terça-feira, 5 de setembro de 2017

Tatuagens inclusivas ou quem feio não ama, bonito lhe aparece

Ao longo destes anos a trabalhar com pessoas com deficiência motora temo-nos deparado com algumas questões que, sendo secundárias, não deixam de ter uma importância tremenda na vida destas pessoas. 
As ajudas técnicas consistem em materiais que facilitam a reabilitação física e/ou social de pessoas com deficiência. No caso dos meus fregueses são botas ortopédicas, aparelhos, talas, canadianas e cadeiras de rodas manuais e eléctricas.
Sendo equipamento que tem uma função de funcionalidade, a maioria dos protésicos, profissionais e empresas que os cria não está sensibilizada para olhar para este material do ponto de vista estético, até porque essa visão nem sequer está nunca nos horizontes. 
No entanto, muitas pessoas com deficiência motora usam todos os dias, durante grande parte da sua vida, na sua rotina do dia-a-dia e de forma visível e pública, próteses, talas e este tipo de material que consideram tão feio quanto útil. que usam com conformismo e resignação e nunca com sentido estético e vaidade. Não é suposto. As pessoas com deficiência costumam resignar-se à descrição para não suscitarem mais atenção nem olhares, comentários nem burburinho. 
É triste mas é assim. 
No entanto, se a maioria de nós ostenta roupas bonitas que nos fazem sentir mais confiantes e felizes, que interferem com o nosso estado de humor, porque não proporcionar esta experiência a quem tem que usar todos os dias estes adereços? Porque não dar um sentido estético ao que, até agora, tinha que ser apenas funcional?
Da ideia à concretização foi um ápice porque tenho amigos tão destrambelhados e loucos quanto eu e quando eu digo "mata!", já eles estão alegremente a "esfolar" forte e feio. 
E assim que falei com a minha amiga Tânia Catclaw (para quem não conhece eu explico: a melhor e mais talentosa tatuadora de Portugal em geral e do Mundo em particular) ela disse na hora "arranca!" e trouxe com ela o pessoal da Big Boys Tattoo- Bex, Jota, Hugo e restantes cujo nome não consegui decorar- e num instante planeámos o regabofe (carregar nos links em cima dos nomes deles e likem tudo o que eles merecem, ok?!)
O melhor disto tudo? O convívio? Vê-los trabalhar? Apreciar a interacção entre tatuadores e participantes? Também. 
















Mas o melhor de tudo- o melhor mesmo!-  foi ver a atitude com que os participantes passaram a ostentar as suas ortóteses, agora símbolos de poder e beleza, estética e auto-estima. De visibilidade com segurança e orgulho.










Obrigada Tânia & muchachos! Mil milhões de obrigadas!




Sigam o trabalho da Tânia aqui

Sigam o trabalho do Hugo aqui

Sigam o trabalho do Bex aqui

Sigam o trabalho do Jota aqui

Sigam o trabalho de tooooooda a equipa da Big Boys Tatoo aqui

1 comentário:

mysupersweettwenty disse...

És a maior :)) Admiro muito o teu sentido de solidariedade, nunca mudes isso!

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