sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Estou entregue aos bichos

Mamen a divagar:

". Se a Ana quer substituir as PASSAS da PASSAgem de ano por MARSHMALLOWS, logo, teremos uma MARSHMALLOWAgem de ano?!"

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A tradição já não é o que era




Eu para mamen: “não nos podemos esquecer de comprar passas para a passagem de ano!”

 Ana: “Não gosto muito de passas, podem substituir por marshmallows?!”


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sábado, 23 de dezembro de 2017

Natal





No Verão disse-lhe para pensar em memórias bonitas quando tudo lhe parecesse confuso e triste no novo lar de acolhimento para onde a tinham acabado de transferir: "Pensa no Natal, por exemplo!" - atirei  para o ar, arrependendo-me logo de seguida. 

Falou-me dos Natais antes de ser retirada à família, do álcool e das facas, dos gritos e da violência.

Pediu-me que lhe falasse dos meus Natais. Falei-lhe dos meus avós vivos, dos espectáculos caseiros improvisados por mim e pela minha prima, da minha mãe com bandoletes natalícias e a quem cabe sempre a distribuição dos presentes, dos mexidos e da aletria, da Ana. Oh, da alegria da Ana. 

 Deu uma gargalhada: "quando estiver triste vou-me lembrar é dos teus Natais". 

Telefonei à coordenadora do lar a semana passada. Que ninguém a iria buscar, os pais não queriam, para as irmãs "não valia a pena" a viagem para a ir buscar à instituição . 

"Sabe, ela percebeu e disse " na verdade eu não sou de ninguém: ninguém me quer!" 

Que as memórias do meu Natal sejam agora as suas. Verdadeiramente as suas. 

Nós queremos-te

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Era mesmo isto que eu queria



Depois de três dias intensivos, acabámos de ensinar um procedimento clínico a uma menina de 6 anos. No fim, a mãe sem jeito convidou-nos para uma cachupa de dia de Reis e despediu-se: “Deus vos abençoe!” 

Comprei vernizes pirosos para a C., institucionalizada desde sempre e que passa o Natal com os colegas no lar de acolhimento. Quando lá fomos entregar abraçou-me com muita força, abraçou a enfermeira com muita força e disse-me: “no dia 26 é o dia de todos aqui ligarem para as famílias: posso ligar para ti e para o Rui?!” Nó na garganta.

Seguimos para outra instituição onde tínhamos como missão entregar o mp3 e os phones dados pela minha amiga Mafalda ao Z, e o tablet oferecido pela minha amiga Teresa ao X,. Quando nos viram sorrisos grandes do mais desconfiado, abraços abruptos do mais dócil. O X. andava com um tablet velho que entretanto lhe tinham dado. Quando viu o nosso entrou numa espiral. “Queres dar o velho a outro menino aqui do lar?” Que não. Que queria dar ao irmão biológico, a viver noutro lar, que eu intercedesse por ele junto da tutora, que deixasse essa certeza garantida: “ele não tem e ele é O meu irmão.” Fechámos. Grande sorriso, grande abraço. 

Z. rasgou os três embrulhos e gritou “era mesmo isto que eu queria!” Colocou os phones nos ouvidos e desatou a dançar, com o seu andar claudicante, alegria em êxtase. O X.. volta; “podes voltar a embrulhar o presente que me trouxeste? Vou passar o Natal a casa e lá não tenho nada para abrir, assim abria-o outra vez!”. 

Saímos, exaustas, cansadas, ainda tristes com vidas tão diferentes das que gostaríamos que cada um tivesse, tão frustradas com um papel tão pequeno que é o nosso. 

Em casa recordo o abraço e a promessa do telefonema da C., a generosidade do X. com o irmão quando sou interrompida por uma mensagem da mãe de uma família que acompanhamos e que vive num abrigo: “boas festas para si. Que Deus a abençoe”. 

De volta, a memória da mãe da menina a quem ensinámos o procedimento clínico e a quem soaram as mesmas palavras.

 Deus já nos abençoou.  “Era mesmo isto que eu queria”- o Z.. é quem tem razão. 

 Era mesmo isto que eu queria.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Pai Natal escatológico



Mámen agarra num Pai Natal de chocolate e come-o. 

Como estava a passar perto do wc da Ana agarrou na prata com o desenho do pai Natal e atirou-a para a sanita, esquecendo-se de puxar o autoclismo. 

 Ana vai ao wc e dá um grito: " Isto é inacreditável! Vocês não vão acreditar: saiu um Pai Natal do meu rabinho!"

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sábado, 16 de dezembro de 2017

Lavar a boca e repetir cem vezes

Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado. Nunca mais vou desdenhar trabalhos escolares feitos com material reciclado.





quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Maria (36)



 A Maria foi a pessoa mais importante do meu dia e eu tive um dia de merda. Não há cá eufemismos. Mais relevante ainda: a Maria tem sido importante muitos dias seguidos e interpolados, numa amizade que não tenho com mais ninguém, de missão, de entrega, de colo aberto. De expressões rígidas e palavras brutas porque a vulnerabilidade é uma parva e não podemos chorar. 

Todos os anos a Maria oferece uma semana de voluntariado, em regime residencial, para acompanhar o campo de treino da Associação onde trabalho. Fá-lo há alguns anos, ainda antes de eu lá trabalhar, numa partilha de dias, experiências e vivências que nos tornou muito cúmplices e próximas. A Maria empurra cadeiras de rodas, dá banhos, ajuda com comidas, dinamiza actividades, arruma camas e quartos e faz tudo sempre com este ar plácido e sereno.No resto do ano dá-nos consultoria jurídica pro-bono, ajuda a resolver berbicachos, prepara contestações, alertas, estatutos, queixas formais e emails informais de defesa dos direitos das famílias de pessoas com deficiência adoptando como filha legítima uma causa que dificilmente seria a sua. Sempre com cara de gratidão quando quem deveria ser-lhe gratos éramos nós. 

 Ao colo da Maria estava, hoje, um bebé. Um bebé que, esta tarde, ficou sem tecto. Que há muitos dias tem ficado sem comida. Que só muda a fralda quando tem cocó porque as fraldas têm sido rastreadas e o xixi releva-se. Que não tinha água quente em casa. E dormia numa espuma no chão. Tem 18 meses e sorria ao colo da Maria, completamente inocente de tudo o que lhe estava a acontecer. 

Hoje a Maria estava em Vila Franca de Xira e parou tudo o que estava a fazer para correr ao meu grito de socorro, nos confins de Sintra. 

Hoje a Maria trazia um vestido para ir a uma exposição de pintura à qual não chegou a tempo porque foi advogada, tia de colo, irmã de abraço à mãe do bebé, deu a primeira refeição completa de há muitos dias a este bebé, ajudou no primeiro banho quente desde há muito e fez também a cama quentinha onde eles dormem neste momento. 

 Deu amor que é o que a Maria sabe fazer melhor. Ou quase. 

 Porque o melhor que a Maria sabe fazer é salvar o Mundo, ali taco a taco, empatadinha com o ser a pessoa importante que muitos dias é para mim. Irmã de tabanca. Liguei à mãe para saber como estava, Agradeceu-me e: acrescentou " E diga  muito obrigada à Maria. Muito obrigada”. 

Espero ter conseguido fazê-lo com este texto mas, de qualquer forma, aqui vai: obrigada, Maria, salvadora do (meu) Mundo. 

Muito obrigada.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Pode ser uma tenda?

Esqueçam as camisolas de cores esquisitas, os adereços reciclados e afins: a escola da miúda mandou-me levar para a festa da escola um fato de Pai Natal. Com barbas. 

 Convencer a Ana a vestir uma tenda será mais fácil.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A vitória de Paula Brito e Costa

Não são os alegados vestidos, as alegadas viagens, o alegado salário e as alegadas regalias. Não são os alegados spas, os alegados cabeleireiros, o ego inflamado há mais de uma década, as fotografias bonitas acompanhadas pelas mais variadas personalidades em todas as paredes da Casa dos Marcos.

A vitória da Paula é conseguir levar para o mesmo saco dela todas as pessoas que gerem IPSSs, mesmo as pequeninas, as de vão de escada, gerando desconfiança de todas elas por parte da opinião pública.

 A vitória da Paula é conseguir que os profissionais que trabalham na Casa dos Marcos tenham- como assisti há dez anos na Casa Pia- constrangimento em dizer que é ali que trabalham, receio de serem conotados com ela, pressa em despir a camisola de uma causa que é a deles. 

 A vitória de Paula é haver pais de pessoas institucionalizadas na Casa dos Marcos a perguntarem como será o dia de amanhã dos seus filhos para quem aquela resposta é a única resposta social, a hipótese colocada da Instituição não sobreviver à Paula, a toda poderosa. 

 A vitória da Paula é a conotação negativa que se passará a dar às doenças raras, doenças que afectam minorias das minorias, que ninguém nunca quer saber porque não há dados epidemiológicos significativos, porque são pouco expressivas e pouco interessam às farmacêuticas, porque têm pouca visibilidade. 

 A vitória da Paula são as generalizações abusivas, é o facto de em breve ninguém querer comprar um pirilampo mágico, de ninguém querer contribuir com um pacote de arroz para um Banco Alimentar que alimenta bocas que passam fome, é as pessoas desistirem de serem voluntárias em associações porque não confiam, é julgar-se o todo pelas partes, a floresta por uma maçã podre. 

 A vitória da Paula é levar para a lama com ela toda a gente que trabalha em instituições sociais, gerar desconfiança em todos de forma indiscriminada. 

A vitória da Paula é esta e mais nenhuma: transformar em metonímia as instituições de solidariedade em Portugal. Já não há solidariedade: há Paula. E- da pior forma- se contradiz o que ela advoga e se prova que "são todos os iguais". 

 A Paula ganhou. Deixam-na ganhar?!

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Já vos contei que fui viajar?




Fui ao país onde as pessoas todas têm nomes parecidos com as filhas da Luciana Abreu. Onde há uma H&M em cada esquina. Onde, afinal, e contra todos os meus estereótipos, as mulheres não são todas altas, louras e deslumbrantes. Onde se confirma que não há design como o nórdico. Onde nos recebem com velas em toda a parte e onde faz sentido a última estrofe da quadra do Inverno da música "Eu gosto é do  Verão". Fui ao país onde se come salmão como quem come jaquinzinhos e em que bife de rena deve ser a costeleta de porco nacional. Onde, em Dezembro, é noite às três da tarde. Onde as pessoas afirmam orgulhosamente que são das maiores consumidoras mundiais de cafés (disclaimer: é  água de lavar chávenas) e quando lhes perguntei quanto consumiam em média por dia responderam três chávenas (ia-me finando a rir). Onde há janelas em paredes de pé direito e uma pessoa do sul da Europa se interroga como lavarão aquelas alminhas os vidros. Fui ao país onde as pessoas são meio secas e não gostam de conversetas. Onde o artesanato nacional são cavalos de madeira e nas lojas de souvenirs os produtos que mais se viam eram... panos da loiça! Fui ao país onde a moda é realmente clean, onde nas ruas paira um silêncio estranho e os postes da rua são a meia-luz. Onde me pediram desculpas, de forma muito sentida, por um atraso de cinco minutos. Fui ao país onde as bolachas são de gengibre e o vinho é quente. Fui ao país onde me neguei a comprar recuerdos a preços obscenos, tendo-os comprado cá no IKEA de Alfragide e tudo bem, tudo pacífico.  Ninguém deu por nada. 

Adivinham?

domingo, 3 de dezembro de 2017

Vamos ao circo... do amor!



Tínhamos cinco bilhetes para o circo. O plano era de irmos os três e convidarmos dois amigos para nós acompanharem. 
Hoje de manhã partilhámos, entusiasmados, com a Ana o plano. “Não quero ir!”- afirmou categoricamente. “Como não queres ir?!” “Não quero, não acho graça!” “Como não queres ir? Não achas graça aos palhaços?” “Nem por isso, sabes que são pessoas mascaradas, não sabes, mamã?”
O meu coração de criança que acreditou no Pai Natal até aos 8 anos e na Heidi filha de emigrantes até aos vinte e tal estremeceu: “E os acrobatas? São maravilhosos!” “Ah, nem os consigo tocar, posso vê-los na televisão!” Fiquei com um semblante  entristecido à medida que a ia tentando convencer. 
“Mãe, na verdade não quero ver os animais presos a serem obrigados a fazer gracinhas para os meninos baterem palmas..”
Metade do meu coração suspirou de alívio com a resposta da miúda. A outra metade continuava sufocada com esta miúda que é tão realista, tão observadora e critica.
Ela interrompeu-me os pensamentos:

“Prefiro ficar em casa, quentinha a comer panquecas.”

Sorrio.

“E a escrever a carta ao Pai Natal, que já estou atrasada e depois ele pode não ler a minha a tempo, boa, mamã?!”

[suspiro fundo]

Esta coisa da amizade

[Não sou uma amiga fácil: não sou querida nem meiga, não sou fofa nem das que dá abracinhos nem das que tem códigos de linguagem entre as amigas, falho festas de aniversário, esqueço-me de devolver chamadas e de responder a mensagens, não digo as palavras que sabem bem ser ouvidas mas digo sempre o que penso, não gosto de frequentar casas, sou má com compromissos e sou do clube das que para se combinar um encontro com mais de 2 pessoas tem que abrir a agenda e marcar para 2018.
Sou desorganizada e despassarada, às vezes pareço distante e indiferente e ando sempre tão embrenhada na minha própria vida que me escapam mil coisas.
Sendo uma pessoa que facilmente faz amigos porque acredito que toda a gente é boa até prova de contrário, não sou uma pessoa fácil de manter uma amizade e da mesma forma fácil que faço amigos me desvinculo quando me falham, sem raivinha dos dentes nem rancores, habituada que estou a ganhar e perder pessoas. Os que resistem são exactamente aqueles que eu preciso para a minha vida e a quem devoto a minha lealdade e amor sem limites, a quem dedico o tempo que me é possível e para quem torno possível, para quem vou até ao fim do Mundo que seja, porque sei que são esses os meus e porque sei que a minha amizade é para esses, os resistentes.
Com a idade sei exactamente de quem sou e quem me pertence. Mais importante que tudo: a quem eu pertenço. 

Obrigada por estarem aí. Muito mas mesmo muito obrigada. ]

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 41


X



"Talvez seja isto o que significa, de facto, ficar velho. Quando aqueles que são as nossas referências começam a desaparecer, e damos por nós, que sempre insistimos em nos manter modernos e facilmente adaptáveis, a sentirmo-nos como uns velhos do Restelo, cada vez mais sozinhos no mundo. 
 Isto a propósito das mortes de Belmiro de Azevedo e de Zé Pedro. Figuras tão distantes, mas igualmente tão presentes na minha, e provavelmente, na história de alguns de vocês. (...)
O Zé Pedro. O Zé Pedro foi a minha adolescência. E juventude. E um bocado idade adulta. Esteve em todas as minhas Queima das Fitas enquanto estudante académico. E foi por ele que continuei a ir à Queima das Fitas enquanto adulto, mesmo tendo de pagar o preço de putos bêbados a vomitar-me nos pés. 
 Mas o Zé Pedro “conheci” em 1988, com 12 anos de idade e acabado de chegar ao ensino secundário. Eu era o menino que nunca tinha tirado um Bom, apenas Muito Bons. Aterrei na Escola Secundária Rainha Santa Isabel, nunca percebi porquê. Uma escola que servia maioritariamente a zona de Campanhã, São Vítor e Fontainhas. Perdi todos os contactos anteriores e dei por mim numa turma com dois miúdos de… 18 anos. O Paulo e o Jonas (que é feito de vocês?). Cedo fui adotado mascote. Não vos contar o que aconteceu às minhas notas a partir daí. Lembro-me das tardes em casa do Paulo, algures em S. Vítor. O pai do Paulo era polícia, lembro-me da foto na sala. E lembro-me dos cigarros esquisitos com cheiro a resina que eles fumavam e nunca me davam. E lembro-me de eles desaparecerem para os quartos com as namoradas e eu ficar sozinho na sala, a fumar SG Ventil e a ouvir o “Circo de Feras”. O Zé Pedro era o rock. Era o punk. Era o farol e o SG Ventil de um puto que se precisava integrar. Eram as letras dos Xutos que serviam as cartas para as namoradas. E agora? As figuras políticas são o que são, já não há (poupem-me as críticas) Álvaros Cunhais, Ramalhos Eanes (ok, ainda respira), Mários Soares ou Sás Carneiros. Agostinho da Silva já ninguém sabe quem é. Mário Cesariny, idem. Mais um Outono ou dois, e o Miguel Esteves Cardoso também vai com as folhas. O MEC, quem eu no final da década de 80 devorava a “Causa das Coisas”. Eu não sei se todos eles partem cedo. Sei que viveram a vida 10 vezes. No fim, talvez só isso importe. 
Claro, mas e agora? Quem fica? Todas estas referências vão sendo substituídas por outras, a quem não conseguimos reconhecer estofo ou talento. Um millenial saído de um websummit, ou um guru da psicologia positiva que por muita atenção e benefício da dúvida que dermos à mensagem, sempre nos soa a produto para atrasados mentais e/ou desequilibrados emocionais. Isto, pela consciência do seu potencial significado, assusta-nos e questiona a nossa atualidade e validade. 
Nesta tormenta, vamos ansiosa e desesperadamente buscando as exceções, como pão para a boca, e agradecendo os amigos antigos, que nos aliviam a sensação de estar perdidos num sítio onde não era suposto estar. 
 E damos por nós com a letra do Manel Cruz, em Pluto, a ecoar-nos na cabeça: «Estranho quando dou por mim num mundo bizarro. E mais ainda quando lá o mais bizarro do mundo sou eu.»"

Do meu amigo Raul Pereira na sua página de facebook retratando tudo o que sinto

Chegou

... a Mariah Carey's season.
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