segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

"Super Nanny": qual o nosso papel?

Infelizmente, no meu ponto de vista, não valerá de nada reportar-se a situação à Ordem dos Psicólogos por duas razões:

1- O título do programa é  A super-nanny" e isso configura o papel da técnica no mesmo;

2 - O disclaimer final, que aqui reproduzo, e a escolha da palavra "educadora," não é ingénuo e protege a técnica.





Sugiro que quem queira demonstrar a sua indignação face a esta assunto o faça pelas seguintes vias:

  • Pedido de intervenção junto da CNPDPCJ  (ninguém quer nem deseja que a Margarida seja retirada do seu contexto familiar, atenção aos preconceitos que se fazem relativamente à missão das CPCJs deste país. Mas urge que uma equipa técnica e profissional, credível e validade, de uma CPCJ possa acompanhar estes pais de forma séria de forma a ajudá-los na gestão das suas competências parentais e que se pronunciem de forma exemplar de forma a balizar a protecção e os direitos que as crianças devem receber dos seus pais na gestão das suas educações). 
Exemplo de pedido de intervenção: 

"Bom dia,



Ontem a SIC estreou um programa em horário nobre, chamado «The Nanny». O mesmo é um «reality show» em que os protagonistas são uma criança indisciplinada e uma nanny/psicóloga que está lá para a corrigir e apaziguar o ambiente familiar.
Assisti a um breve trecho do programa e em apenas 5 minutos tive a oportunidade de observar várias violações aos direitos da criança, nomeadamente: 1 - O direito à imagem;
Num tempo em que os pais recebem constantes avisos sobre a necessidade de proteger os seus filhos - limitando, por exemplo, a sua exposição nas redes sociais -, este programa aparece completamente em contra-ciclo e, principalmente, expõe uma criança que não deu o seu consentimento para tal e que ao longo do programa, por várias vezes, manifestou o seu desagrado com as várias situações que foram expostas. Uma criança que hoje vai ter de ir à escola e que será certamente confrontada pelos colegas com todas as situações em que o pior de si foi transmitido pela televisão, para todo o país.
2 - O direito à reserva da intimidade da vida privada (por exemplo, foi-lhe imposto que tomasse banho diante de uma estranha e com uma câmara de televisão presente). 3 - O direito à proteção pela pessoa em quem confia

Peço-vos o favor de verem o programa e de agirem de imediato - é necessário impedir que mais crianças sejam maltratadas desta forma. Muito obrigada pela vossa atenção.



É importante reiterar que as crianças não pertencem a ninguém.: as crianças são sujeitos de direitos e não objecto de direitos (como -ainda- são os animais). Os pais são tutores e, em todas as decisões que tomam, estão obrigados a zelar pelo melhor interesse da criança. Se não o fizerem, o Estado pode e deve intervir.

E o Estado somos todos nós. 

1 comentário:

Carla disse...

que óptimo post!! já apresentei queixa na ERC. Acho que agora o mais importante é mesmo evitar que no próximo domingo se repita o programa.

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