São Jorge é uma ilha especial.
É uma ilha virada para dentro, para o passado e o presente. Uma ilha com algum desprezo pelos turistas, uma certa soberba pelos intrusos, todos piratas. São Jorge é de quem cá vive, não há cafés trendy com preços para estrangeiros e menus em inglês, nem há spots turísticos feitos à medida e ao gosto dos de fora.
São Jorge não se verga: é dos jorgenses e para os jorgenses.
Quem vem é bem vindo mas ninguém faz cerimónias e não há hospitalidade ensaiada. Se vens, és tu que tens que te ajustar, que tens que te ambientar e procurar sentires-te em casa. Ninguém faz pratos especiais com ketchup nem com chips para os paladares dos forasteiros. Chegas e tens aqui tudo à disposição: paisagens únicas, tascas e tabernas, boleias em carrinhas de caixa aberta, piscinas naturais, morcela de arroz e inhame, trilhos pedestres, queijo cortado à navalha, kimas de maracujá fresquinhas em garrafas de vidro ou vinho de cheiro.
São Jorge é uma ilha virada para dentro e talvez por isso a mais típica e mais açoriana. Talvez, por isso, pela resistência a pressões externas, pelo privilégio pelo local do que pelo de fora, pela pouca visão futurista e que descaracterizaria a ilha, para mim, São Jorge é a ilha com mais potencial turístico dos Açores.
A ilha mais açoriana de todos os Açores!
O Rui e a Ana chegaram a casa.

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