domingo, 21 de janeiro de 2018

#nannyboicote ou a sociedade civil somos todos nós



Apesar de uma semana de trabalho ímpar o assunto não me saiu da cabeça por um minuto: ora porque pessoas me abordavam na rua a falar sobre o post que escrevi sobre o assunto e que teve um alcance único na história deste blog, ou porque outras técnicos com quem trabalho quiseram trazer à luz a discussão à volta de mesas de trabalho, de refeição e de café, ou porque inúmeros leitores me enviaram os seus comentários, mensagens, e-mails, troca de argumentos nos comentários das minhas redes sociais, enfim.

Foi criada uma petição por pessoas que percebem da poda, foi emitido parecer pela Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), foi feita denúncia à ERC pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC), a Unicef pronunciou-se , o Ministério Público está a analisar todas as possibilidades legais de intervenção, a Entidade Reguladora para a Comunicação Socia-  ERC confirma (mas não tomou, até agora, nenhuma posição) a entrada de participações/preocupações subscritas por diferentes cidadãos visando o programa “Supernanny” emitido na SIC,  a CPCJ da área de actuação da família participante no primeiro episódio, em articulação com o Ministério Público, ordenou à SIC que retirasse do ar as imagens do primeiro episódio nacional, alguns especialistas reconhecidos da praça deram o seu parecer público e, ainda assim, parece que nada travará a emissora de emitir na noite de hoje o segundo episódio do programa. 

Quanto a mim, fiz - também- tudo o que estava ao meu alcance: assinei petições, fiz denúncias à ERC, ao Ministério Público, exposição à CNPDPCJ, usei a visibilidade que este blog tem para expôr argumentos. Aparentemente, tudo o que está ao meu alcance. 

Ontem, falava com o meu marido sobre esta frustração de veres que uma coisa está tão errada, activares todos os meios legais, racionais e objectivos para travar a perpetuação do erro e daí não sair nenhuma pérola. "Se houver um acidente de auto-estrada grave, não podes fazer muito para impedir que haja o acidente, que o sangue esteja exposto aos olhos de quem passa, podes não conseguir que se cortem as duas vias da auto-estrada porque isso maça a vida das pessoas e tal e a maioria até se está a borrifar para quem está ali de entranhas expostas, mas podes escolher não ver, podes escolher fazer marcha-atrás e ir por uma estrada nacional, desimpedindo o trânsito, fazendo a tua parte, protegendo a tua filha de olhar pela janela do banco traseiro, avisar os teus amigos que seguem nos carros atrás para fazerem, também, eles inversão de marcha: podes fazer a tua micro-parte!"

Assim farei. E assim apelo a que todos os que acreditam veementemente o façam. Avanço com duas propostas

1- Enviar um email ou comentário de protesto à patrocinadora: a marca Corine de Farme. Não consigo encontrar no site a missão da marca mas acredito que terá, certamente, que ver com proteger crianças, cuidar delas e das suas necessidades, priorizá-las e fazê-las felizes. Mas consigo encontrar a equipa que pode ter alguma palavra na estratégia de marketing da marca, que pode ser decisora, que pode recuar no apoio financeiro à transmissão dos próximos episódios e, por isso, pôr cobro a isto. 
O contacto de email da Corine de Farme é corinedefarme.geral@sarbec.pt  e o facebook da marca  é este. Just do it!

2- Hoje, à hora do programa, todos os que se quiserem juntar a um boicote colectivo publicarem nas suas redes sociais uma fotografia da sua televisão sintonizada noutro canal, de si mesmos a fazerem programas alternativos (ler um livro, fazer um bolo, contar uma história aos filhos antes de dormir, ver um filme noutro canal), ou seja,  vale tudo menos assistir ao programa, vale tudo para mostrar que nós não, nós não quereemos ver acidentes de auto-estrada na televisão generalista usando o hashtag #nannyboicote. 

Percebo que haja uma certa atracção para a desgraça, uma coisa meio irracional e sádica, por outro lado uma necessidade de pertença para amanhã podermos participar nas conversas de café, dar o nosso bitaite. Mas- infelizmente e à custa da Margarida- já sabemos ao que vamos e já sabemos que não queremos ir. 

É que sem audiências, a sociedade civil é capaz de ser mais soberana que todas as outras entidades. 

E- caramba!- a sociedade civil somos todos nós.



2 comentários:

Tulipa Negra disse...

Vou ter que consultar a tua publicação anterior porque ainda não vi o programa.

(Juro que não vivo numa caverna!)

Pips disse...

Não consigo concordar com a forma como as crianças são expostas neste programa. Acho que deveriam ser protegidas e a sua privacidade RESPEITADA.

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