas-de-casa  de meia idade que curtem o Goucha, os cotas que arranjam miúdas com metade da idade deles e os velhos que jogam dominó e curtem anedotas à Malucos do Riso que para pesada já é a vida, as pessoas a morrerem, a minha mãe que não deixa de fumar, a miúda que anda chateada com o regresso às aulas, a quantidade de trabalho que não vê despacho, o corpo que já não funciona como nos tempos áureos e as estrias na barriga.

Entretanto fiz 37 anos e os 30 não são os novos 20: são os novos 60.

[Sim, sou capaz de estar cansada. Ou de estar mesmo a precisar de enfardar sushi]


Taliqualmente

"GENERALIZAÇÕES BACOCAS


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Tatuagens inclusivas ou quem feio não ama, bonito lhe aparece

Ao longo destes anos a trabalhar com pessoas com deficiência motora temo-nos deparado com algumas questões que, sendo secundárias, não deixam de ter uma importância tremenda na vida destas pessoas. 
As ajudas técnicas consistem em materiais que facilitam a reabilitação física e/ou social de pessoas com deficiência. No caso dos meus fregueses são botas ortopédicas, aparelhos, talas, canadianas e cadeiras de rodas manuais e eléctricas.
Sendo equipamento que tem uma função de funcionalidade, a maioria dos protésicos, profissionais e empresas que os cria não está sensibilizada para olhar para este material do ponto de vista estético, até porque essa visão nem sequer está nunca nos horizontes. 
No entanto, muitas pessoas com deficiência motora usam todos os dias, durante grande parte da sua vida, na sua rotina do dia-a-dia e de forma visível e pública, próteses, talas e este tipo de material que consideram tão feio quanto útil. que usam com conformismo e resignação e nunca com sentido estético e vaidade. Não é suposto. As pessoas com deficiência costumam resignar-se à descrição para não suscitarem mais atenção nem olhares, comentários nem burburinho. 
É triste mas é assim. 
No entanto, se a maioria de nós ostenta roupas bonitas que nos fazem sentir mais confiantes e felizes, que interferem com o nosso estado de humor, porque não proporcionar esta experiência a quem tem que usar todos os dias estes adereços? Porque não dar um sentido estético ao que, até agora, tinha que ser apenas funcional?
Da ideia à concretização foi um ápice porque tenho amigos tão destrambelhados e loucos quanto eu e quando eu digo "mata!", já eles estão alegremente a "esfolar" forte e feio. 
E assim que falei com a minha amiga Tânia Catclaw (para quem não conhece eu explico: a melhor e mais talentosa tatuadora de Portugal em geral e do Mundo em particular) ela disse na hora "arranca!" e trouxe com ela o pessoal da Big Boys Tattoo- Bex, Jota, Hugo e restantes cujo nome não consegui decorar- e num instante planeámos o regabofe (carregar nos links em cima dos nomes deles e likem tudo o que eles merecem, ok?!)
O melhor disto tudo? O convívio? Vê-los trabalhar? Apreciar a interacção entre tatuadores e participantes? Também. 
















Mas o melhor de tudo- o melhor mesmo!-  foi ver a atitude com que os participantes passaram a ostentar as suas ortóteses, agora símbolos de poder e beleza, estética e auto-estima. De visibilidade com segurança e orgulho.










Obrigada Tânia & muchachos! Mil milhões de obrigadas!




Sigam o trabalho da Tânia aqui

Sigam o trabalho do Hugo aqui

Sigam o trabalho do Bex aqui

Sigam o trabalho do Jota aqui

Sigam o trabalho de tooooooda a equipa da Big Boys Tatoo aqui

sábado, 2 de setembro de 2017

Ana, a filósofa

Ana a fazer ginástica em cima da prancha de bodyboard no chão da sala.

- "Que estás a fazer, Ana?"

- "Reflexões..."





[No instagram do blog podem ver a cena in loco]

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Tenho uma vida boa

Lembram-se deste post?


Bolo do meu 37º aniversário da autoria de Les Gourmandises de Sophie: <3

Próteses ortopédicas tatuadas pelos muchachos mais queridos da Big Boys Tattoo (este item terá um post só para ele)


O presente mais emocionante (e emocionado) dos últimos tempos. Também terá matéria para um post só seu. 



O quadro que eu andava a namorar há tanto tempo da Movelvivo: agora na minha sala. 

Um desenho da minha filha acompanhado de uma escultura: o presente mais do coração. 



Falta, efectivamente, que a minha mãe deixe de fumar.

[Continuo a desejar com muita força.]

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