segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A Super Nanny ou "Kid Whisperer"




Comecemos pelo título: " a super nanny" que afinal não é nanny, que em português significa "ama" ou- se formos aos antigamentes- "perceptora", que supostamente baralha aqui um bocadinho o papel de uma psicóloga que é o que é a protagonista do programa. Urge perceber que são coisas diferentes, só naquela de começarmos a chamar os bois pelos nomes.

Quando comecei a assistir aos spots publicitários do programa os meus olhos começaram a tremelicar mas aprendi que, nestas coisas, não se pode julgar um livro pela capa e aguardei pelo programa para emitir juízos de valor com conhecimento de causa. De facto estava enganada: foi pior que o que imaginei.

E assim começou o programa com o anúncio de que "A "Super Nanny" já está a caminho" no seu mini amarelo, tal bombeiro tinoni-tinoni que vai acudir a um acidente mas na missão de "tornar as famílias portuguesas mais felizes", de indumentária de perceptora-secretária-de-óculos-de-massa-sexy. Ufa, fiquei muito mais descansada! Só que não.

Vamos colocar aqui uns sons para tornar a coisa mais tcharam e filmar algumas expressões visuais de desaprovação da "nanny" para tornar a coisa mais emotiva: checked.

Não conheço esta mãe e não a quero julgar. Conheço o que transmitiram dela na televisão e o que os produtores do programa seleccionaram para que eu e todos os telespectadores pudéssemos fazer um guião na nossa cabeça sobre as suas competências parentais. Não o quero aqui fazer, nomeadamente, no que concerne à capacidade de reagir e gerir as emoções da filha que demonstrou no programa (embora ali denote muitos dos clichés dos pais portugueses, a maioria tão- mal- enraizados que nem se consegue ter um sentido crítico sobre eles, desde argumentos que se refugiam em figuras externas de autoridade para impôr regras que devem ser impostas pelos próprios pais como o famoso "se não comeres vou chamar o polícia" ou "se não te portares bem vou dizer ao pai Natal" ou mesmo "vem o papão/homem do saco/ASAE/Ministro das Finanças",ou, no caso desta mãe, o famoso "vou telefonar para o teu pai", também muito em voga em famílias monoparentais, em que é confortável que o bad cop seja o progenitor ausente durante a situação e, por isso, impossibilitado de gerir a situação; às típicas atribuições causais externas do "a minha mãe estraga-a!").

A esta altura, depois de ouvir o nome da "Margarida" umas 252432 vezes, depois de ver a imagem da Margarida umas 23262829 vezes comecei a ficar zangada com esta mãe. Não pela forma como geria bem ou mal ou não geria ou não ajudava a gerir o comportamento e as emoções da filha mas pelo facto de a desproteger e expôr desta forma.

A birra é uma estratégia da criança expressar o que quer ou não quer, as suas emoções, zangas e frustrações e, especialmente, as suas necessidades (de atenção, de compreensão da situação específica, de se fazer ouvir). A birra faz parte do desenvolvimento sócio-emocional da criança, constituindo manifestações/ reacções da criança ao Mundo quando ainda não se encontra na posse de outras ferramentas, estratégias ou estadios emocionais que lhe permitam exteriorizar a sua frustração face aos acontecimentos que lhe sucedem. 

A criança é apenas criança, alguém que está a estruturar a sua personalidade, a organizar os seus pensamentos, valores e as suas atitudes, e que por isso tenta perceber, interpretar e dominar o ambiente onde se insere. E incluir-se nele. Posicionar-se no Mundo. E faz parte deste processo de apropriação o colocar em causa as regras estabelecidas, o negociar, o lutar pela prevalência das suas vontades e desejos (até porque as crianças são inatamente egocêntricas), num constante desafio face aos adultos que lhe são próximos. 

O problema é que generalizamos, muitas vezes, birras e catalogamo-las de má educação, quando nem sempre isso é verdade. Quando ouvimos este comentário, era importante questionar sobre o que é ser mal educado. É desafiar regras impostas? É lutar pela satisfação das suas necessidades imediatas? É manifestar-se emocionalmente face a situações que não vão de encontro aos seus desejos? 

 Mas a verdade é que os pais são constantemente desafiados. E os grandes desafiadores não são os seus filhos mas os outros adultos, num mundo onde a informação está à distância de uma actualização de uma página de rede social, onde tudo acontece no imediato e onde os “crescidos” deixaram de saber esperar, também.

Margarida fez muitas "birras" durante o programa. Margarida não queria ir para a cama depois da mãe utilizar como estratégia cansá-la a assistir a desenhos animados antes de a mandar dormir. Cansou-a, de facto, mas não a fartou: excitou-a, expô-la a uma série de estímulos visuais e sonoros que a excitaram, quando a altura era de a acalmar e relaxar, preparando-a para o sono que se seguiria. Depois de uma espiral de choro e birra face a recusa em ir para a cama, a inflexibilidade de a mandar para o banco do castigo e a recusa da criança naquele: "Vai para o banquinho", quando estava cansada dos estímulos dos desenhos animados e da hora avançada e exausta de tanto chorar e gritar. E foi. Num estado emocional de profundo descontrolo às dez da noite e na preparação para adormecer. Pior, a má da fita foi quem? A Margarida. 

Podemos falar no "banquinho"?  A criança só consegue pensar de forma crítica e reflexiva acerca dos seus actos, compreendendo, de facto, as questões valorativas e morais das regras. O castigo tem que ter uma relação de causa-efeito com o erro das crianças. Imaginemos a seguinte situação: a Margarida atira comida para o chão de propósito e recusa-se a apanhar, fazendo uma birra enorme quando insistimos e sabendo, claramente, que está a fazer um disparate. Mandar para o "banquinho", ir pensar no disparate que acabou de fazer não serve para nada, para além de dar tempo à mãe para respirar fundo e descansar a cabeça (ou seja, não é um castigo para a criança, é apenas um escape para o adulto). A estratégia tem sempre que relacionar numa lógica causa-feito o erro com a consequência, ou seja, "sujaste o chão, agora limpas, não há outra alternativa que não essa" (mesmo que limpe mal e que a mãe tenha que limpar melhor a seguir, sem que ele perceba, mas tem que limpar).  Mais ainda, o castigo não pode ser atribuído sem que seja dada à criança a oportunidade de o corrigir ou minimizar, responsabilizando-se pelos seus actos e agindo sobre eles. Isto quer dizer que se a Margarida dá uma palmada à mãe, de forma zangada e deliberada (o que não sucedeu, o que eu assisti foram apenas reacções de impulso à frustração) após ser contrariada ou numa situação de confronto, deve ser orientada pela mesma acerca do reconhecimento e gestão da emoção bem como da razão do erro, tendo a oportunidade de gerir as consequências que a sua acção causou ("Podes vir conversar comigo, para eu te explicar o que sinto quando me bates e pedir-me desculpa porque me magoaste?!). Ou seja, não é convidando a criança a isolar-se num canto a pensar no seu erro que ela o vai assimilar, assumir e tentar corrigir ou minimizar. É mostrando-lhe as consequências directas do seu acto e a forma de as tentar resolver de forma directa e participativa. Nenhuma criança pequena vai, efectivamente, reflectir acerca das consequências dos seus erros virada para uma parede sozinha. Nenhuma. Nem há qualquer função pedagógica nesta prática e se não mostrar ao seu filho o que pode fazer para corrigir ou minimizar o erro ele nunca terá hipóteses de alterar o seu comportamento porque não conhece alternativa e não percebe as consequências directas do disparate que acabou de fazer. E ninguém aprende sem compreender a realidade. E a realidade não se aprende virado para um canto de uma parede a pensar na morte da bezerra. Portanto, metam o "banquinho" num sítio que eu cá sei. 

Margarida não queria tomar banho na presença de uma estranha que acabara de conhecer e que lhe entrara pela casa adentro, violando o seu espaço e tempo de privacidade e intimidade, pedindo-lhe "beijinhos" de forma demasiado "nanny" e "pouco psicóloga" (ai esta coisa dos adultos precisarem do afecto das crianças e sugerirem-lhes contacto físico para se sentirem queridos e respeitados...). Margarida gritou: "Tu não mandas em mim!". Ah, abençoada, Margarida: a esta altura até a mim me apetecia berrar. 

 "Eu quero ir para o teu quarto" (fuga à situação de exposição com a câmara de filmar à frente), "Eu quero colo" (necessidade de conforto), "Eu não quero ir para o banco, quero ir para a cama" (fuga à humilhação)", ""Quero colo, Mãe!" (necessidade preemente de afecto e pedido de protecção) e "Eu quero dormir no teu quarto"- ouvia-se amiúde. Margarida queria acabar com aquele suplício.

Margarida gritava por socorro nesta peça, não gritava porque fazer birras era fixe. Margarida queria pôr fim aquele ciclo de violação da intimidade (ainda por cima permitida e validade pela mãe, uma das pessoas em que mais deveria confiar e a mais deveria proteger), de pressão para se comportar de forma autómata ("Toma lá o sapinho e obedece, se faz favor!"- Pavlov explica), de corresponder às expectativas dos adultos e de intromissão nas relações bidireccionais entre os diferentes membros da família (e na minha cabeça, novamente, a imagem da  "nanny" a pedir beijinho assim que conhece a criança, "a nanny" a assistir ao banho, num total desrespeito pelos limites da privacidade e do corpo da criança, a "nanny" a mandar a mãe dar um beijinho à avô, ah esperem- se calhar está certo é mesmo "nanny", não estou certa que esta senhora perceba assim tanto de Psicologia...). 

""Ela não dá valor nenhum à mãe" - dizia a mãe e eu já nem me lembro do nome da mãe, para que se veja como todo o foco e o ónus destas questões ficaram sobre os ombros de uma criança de sete anos.

A mãe de Margarida está cansada. E precisa de ajuda, talvez muito para além das questões parentais. A valorizar-se a ela mesma e a sentir-se valorizada e não colocar essa responsabilidade na filha. 
Talvez, em primeiro lugar, se deva ajudar a mãe da Margarida, não a Margarida. Deve ajudar-se a mãe da Margarida em contexto psicoterapêutico, respeitando o seu direito à confidencialidade e privacidade, treinado com ela competências de gestão das próprias emoções, ensinando-lhe ferramentas e estratégias, acompanhando o seu percurso. No que diz respeito às competências parentais, deve envolver-se o pai neste processo, quem sabe em terapia familiar (se for caso disso) porque a Margarida é filha de um casal e a ambos compete delinear  gerir o projecto de vida da filha comum, e que é completamente alheio às questões da conjugalidade. Com regras, com ética, com respeito pela individualidade desta mãe.

Da forma que ela deveria ter feito com a sua própria filha.  

As crianças não pertencem a ninguém.: as crianças são sujeitos de direitos e não objecto de direitos (como -ainda- são os animais). Os pais são tutores e, em todas as decisões que tomam, estão obrigados a zelar pelo melhor interesse da criança. Se não o fizerem, o Estado pode e deve intervir. Exemplo: se por convicção religiosa ou outra os pais recusam tratamento médico necessário (seja uma transfusão, seja outro simples tratamento), o Estado, via tribunal de menores, pode determinar seja prestado o tratamento. Caso exista um risco iminente para a vida da criança, os médicos podem tomar a decisão de tratar, antes ainda de expressa determinação do tribunal. 

Em suma, os pais não têm o direito de expôr publicamente os filhos. Têm é o dever de os proteger.

"Ah, a Margarida começou- finalmente!- a dormir no próprio quarto depois de muitas zangas"- declarou, vitoriosa, a mãe no fim da peça. Claro, cansaram-na, tornaram-na exausta, fizeram-na desistir. Não foi uma vitória, foi um fracasso.
Margarida desistiu, entregou-se, sem perceber porquê. 
Talvez volte ao mesmo quando as câmaras se desligarem e perceber que a mãe precisou de uma testa de ferro para a educar, que a mãe tem dificuldade em estabelecer, ela própria, as suas regras, suas, próprias, com o recurso a algumas figuras de confiança e de referência mas, efectivamente, as suas regras.  Quando a regra não é a nossa,temos que a incorporar em nós. Ninguém sabe ou pode educar os seus filhos com maior preparação que os próprios pais. Porque se as regras para educar não são suas, mas dos especialistas, dos gurus da psicologia ou da educação ou da saúde infantil- das nanny, que seja!-  e não as incorporam; se são as regras do pediatra, da psicóloga, da internet ou da amiga, não estão interiorizadas e são externas, os pais perdem o seu papel enquanto figuras de autoridade.

De todos os erros da mãe da Margarida- que eu não queria esmiuçar mas que acabei por fazer: mea culpa- , este foi claramente o pior: expôr brutalmente as emoções da filha, como se delas fosse proprietária. Transmitir,  em formato de reality show- como vemos fazer as senhoras da Casa dos Segredos aos gritos ou nunca nos esqueceremos da Gisela do Masterplan num melt down à beira Tejo- as emoções de uma criança que hoje, segunda feira, irá à escola.
Onde será "famosa" não pelas melhores razões, onde será exposta a comentários, e muito provavelmente, apontada, talvez gozada ou ridicularizada, O bullying entre pares nesta idade é esmagador e a Margarida precisa de amor, não de machadadas na sua auto-estima e no seu auto-conceito, promovidas e validadas pela sua figura de referência maternal. Aquela em quem mais deveria confiar no Mundo.

E- infelizmente- vaticino que para minimizar o impacto disto não seja preciso uma "nanny" nem uma "educadora" mas uma psicóloga a sério. Das que não coagem ao beijinho, das que se constrangem face a assistir a banhos de crianças que não as suas, das que não forçam mãe e avó a cumprimentarem-se com o afecto que a câmara de filmar reclama. Das que não usam banquinhos.

À SIC recomendo que adoptem para Portugal o formato "dog whisperer" já que este "kid whisperer" não funcionará. É que aqui não bastam biscoitos de recompensa em formato de sapos com íman nem passear as crianças enquanto se faz jogging pelo bairro para as cansarem. Aqui é preciso respeitar o direito a ser-se pessoa na infância. 

Um abraço solidário, querida Margarida. Pudesse eu dar-te colo. 

21 comentários:

MissLilly disse...

Excelente texto. Assustador que esse tipo de programas exista na nossa tv. Mas se existem e pq ha quem veja. Igualmente Assustador como os pais se sentem tao perdidos e c pressao dos demais para acabar c as birras, para deixar os bebés nos quartos sozinhos a noite toda pq e suposto eles saberem dormir sozinhos. Enfim. Um abracinho para a Margarida que nao merecia isto. O momento de ir para a cama, do banho, da historia e do mais intimo entre pais e filhos, nao devia ser exposto e muito menos assim na tv :(

Vidas da Nossa Vida disse...

Não vi, mas quero ver...

Bicharocos Carpinteiros disse...

Obrigada, Liliana.
Eu não vi o programa, mas muitas têm sido as mensagens que já recebi para saber o que é que eu acho. E não preciso vê-lo (embora o vá fazer) para concordar contigo em cada situação que descreves e da forma como argumentas.
Obrigada.
Vou levar e partilhar este teu post com amigos, familiares e profissionais da área.

Sandra disse...

A sério? Existe um reality show assim e português????
Estou em choque

Sara Soares disse...

Que texto triste. Nunca pus em causa a minha prática, enquanto psicóloga. Pude ver, através dos seus excertos, que pratico psicologia à séria. Uma pessoa até começa a pensar e re—pensar o que faz quando vê, em horário nobre,uma psicóloga a dotar pais de estratégias parentais. Tenho pena da Margarida, também da mãe dela que pecisa de muita ajuda. Obrigada pela partilha tão consciente.

Nuno Borges disse...

Senti uma completa repulsa ao ver este programa! Falta de respeito, pela Margarida, pela sua intimidade, pelo seu espaço e especialmente pelo o que é ser criança. Sou da opinião que uma família é uma micro comunidade em que todos têm os seus papéis e todos têm direitos e responsabilidades independentemente da idade que tenham! Sou da opinião do autor do texto! Falta a intervenção do Pai, a avó não facilita o papel da mãe e a mãe está com dificuldades em perceber o que é ser criança e qual a atitude que deveria ter em determinadas situações. Agora explorar as motivações externas para corrigir comportamentos menos próprios (na visão da mãe),não concordo e acho que quando acabarem os "sapinhos" acaba a mudança...
As crianças não são adultos em ponto pequeno, são crianças! E temos de entende-los como tal! E ajuda-los a crescer, a respeitar o espaço dos outros, a personalidade, a intimidade,etc... mas para isso somos nós os "crescidos" a dar o exemplo!
É difícil ter tal discernimento, falo por experiência própria, por vezes também não o tenho, são 3 em nossa casa, uma família reconstruída e aí entra o nosso companheiro para ajudar a manter-nos em sintonia e colocar-nos no nosso devido lugar o de Adultos conscientes!
A intervenção, na minha opinião devia começar pela família, não pela Margarida, e corrigirem a atitude dos pais em frente à criança sera correcto? Eu se fosse a Margarida ficava a pensar que quem manda ali é a Cruella (psicóloga) ...
"Deixa-a saír que eu depois já vos digo!"

BG disse...

Vi ontem o programa e senti muitas vezes... mas o que exposição é esta? para a mãe, para a filha, para aquela família! E depois senti muito também, que primeiro devo estar a fazer tudo mal, segundo devo ser um et.

Não quero condenar a mãe porque tenho uma filha birrenta e sei que muitas vezes nos leva ao desespero, e ela claramente precisa de ajuda. Depois porque também devo fazer tudo errado, ou se calhar não, que isto não é uma ciência exata.

A minha filha adormece no sofá a ver televisão (não bonecos ou programas que lhe interessem particularmente: Digo-lhe que está na hora de deitar, ela deita e 5 minutos depois adormece. Levo para a cama ao colo. Sei que a habituei mal, mas faz sentido passar a ter um braço de ferro, gritos e choros, demorar 1h a adormecer quando ela, na altura certa, adormece em 5 minutos?

Depois as birras, mesmo quando me tenta bater ou moder, eu tento a abraça-la, acalma-la, ouvi-la, ainda que ela não esteja em condições de exprimir-se... dou-lhe colo! sim quando pede durante a sua birra, dou-lhe sempre colo! Estou assim tão errada?

Nunca tive o canto para ela pensar, tento efectivamente que o ato tenha consequência, e sempre achei, que o reforço com smiles e sapinhos está claramente ultrapassado.


Depois o que me fez realmente confusão foi colocarem o motivo das birras só nas regras e nas rotinas. Toda a gente sabe que as crianças precisam delas é certo, mas eu tenho regras e rotinas em casa e a minha filha continua a fazer birras. Fez-me confusão que precisamente não tentassem perceber as birras como uma criança que pede atenção, que necessita de conforto e de carinho, que se tenta exprimir e não consegue de outra forma. E era nisto que gostava que que tivessem focado a mãe e talvez aí o programa pudesse ser um pouco pedagógico.

Rolino disse...

Além de vergonhoso é uma clara violação dos Direitos das Crianças (que são inalienáveis e nem o progenitor ou a progenitora podem consentir na sua violação). A criança tem o direito à reserva da intimidade da sua vida privada e se o direito à imagem pode ser disposto pela mãe e pai, já aquele não pode ser disposto por esta/este, uma vez que o que esteve em causa nesse programa não eram transmissões da imagem da criança stricto sensu, mas sim dos seus comportamentos e intimidades.

ines pessoa disse...

Amém!!

maria disse...

Entao não veja o encantadora de bebés...ela teve um caso dificilimo em que o menino tinha 3 anos fazia birras,batia com a cabeca no chao de raiva,nao comia,adormecia no colo da mae com amamentação e dormia no sofá.Os terriveis metodos foram em crise de birras coloca-lo sentado nas escadas cada vez que ele saisse era voltar la a po-lo a mae fez isto umas 50 vezes ate que ele parou,na hora de dormir igual a mãe arranjou-lhe um ursinho e numa noite a encantadora de bebes disse para o por na cama e ficar com ele ate adormecer logico que ele estava habituado a mama e ao sofa e foram mais umas 50 vezes pro adormecer e ele berrava que se ouvia na rua inteira ele teve mais 4 horas a chorar saia da cama e a mae punha-o de novo,durante uma semana foi assim a nanny tb comecou a dar autocolantes quando ele se portava bem ela voltou ao fim de um mês e ele era um criança totalmente diferente com regras,horarios ,dormia super bem e ate comia de tudo...as vezes birras podem ser ate falta de controlo,se uma criança esta habituada a que facam tudo da forma que ela quer é dificil mudar....quanto as regras cada um faz o que quer cada pai ou mãe faz as suas regras,agora sem regras,deveres e limites é dificil viver em sociedade.

Custódia C. disse...

Não vi o programa, nem vou ver. Horrorizam-me todos os reality shows e se envolvem crianças então, tiram-me completamente do sério.
Tudo o que escreveste tem razão de ser mais uma vez. Não é a Margarida, mas sim a mãe que precisa de ajuda.
E como alguém já disse nos comentários, onde é que ficam os direitos da criança perante tal exposição? É demasiada humilhação...

Cavaleiro Branco disse...

Era bom que houvesse manifestações em relação aos conteúdos televisivos todos que são uma porcaria. É pena só quando o tema é relevante e mexe com o conforto das pessoas e aí é que se manifesta toda a gente. A TV em Portugal ou no geral produz alguma coisa dejeito? Raramente e não têm audiências quando acontece. Falem sobre isso porque milhoes de crianças vão crescer a ver lixo na Tv e ninguém se preocupa. Com esta meia dúzia deste programa já se preocupam? Hipocrisia.

gato azul as pintas vermelhas disse...

Nao e um reality show. Pena que estejamos todos condicionados pelos programas pavorosos que a tv portuguesa regurgita todas as semanas.
Por inglaterra e um programa interessante com medidas educativas que todos podemos aplicar nesta viagem de sermos pais.
Ja vi vezes sem fim como em portugal se arrastam as criancas para jantares e noitadas ate os miudos cairem de sono e adormecerem em qualquer sitio.
Onde esta ai a dignidade da crianca?

Patrícia Pinto disse...

Apenas vi um excerto do programa e do pouco que vi não podia estar mais de acordo com o seu texto. Uma criança ter a sua intimidade exposta desta maneira é inadmissível. Tenho plena consciência de que não sou uma mãe perfeita, e que já errei e vou continuar a errar. Mas, vou aprendendo com os meus erros. Vou aplicando estratégias, e ajustando consoante o que resulta ou não já que não há 2 crianças iguais. Acredito que a mãe da Margarida tenha sentido necessidade de pedir ajuda, e não a condeno por isso. Mas, será que este programa é a ajuda que ambas precisam? Ao expor assim a sua intimidade familiar? Não me parece.

Cass disse...

Maria que triste que isso é! Nenhum bebé deveria passar por isso.

maria disse...

Tb achei um pouco rigido mas no reino unido niguem veio falar...oque tb quis exemplificar é que la fora há situações muito mais rígidas e que até resultam...no caso da margarida era falta de atenção,paciência,regras e limites que a mãe não sabia claramente que isso tinha de ser feito. No final a Margarida era outra criança muito mais responsavel,feliz e independente...todos os programas são assim servem para mostrar aos pais o que eles precisam de fazer para ajudar a criança nos problemas que ela têm e que os pais muitas vezes fingem que nao existem,por exemplo a mae da margarida achava que a criticar tudo o que ela fazia e fazer por ela é que estava certo..

Vera Moreira disse...

Que texto ridículo! A Dra. Teresa foi minha psicóloga e ajudou-me imenso na minha vida, a todos os níveis. Triste é ver alguém com imensas frustrações a julgar a profissão e o trabalho exercido, sem sequer o conhecer devidamente. Quanto ao programa, é óbvio que estamos perante um género de reality show e se os pais não querem ver a intimidade dos filhos exposta, não se inscrevem, é bastante simples. Mas... é triste ler-se textos como este! É por causa de pessoas com este tipo de pensamento e julgamento que Portugal é um país cada vez mais retrógrada, sem evolução em termos mentais.

Sérgio Oliveira disse...

Tudo na mouche excepto 2 pormenores:
a) birras têm de ser eliminadas logo à priemeira tentativa como comprotamento inaceitável e impostos outros (a expressão verbal racional e não a física, explosiva e irracional). A persistência desses comportamentos é reflexo de que NÃO foram estabelecidos e impostos esse limites - má educação.
b) não é a mãe que precisa de ajuda - ou não é apenas ela. Vivemos numa sociedade onde impor regras, exigir e tentar moldar comportamentos das ciranças e adequá-los à vida em sociedade é visto pela mesma como errado. O papel do pai (normalmente mais disciplinadores) está castrado, o das escolas e educadores muito limitado e tudo porquê? Pelo medo de "ficar mal visto" face aos padrões do politicamente correcto, que ninguém sabe muito bem quais são e que cada vez são mais permissivos. A nossa sociedade (ocidental em geral, e não só a portuguesa) é que precisa de ir ao Psicólogo. Mas um dos bons, dos que trabalham por vocação e para ajudar as pessoas, não os comerciantes que decretam depressões nas mães e hiperatividades nas crianças a torto e a direito.

MargaridaPD disse...

Concordo a 90%! Os restantes 10% são só por causa da questão do "banquinho". Sim, ele funciona para que o adulto se possa acalmar, mas ao mesmo tempo a criança também se deve acalmar. E só depois é que estratégias como limpar o chão ou falar sobre o comportamento podem resultar. Antes disso estaríamos a activar ainda mais a componente emocional (que no momento da birra está bastante "negativa") e activar o lado racional seria uma tentativa absolutamente frustrada. De resto, é só ler o capítulo para pais do manual The Incredible Years (Carolyn Webster-Stratton), que foi de onde, ipsis verbis, saíram as estratégias da "nanny".

C. Correia disse...

Boa descrição da vergonha deste programa...!

Ana disse...

Palmas!! Não diria melhor.

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