Às vezes tu ficas doente e pões as coisas em perspectiva.
Passas a vida a fazer sacrifícios, não fazes aquela viagem, não compras roupa à maluca, compras sempre o mais barato porque queres poupar dinheiro para uma eventualidade e a eventualidade chega e tu gastas as tuas poupanças todas em exames, consultas e medicação.
Respiras fundo e pensas que ainda bem que poupaste, que seria se tivesses feito a viagem, comprado a roupa de marca ou escolhido o mais caro e estourado as poupanças.
Mas depois passa cinco anos sem visitares a “terra” da família e o teu marido- o mesmo que cuidou de ti sem pestanejar meses seguidos- suspira de “home-sickness” e aqui não é apenas saudade, é doença de falta de pisar o chão que é casa, e fala com tristeza nos olhos da última vez que mergulhou no seu mar e das pessoas que morreram pelo caminho e que nunca mais vai voltar a encontrar e da avó doente que tem medo de não voltar a abraçar.
E tu, que cresceste a acreditar que “o dinheiro é para as ocasiões” e que as ocasiões são apenas doenças e aflições, olhas para ele e pensas que o amor não se adia. “O dinheiro é para as ocasiões”: que as ocasiões se façam de vida, abraços a pais distantes, piadas com irmãos que não se vê há meia década, gargalhadas de sobrinhas adolescentes e aconchego a avós acamadas.
Que ocasiões sejam também de amor.
[As viagens são muito mais giras vistas a partir das stories do instagram do Quadripolaridades: espreitem por lá!]

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